28 de janeiro de 2026
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Esquerda e direita estão sem campos demarcados no MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Durante os anos de chumbo da ditadura militar de 1964 no Brasil, a temática político-ideológica de esquerda e direita radicais era limitada a estudos acadêmicos nos campos da sociologia e da antropologia. Diferentemente de hoje, quando a direita bota a cara na rua e atua com desenvoltura nos segmentos econômicos e evangélicos, a esquerda ainda sente o encabulo dos tempos em que essa opção tinha o qualificativo insultuoso de “comunista”, emoldurado nos regimes da Venezuela e de Cuba. Porém, o Maranhão e os demais estados têm, sim, o perfil ideológico desenhado em estudo do Instituto DataSenado, de 2024, que aponta o tamanho da esquerda, da direita e do centro pelo país afora.

A pesquisa mostra que 40% dos entrevistados afirmam não se considerar nem de esquerda, nem de direita e nem de centro. Outros 11% declaram se considerar de centro. A soma desses dois segmentos representa a maioria dos eleitores brasileiros (51%). Definidos como de direita somam 29%; de esquerda, 15%; e de centro, 11%. No posicionamento por estado, o Maranhão tem 13% de esquerdistas, 23% de direitistas, 7% de centristas, 52% sem posição definida e 5% que não quiseram responder. Quanto à posição por raça, 47% dos brasileiros tidos como de cor branca ou amarela se consideram de centro. Entre os brancos está o maior percentual de direita: 32%, no comparativo com preta/parda/indígena.

A pesquisa foi realizada em junho de 2024, com entrevistas por telefone com 21.808 cidadãos representativos da população, ou seja, de quase 170 milhões de pessoas (169.840.184) acima de 16 anos. O estudo planejava analisar a opinião da população sobre prioridades para a atuação parlamentar e quantificar percepções do povo em relação à democracia brasileira, ao desempenho do Parlamento e aos principais temas em debate no país, inclusive aqueles que se inserem no contexto de eleições, como a identificação ideológica do eleitor. Ficou constatado que a direita é maior em todos os estados, mas em Rondônia, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Roraima está bem acima da média.

Já a esquerda tem percentuais acima da média nos estados do Nordeste, onde tem conseguido vitórias eleitorais expressivas nas últimas eleições, inclusive a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tal fato acabou levando a PRF a bloquear BRs em 2022, com ônibus levando eleitores nas regiões onde Lula foi mais votado no 1º turno. Esse estudo permite entender o panorama do perfil do eleitor brasileiro, cujo posicionamento político impacta diversos fatores, como religião, renda familiar e escolaridade. Tais informações são usadas também para direcionar as campanhas eleitorais em cada estado a partir dos respectivos segmentos sociais.

Nas eleições de 2026 no Maranhão, entre os pré-candidatos a governador, por exemplo, não há uma clara identificação ideológica de Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD), Lahesio Bonfim (Novo) e Felipe Camarão (PT). Todos eles estão nos respectivos partidos mais por razões circunstanciais do que ideológicas. Orleans é de família política, mas sem abandonar a atividade empresarial do agro em Colinas. O prefeito Eduardo Braide é filho do ex-deputado Carlos Braide, que presidiu a Alema e passou pelo PDS, PMDB (três vezes), PFL, PSD, PST e PDT. Eduardo já foi do PMN (extinto) e está filiado ao PSD. Lahesio Bonfim já transitou por 10 partidos, inclusive o PT, por onde começou na política no Piauí.

O atual vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão, é de classe média alta, professor da Ufma e procurador federal. O PT foi sua primeira filiação partidária, em 2022, num acordo costurado pelo então governador Flávio Dino e seu vice Carlos Brandão. É filho de um casal de médicos, cujo pai, Phil Camarão, já foi vereador de São Luís. Portanto, a divisão ideológica que divide o Brasil mais do que nunca em 2026 ainda é uma nuvem cinzenta no estado dominado por sucessivas oligarquias políticas e se arrasta na história das carências sociais. Mesmo assim, Braide está mudando a paisagem urbana e de serviços da capital, enquanto Carlos Brandão puxa um portfólio de obras que se estende por todos os municípios.

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