6 de março de 2026
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O misterioso futuro de Eduardo Braide

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Desde 2006, quando tentou a carreira política como candidato a deputado federal, na esteira de haver passado pela Presidência da Companhia de Saneamento do Maranhão (Caema), no governo José Reinaldo, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), enfrenta hoje o maior desafio de sua trajetória. Há 20 anos, ele tentou ser deputado federal pelo PSB e obteve apenas 29,9 mil votos. Em 2008, candidatou-se a vereador de São Luís e não passou de uma suplência, com 5 mil votos. Agora, como prefeito reeleito, Braide é um dos gestores de capital mais bem avaliados do Brasil, o que lhe garante liderança ou empate nas pesquisas eleitorais como eventual pré-candidato a governador do Maranhão.

Nesses 20 anos como político, Braide foi secretário de Orçamento Participativo de São Luís (2009–2010), na gestão de João Castelo; deputado estadual (PMN) em 2010 e 2º vice-presidente da Assembleia Legislativa; reeleito para a Alema em 2014 e líder do bloco governista no primeiro ano do governo Flávio Dino, com o qual rompeu por ocasião da eleição da Mesa Diretora. Faltou-lhe apoio para ser vice de Humberto Coutinho, ligadíssimo ao Palácio dos Leões. O cargo ficou com o deputado Othelino Neto, que acabou na presidência, com a morte de Coutinho, sendo reeleito com total apoio do governador do PCdoB.

Em 2016, Eduardo Braide disputou a prefeitura de São Luís contra Edivaldo Júnior e chegou ao 2º turno numa guinada na última semana da campanha, graças ao desempenho nos debates de TV. Obteve 46% da votação, mas perdeu. Em 2018, Braide foi eleito o segundo deputado federal mais votado (189 mil votos) – 10 mil atrás do 1º colocado, Josimar do Maranhãozinho. Eleito prefeito de São Luís em 2020, chegou a 2024 com aprovação em alta e venceu com 70,1% dos votos. Em razão desse resultado, já iniciou o mandato atual aparecendo como nome cacifado para a eleição de governador, embora seja o único prefeito do PSD em todo o Maranhão e, até hoje, sem fazer parte de nenhum grupo político.

Nem durante a pandemia Braide quis conversa com o então governador Flávio Dino, que o tinha na conta de um gestor “esquisito”. Da mesma forma, o prefeito da capital não buscou aproximação com o vizinho chefe do Palácio dos Leões, Carlos Brandão. Os dois só se falam burocraticamente em eventos solenes, mas nunca estiveram em atos governamentais, nem do Estado nem da Prefeitura. Da mesma forma, não alimentam divergências explícitas, embora o governo tenha realizado e ainda realize várias obras de vulto na capital, nas áreas de infraestrutura, sistemas viários etc.

No Carnaval e nos festejos juninos de São Luís, cada esfera de governo realiza eventos em locais separados, o que não deixa de ser uma “esquisitice” que a população já acha normal. Agora, quando os prazos eleitorais obrigam as definições, Brandão garante que ficará no Palácio dos Leões até o fim do mandato para apoiar o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), enquanto Braide prefere alongar o mistério sobre seu futuro político.

Nesta quinta-feira, ele concedeu entrevista coletiva para anunciar investimentos de R$ 1,6 bilhão no programa “São Luís se Transforma”, mas com o cuidado de não avançar em qualquer declaração sobre a eleição para governador, que está a menos de sete meses.

“Nem a minha esposa sabe se vou renunciar”, respondeu às indagações de jornalistas. Braide levou para a coletiva toda a bancada de oposição na Assembleia Legislativa, com sete deputados, inclusive o irmão Fernando Braide, além das senadoras Ana Paula Nova Alves (PSB) e Eliziane Gama (PSD). O grupo é composto pela parte do racha no bloco dinista-brandonista das três eleições passadas, desde 2014.

Se Braide for candidato ao Palácio dos Leões, como quer o PSD nacional, o Maranhão não terá esquerda lulista nem direita bolsonarista. Terá brandonistas de um lado e dinistas do outro. Se Braide preferir ficar e realizar seu programa de obras, o dinismo estará numa enrascada, e o brandonismo terá tudo para triunfar.

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