Lahesio aparece como fiel da balança entre Braide e Orleans
Por Raimundo Borges

O Imparcial – Se a eleição para governador do Maranhão fosse hoje e os candidatos fossem Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD) e Lahesio Bonfim (Novo), haveria segundo turno, conforme as últimas pesquisas de intenção de voto. Se o vice-governador Felipe Camarão mantiver o nome na mesma disputa eleitoral, o quadro permaneceria inalterado. Braide teria 34% dos votos; Orleans, 30%; e Lahesio, 16%. Matematicamente, não haveria vitória em primeiro turno. Num segundo turno, Lahesio seria um contrapeso significativo, levando-se em conta alguns fatores que interferem na decisão de cada eleitor, por exemplo, a renda.
Como a eleição de governador tem relação direta com a disputa presidencial, vale destacar que, hoje, pelas pesquisas disponíveis, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados. Por tais projeções, vale ressaltar que o mesmo candidato que derrotou Jair Bolsonaro no exercício da Presidência não está tão seguro de que repetirá o feito contra o filho 01 do mesmo “mito” de 2022. O fator psicológico entra na conta. Se Bolsonaro perdeu a reeleição no cargo, quem garante que Lula repetirá aquele feito no mesmo posto no Planalto, para um quarto mandato, num contexto político conturbado e com a extrema direita avançando fortemente mundo afora, sob o comando de Donald Trump?
A eleição brasileira será realizada perante uma conjuntura mundial cheirando à pólvora das bombas do Oriente Médio, com o Brasil sob pressão de produtos taxados pelos Estados Unidos e com o PCC e o CV classificados pelo mesmo poderio americano como “organizações terroristas”. É um contexto que afeta a economia brasileira e contamina o processo eleitoral com reflexos no bolso de quem vai escolher o presidente da República. Parece uma guerra distante, mas vale lembrar que os aparatos de guerra americanos já passaram raspando a fronteira do Brasil com a Venezuela, lastimavelmente, ainda assim apoiados pelo bolsonarismo.
Em 2022, no rescaldo da pandemia da Covid-19, com a mortandade de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, Bolsonaro sentiu os efeitos políticos negativos em sua popularidade e na economia. Nas vésperas do segundo turno, ele admitiu arrependimento pela postura que adotou ao minimizar a doença e fazer piada sobre a eficácia das vacinas. Vários estudos científicos acadêmicos pesquisaram municípios onde o voto bolsonarista foi mais fortemente atingido pela Covid-19, tangido pela crença nas recomendações do presidente sobre não distanciamento, não uso de máscara e não vacinação. Nas cidades com mais mortes, Bolsonaro sofreu perda significativa de votos para Lula no segundo turno.
No contexto maranhense da disputa pelo Palácio dos Leões, a maior influência eleitoral vem de fatores que se misturam: o bolsonarismo de direita, o voto de resultado, o poder da máquina pública e o desempenho de cada candidato com suas propostas. O Maranhão não tem raiz ideológica marcante. O eleitorado que manteve o sistema sarneyista por 50 anos no poder foi o mesmo que o derrotou em 2014, com Flávio Dino filiado ao PCdoB. É esse o conjunto que hoje aparece em empate técnico entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, dois candidatos com perfil de centro-direita. Já a esquerda dinista se dissolveu em pouco tempo, diante das políticas de Carlos Brandão no Estado e de Eduardo Braide em São Luís.
Aliás, a capital maranhense é uma história à parte: o governador nunca elegeu o prefeito. E, como Dino não está atuando diretamente na política, Carlos Brandão não será candidato e Eduardo Braide ainda faz mistério sobre ser ou não concorrente ao Palácio dos Leões, o lulismo e o bolsonarismo estão embrenhados na penumbra ideológica, num estado de eleitorado puxado pelo cabresto do poder econômico e das máquinas governamentais. Por esse motivo, Lula não vai quebrar lanças por nenhum candidato a governador, assim como o filho de Bolsonaro não terá muito a oferecer além do discurso ideológico àqueles que o veem cegamente pelo viés de ser filho do “mito” contra Lula.
Se a eleição para o Governo do Estado fosse realizada agora, haveria dois turnos, sendo o segundo e decisivo disputado pelo prefeito Eduardo Braide (PSD) e o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB). No primeiro turno, Eduardo Braide teria 34,6% dos votos, enquanto Orleans Brandão sairia das urnas com 30,3% da votação. O ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), ficaria em terceiro com 16,1%, seguido pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), com 6,9%. Foi esse o cenário encontrado pela pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, que registrou também 5,7% de eleitores que não quiseram ou não souberam responder e outros 6,4% que anulariam o voto.
O Paraná Pesquisas ouviu também os entrevistados sobre o segundo turno. Na disputa entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, o prefeito de São Luís seria eleito governador do Maranhão com 47,3%, contra 39,1% dados ao secretário de Assuntos Municipalistas. Em outra simulação, entre Orleans Brandão e Lahesio Bonfim, o candidato do MDB chegaria ao Palácio dos Leões com 47,1%, contra 36,8% dados ao candidato do Novo.
Quatro informações, que apenas confirmam os levantamentos feitos depois que o secretário Orleans Brandão foi definido como pré-candidato, chamam a atenção no novo levantamento.
