19 de fevereiro de 2026
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Carnaval se foi, mas o samba atravessou a pré-campanha

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Passou o Carnaval mais político e mais caro da história, tanto pelas multidões de foliões contadas em milhões quanto pelo conteúdo dos enredos de conotação social que explodiram nas ruas e nas redes. Até o dia 3 de abril, Sexta-Feira Santa, último dia para se exonerar de cargos no Executivo, a quaresma, que faz o Carnaval se recolher aos barracões das escolas, será substituída pela política, que vai modelar o jogo e formular as decisões sobre os mandatos majoritários. No Maranhão, na construção do cenário da sucessão no Palácio dos Leões, faltam os arremates na oposição, no governo Carlos Brandão, na relação do MDB de Orleans Brandão com o PT de Felipe Camarão e ao redor do prefeito Eduardo Braide.

Lula está viajando pela Ásia (Índia e Coreia do Sul) em busca de mais mercado para carne e grãos brasileiros, além de tecnologias estratégicas. Deixou para trás a encrenca político-eleitoral sobre o desfile e o enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que levou para o Sambódromo carioca a trajetória de sua vida: de menino pobre do sertão pernambucano a presidente do Brasil – um fenômeno único no Ocidente –, eleito três vezes para o Planalto, em períodos entrecortados por duas prisões. Na Índia, ele retribui a visita do primeiro-ministro Narendra Modi, realizada durante a cúpula do Brics; na Coreia, Lula tratará de fortalecer as relações entre os países em uma parceria estratégica.

Em Nova Délhi, capital da Índia, Lula participa nesta quinta-feira (19) da cúpula de inteligência artificial. Será o primeiro presidente brasileiro a marcar presença em um evento global de alto nível sobre IA, que aguarda a presença de 40 mil pessoas de 50 países. Sua agenda prevê ainda novas oportunidades de cooperação bilateral, especialmente nas áreas econômica, turística, agrícola, energética e sustentável, dando sequência aos acordos firmados entre os dois países durante a visita de Modi, no ano passado. Na Coreia, Lula vai assinar o plano de ação trienal (2026–2029) para fortalecer as relações entre os países em direção a uma parceria estratégica, com novos investimentos coreanos no Brasil.

Ao retornar na próxima semana, o presidente fará uma pausa nas viagens internacionais e percorrerá o Brasil, entregando obras e mostrando o que seu governo realizou. Até o dia 3 de março, ele não sabe quem, de fato, enfrentará nas urnas: se Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou outro arranjo dentro da direita bolsonarista. Por enquanto, o cenário confirma o que já se previa. Os opositores de Lula não vão perder a oportunidade de transformar o mote da Acadêmicos de Niterói em peça jurídica para tentar impugná-lo e fazer barulho nas redes sociais e no noticiário.

Como não poderia ser de outra forma, no Maranhão, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, encarregou-se de colocar gasolina na pré-campanha ao governo. Ao dizer que o PT não apoia o MDB maranhense, Baleia colocou o bode na sala para cobrar uma posição de Lula sobre esse imbróglio, situação diferente da de Pernambuco. Lá, o presidente petista foi assistir ao desfile do grandioso bloco Galo da Madrugada ao lado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e da governadora Raquel Lyra (PSD). Os dois são pré-candidatos ao governo e ambos querem o apoio do pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva.

No Piauí, o presidente do PT, Edinho Silva, reuniu-se com Ciro Nogueira, da União Brasil, e Antônio Rueda, do PP, em uma aproximação das duas legendas do Centrão ao PT de Lula. É o momento em que governistas buscam a neutralidade dos partidos de centro no pleito nacional. Nessa empreitada no vizinho Piauí, o pragmatismo é a mola que faz girar a política, envolvendo deputados federais, senadores e o governador, tendo como pano de fundo obras do PAC no estado. Portanto, no Maranhão, Lula vai, sim, conversar com Brandão, tirar o bode da sala, definir o rumo das eleições, impedir a fragmentação do polo governista e a cooptação, por Eduardo Braide, da direita de Lahesio Bonfim, misturada à esquerda desarrumada.

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