26 de fevereiro de 2026
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No comando da Alema e dos Leões, o MDB renasce das cinzas em 2026

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Os partidos políticos no Maranhão são tão voláteis quanto o mercado financeiro, por exemplo. Quando menos se espera, as bancadas partidárias na Assembleia Legislativa já mudam de tamanho e de forma de atuação política, independentemente das legendas pelas quais foram eleitas. No começo de fevereiro, o Diretório Regional do PSB autorizou a migração de nove deputados estaduais, inclusive a presidente da Alema, Iracema Vale, para o MDB, que, em 2022, elegeu apenas dois parlamentares e hoje teve sua bancada estadual inflada para 10. Eles nem precisaram da “janela partidária”, que vai se abrir em março para troca de legenda, sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária.

Antes, a presidente estadual do PSB, senadora Ana Paula, já havia expulsado seis deputados do mesmo partido pelo qual foram eleitos o governador Carlos Brandão e o senador Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal. Porém, a expulsão foi anulada por liminar do juiz Gustavo da Silva Medeiros, da 2ª Vara Cível da Capital. Em razão disso, com base em acordo com Iracema Vale, o PSB deu carta de anuência para nove deputados deixarem a legenda. Como era previsto, todos foram para o MDB, presidido no Maranhão pelo pré-candidato a governador Orleans Brandão. Mudou também a formação dos blocos parlamentares que participam das comissões técnicas da Alema.

Toda essa movimentação na Assembleia do Maranhão é comum nos demais estados e também no Congresso Nacional. A maioria dos 30 partidos ou está na base do governo ou em posição de facilitar as votações de interesse do Executivo, desde que mediante algum tipo de acordo, como, por exemplo, a liberação de emendas parlamentares. Isso significa que o governismo no Maranhão é movido à força do Palácio dos Leões. O mesmo PSB, inflado nas eleições de 2022, vai chegar a 2026 do mesmo tamanho que era antes de Flávio Dino e Carlos Brandão ingressarem em seus quadros. Já o MDB dos Sarney, que passou aos Brandão, ganhou rapidamente pelo menos oito deputados estaduais e muitos prefeitos.

Com o reforço recebido, sua única deputada federal eleita em 2022, Roseana Sarney, já avalia até disputar o Senado, enquanto a presidente da Alema, Iracema Vale, desponta como um nome considerável tanto para concorrer à segunda vaga de senadora quanto à de vice-governadora, na chapa liderada por Orleans Brandão. Nessa hipótese, o MDB, que mandou por décadas na política maranhense no período sarneísta, está de volta, repaginado e revigorado das cinzas após o período liderado por Flávio Dino, de 2014 a 2023. É nessa dinâmica que a política independe de partido para controlar o poder estadual. O maior exemplo disso foi o PCdoB no período dinista, que elegeu seis deputados em 2018.

No momento em que o Brasil debate as eleições olhando pelo prisma ideológico entre direita e esquerda, o Maranhão passa à margem desse debate quando se trata das disputas estaduais. O peso determinante para chegar ao poder está sedimentado nos municípios, com seus líderes locais fazendo o jogo de interesses particularizados. As oligarquias municipais, que estão conseguindo sobreviver até à influência universal das redes sociais, estão se renovando e se adaptando a partir do âmbito familiar. Como Flávio Dino não usou esse gancho para prolongar o dinismo, mesmo sem estar atuando como mandatário, seu legado pode ser triturado na primeira eleição sem a participação dele, em outubro.

O pluripartidarismo brasileiro tem características próprias. Os 30 partidos operam mais como instrumentos burocráticos, espécie de empresas estatais, do que como organismos ideológicos, a exemplo dos Estados Unidos. Lá, há mais de 160 anos, Democratas e Republicanos se revezam na Casa Branca, com suas cores e símbolos: vermelha (Republicanos, símbolo do elefante) e azul (Democratas, símbolo do burro). No Brasil, desde a ditadura de 1964, o PT foi o que mais chegou ao Planalto, três vezes com Lula e duas com Dilma Rousseff. No Maranhão, o PMDB/MDB passou 35 anos nos Leões, e agora só falta a filiação de Carlos Brandão para o retorno triunfar. Por coincidência, ele está sem partido.

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