7 de março de 2026
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Camarão pode trocar PT pelo PSB e se juntar a Braide para o Senado

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O rigor do calendário eleitoral de 2026 já começa a definir, no papel, o que os políticos não conseguiram resolver na prática. As candidaturas majoritárias ao Palácio dos Leões estão no centro de um enorme rebuliço, com repercussão nos demais mandatos. Muita coisa ainda está embolada em torno do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, Lahesio Bonfim e Felipe Camarão, três nomes presentes nas pesquisas de intenção de voto, mas sem movimentação à altura da corrida ao governo do Estado. Apenas o emedebista Orleans Brandão vive a intensidade da pré-campanha, já em vias de se lançar oficialmente e também de se desincompatibilizar do cargo de secretário estadual de Assuntos Municipalistas.

O pré-candidato do MDB já tem dia e hora para se lançar à disputa do governo: 14 deste mês, às 17h, no Multicenter Sebrae, em São Luís. Mesmo com essa posição mais avançada em relação aos concorrentes, Orleans Brandão, apoiado por onze partidos, não fala em vice nem nos candidatos ao Senado. Se forem confirmadas as especulações, ele poderia indicar a deputada Iracema Vale (recentemente filiada ao MDB) para vice. As vagas no Senado seriam ocupadas pela deputada Roseana Sarney, o que soa estranho, com o MDB indo com três nomes na majoritária: Orleans, Iracema e Roseana. A outra vaga seria de Weverton Rocha (PDT), em uma coligação de onze partidos.

Nesse caso, o MDB planeja não apenas uma chapa puro-sangue, com Orleans, Iracema e Roseana, como também recolocar o sarneísmo em evidência, algo que não ocorre desde 2014, quando foi sufocado na eleição do primeiro governador “comunista” da história do Brasil. Iracema Vale já foi citada até como opção ao governo, caso fosse possível a reunificação do antigo grupo. O peso político que a deputada carrega é um capital eleitoral que a fez, em 2022, tornar-se a mais votada para a Assembleia Legislativa e, depois, sua presidente. Seja como for, há um tabuleiro político com as peças ainda desarrumadas em todos os campos do jogo.

O que chamou a atenção na reunião de Eduardo Braide com a imprensa, quinta-feira, foi a presença de seis deputados ligados ao dinismo, sem Flávio Dino. Eles foram como indicativo de que a pré-candidatura de Felipe Camarão ao governo naufragou. O que se sabe nos bastidores é que ele trocaria o PT pelo PSB e assumiria a pré-candidatura ao Senado na chapa ainda indefinida de Eduardo Braide (PSD), junto com o ministro dos Esportes, André Fufuca (PP). Caso seja essa a cartada, o presidente Lula não virá ao Maranhão na campanha, mas terá votação nos grupos de Orleans Brandão, que terá Roseana Sarney e Weverton Rocha, e também do lado de Braide, com Felipe Camarão e André Fufuca.

Logicamente, o PT não tem como insistir em Camarão, com seus aliados dinistas seguindo Braide. De quebra, a maioria esmagadora bate ponto em quatro secretarias no governo Carlos Brandão, com centenas de cargos nos escalões administrativos. Significa ainda que o ex-ministro José Dirceu, que viria a São Luís no próximo dia 19 tentar reconstruir o grupo dinista-brandonista com Brandão, foi despachado depois que o MDB de Orleans marcou o dia 14 para oficializar sua candidatura. É um desfecho que, em razão do calendário eleitoral, saiu da fase das conversas de pé de ouvido para decisões em meio aos prazos da janela partidária já em andamento e da desincompatibilização até o dia 2 de abril.

O PT perde a candidatura ao governo, e Brandão não negocia mais acordo com o Planalto sobre a reconstrução do grupo dinista. O presidente Lula pode se ausentar do Maranhão na campanha, mas apoiar os palanques de Orleans e de Eduardo Braide, assim como está previsto acontecer em Pernambuco, sua terra natal. No meio desse imbróglio está o médico Lahesio Bonfim, representante do bolsonarismo. Se ele desistir dos Leões e apoiar Braide, o caldo ideológico entre direita e esquerda fica ainda mais indigesto, com o prenúncio de um segundo turno tão eletrizante como há muito tempo não se vê no Maranhão.

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