Decidido, Brandão fica no Governo e apoia Orleans
Por Raimundo Borges

O Imparcial – O governador Carlos Brandão está com a faca afiada e o queijo curado, pronto para realizar o maior projeto político de sua vida: eleger o sobrinho Orleans Brandão como sucessor e, mesmo sem mandato, tornar-se a principal liderança no Estado. Para isso, é preciso uma forte dose de ousadia, aproveitar o momento único de realizar tal empreitada no governo e torcer para não ser surpreendido com revezes eleitorais vindos de fora para dentro. Afinal, o dito popular ensina que, de cabeça de juiz, bumbum de bebê e urna eleitoral, nunca se sabe o que pode vir. Mas os Brandão – Carlos e Marcus (pai de Orleans) – apostam que a ruptura de dentro para fora do dinismo pode mudar novamente a história política do Maranhão.
Em 2010, Flávio Dino, deputado federal do PCdoB, e Jackson Lago (PDT), ex-governador cassado pela Justiça Eleitoral, dividiram a votação antigoverno contra Roseana Sarney (MDB), levando-a ao recorde da quarta vez no poder. Ela venceu no primeiro turno com uma pequena margem de apenas 31 mil votos sobre a soma dos dois opositores. Na campanha, com Roseana e Jackson impugnados, Dino provocava no horário eleitoral: “Este ninguém cassa”, irritando Jackson. Roseana se livrou do processo, venceu a eleição e levou Edison Lobão e João Alberto para o Senado. O PT sofreu intervenção nacional por decidir apoiar Dino, sendo forçado a se unir a Roseana e a indicar Washington Oliveira como vice-governador.
Quatro anos depois, o PSDB de João Castelo, que havia apoiado Jackson Lago, uniu-se ao PCdoB de Flávio Dino, numa articulação parecida com a do PT e MDB em 2010. No governo, Brandão fez explodir o tamanho do PSDB, enquanto Flávio Dino fazia o mesmo com o Partidão nas eleições municipais de 2016. Em setembro de 2017, o senador Roberto Rocha se desligou do PSB para se filiar ao PSDB e, em dezembro, assumir o seu comando regional. Em fevereiro de 2018, o vice-governador Carlos Brandão abandonou o PSDB e ingressou no PRB, onde permaneceu até março de 2022, quando assinou filiação ao PSB, de acordo com Flávio Dino, que lhe passou o governo, e os dois disputaram a eleição vitoriosa no 1º turno.
Em 22 de fevereiro de 2024, com apenas 20 dias no mandato de oito anos no Senado, Dino renunciou para assumir o cargo vitalício no Supremo Tribunal Federal, dizendo, na tribuna, que “um bom líder político jamais pode ser um mero artefato midiático submetido à lógica dos algoritmos das redes. Nós precisamos ter causas para ter identidade”. No STF, a toga o impede de atuar politicamente; porém, política e ser humano são indissociáveis. Aristóteles já dizia que o homem é um “animal político” por natureza. Brandão se apegou a esse princípio ao ver a sua chance de assumir a liderança política do Maranhão, sem a interferência de Flávio Dino e dos que se tornaram opositores do grupo originário.
O governador tem reafirmado que já tomou a decisão de permanecer no cargo até o fim do mandato e que o secretário Orleans Brandão se tornou um candidato competitivo, segundo as pesquisas, hoje sem mais tempo para recuar. Principalmente se o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), não arriscar concorrer ao governo. É tudo uma questão de ir para o tudo ou nada. Se não for agora, Braide terá maior dificuldade em 2030, sem mandato. Se não for agora, Orleans também não disporá da estrutura de poder com a qual conta atualmente. Se Lahesio Bonfim não levar sua candidatura adiante, ninguém saberá como será o futuro do bolsonarismo maranhense que o apoiou em 2022.
A única certeza neste momento é a pré-candidatura de Orleans Brandão. O presidente do PT, Edinho Silva, já disse que Lula quer muito estar com o MDB em seu palanque. Portanto, é fácil acreditar que o presidente estará no Maranhão mais estimulado a subir no palanque de um candidato com reais chances de vitória do que apoiar, por capricho, um nome do PT pelo simples fato de ser petista. Lula conhece como ninguém a política brasileira e sabe que o pragmatismo nunca foi uma ideia desprezível em uma campanha dura como a deste ano – para ele –, a mais importante e complexa de sua longa trajetória política.
