Brandão só renunciaria se Camarão também saísse
Por Raimundo Borges

O Imparcial – A reabertura do ano político de 2026 na Assembleia Legislativa do Maranhão foi marcada por uma sessão solene, presidida pela deputada Iracema Vale, ao lado do governador Carlos Brandão. Após a solenidade, foi convocada uma sessão extraordinária para a comunicação ao plenário da exclusão de seis deputados dos quadros do PSB, presidido pela senadora Ana Paula Nova Alves, esposa do deputado estadual Othelino Neto, líder do bloco de oposição na Casa. Os mesmos parlamentares, desligados unilateralmente, sem direito de defesa e ao contraditório, foram reintegrados por liminar da Justiça. Como o caso está judicializado, a formação dos blocos parlamentares também sofre impacto.
Mas o que marcou politicamente a retomada dos trabalhos legislativos foi a palavra de Carlos Brandão em entrevista coletiva. Perguntado por este jornalista se sai ou fica no governo daqui a 60 dias (3/02), ele respondeu assim: “Do jeito que as coisas estão caminhando, tudo indica que vou ficar até o fim do governo. O vice-governador já disse que não vai sair. Então, em respeito ao nosso grupo, pelo nosso grupo, às vezes é melhor ficar sem mandato, mas salvar o grupo. Estou pensando mais no grupo do que em mandato, estou pensando no povo”. Ele lembrou que Orleans Brandão está muito bem nas pesquisas e que acabara de receber a visita de 12 partidos que prometem apoiar o emedebista.
Para o governador, “seria um presente ao Maranhão Orleans poder dar continuidade ao governo que está dando certo”. Ao fazer o balanço de suas realizações, Brandão disse ter contado com amplo apoio do governo do PT. “O Maranhão foi o estado que mais recebeu investimentos federais”, afirmou, sem, contudo, fazer referência a um encontro que terá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para debater a solução política para o embaraçoso jogo da sucessão estadual, das vagas de senador e do racha do PT maranhense, entre as correntes que apoiam a candidatura de Felipe Camarão e a grande maioria já comprometida com Orleans Brandão, do MDB.
Por sua vez, a presidente da Alema, Iracema Vale, anunciou que pode, sim, aceitar o convite do PT na hora em que tiver de deixar o PSB. Ela foi eleita em 2012 e reeleita em 2016 prefeita de Urbano Santos pelo Partido dos Trabalhadores. Como o governador Carlos Brandão vai buscar outra legenda, para onde ele for levará dezenas de prefeitos, deputados e boa parte dos 10 secretários que já começam a se preparar para disputar a eleição de deputado. A data-limite para eles se desincompatibilizarem dos cargos é 2 de abril. Mas tudo indica que a debandada acontecerá com bastante antecedência.
No discurso da sessão solene, Iracema Vale reafirmou o grau de maturidade institucional do Legislativo e o compromisso com o Maranhão. Ela lembrou a gestão marcada por desafios inéditos nos últimos anos e a resposta da instituição, pautada no equilíbrio e na resiliência, tudo focado na estabilidade democrática do Legislativo como pilar de sustentação do Estado de Direito Democrático. Como primeira mulher a presidir a Alema em quase 200 anos, ela a conduziu sem medo, sem o silêncio da omissão e sem improvisos. Tomou decisões conscientes para manter a instituição de pé e respeitada, “mesmo diante de tentativas de conflitos internos e embaraços judiciais”.
No balanço da gestão, Iracema Vale pontuou que o Legislativo jamais parou suas atividades ou permitiu que o interesse coletivo fosse substituído por disputas pessoais. Ela disse: “A gestão transformou pressão em responsabilidade e ruído em método, consolidando uma maturidade institucional que permite à Assembleia atravessar o tempo sem perder seu eixo ou recorrer a espetáculos desnecessários”. Ao se referir ao ano eleitoral, apelou aos seus pares para que as urgências do povo não sejam negligenciadas. E propôs um ano de debates firmes e divergências claras, porém respeitosas, “onde a política seja feita com coragem e sem ressentimentos”.
