Palanque de Orleans ignora Felipe Camarão e enaltece figura de Lula
Por Raimundo Borges
O Imparcial – O ato de pré-lançamento da candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, ao governo do Maranhão teve como simbolismo a figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal liderança do PT, embora o vice-governador do partido, Felipe Camarão, esteja a caminho de uma aproximação com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, do PSD e principal liderança de oposição ao Palácio dos Leões. Camarão seria candidato a senador na chapa de Braide, que, no entanto, não diz que vai concorrer ao governo. Ele aparece em um vídeo musicado, sem origem comprovada, falando que “a esperança do povo é ver chegar a mudança”.
Pelas contas da Polícia Militar, o ato pré-convencional de sábado, no Multicenter Sebrae, em São Luís, reuniu 40 mil pessoas, deslocadas dos bairros de São Luís e de 182 municípios, cujos prefeitos se fizeram presentes. Mas o que estava no centro das imagens impressas e digitais do encontro era o presidente Lula entre Carlos Brandão e o sobrinho Orleans. Na última vez em que Brandão falou com Lula sobre a eleição do Maranhão, disse que não apoiaria Felipe Camarão e não concorreria ao Senado, para tentar fazer de Orleans seu sucessor. Com o presidente do PT, Edinho Silva, Brandão foi mais explícito: vai apoiar Orleans, que saiu de 3% nas pesquisas e já está com 32%, empatado com Braide.
Ao mesmo tempo em que Carlos Brandão era destacado nos discursos por ter adotado a política municipalista entregue ao secretário Orleans, não ficou de fora a afirmação de que seu governo tirou um milhão de pessoas da pobreza extrema no Maranhão. Como não poderia ser de outra forma, o governo anterior ao de Brandão e o posterior ao de Roseana Sarney, com Flávio Dino à frente, virou assunto do passado. Nenhuma referência, nem de longe, como foi lembrado o ex-presidente José Sarney e sua filha Roseana. Orleans parecia não acreditar no tamanho da multidão e no barulho da festa, com bumba-meu-boi e baterias de todos os ritmos, com gente chegada dos diferentes cantos do interior maranhense.
O presidente Lula foi o nome de maior destaque nos discursos dos políticos não petistas: Carlos Brandão, Orleans Brandão, o senador Weverton Rocha (PDT) e Roberto Costa (MDB e presidente da Famem). Todos fizeram questão de colocá-lo no centro da campanha de Orleans. Como não há uma posição do partido lulista sobre coligação para 2026, o MDB não precisaria de autorização para colocar o presidente da República no eixo da disputa no Maranhão, estado em que sempre obteve as maiores votações no Brasil desde 2002, com 61% contra 38% do tucano José Serra.
Na pré-convenção de Orleans, as lideranças do PT que controlam quatro secretarias estavam no palanque: Washington Oliveira (representação de Brasília), Henrique de Sousa, Cricielle Muniz (Iemas) e Bira do Pindaré, além dos ex-deputados Zé Carlos e José Inácio. Logicamente, diante da ruptura de Brandão com Felipe Camarão, este não compareceu, assim como o deputado federal Rubens Pereira Jr., hoje aliado do vice-governador nas conversações com o prefeito Eduardo Braide. O ex-deputado federal Gastão Vieira (PT) também não marcou presença. Ele não tem ligação com o governo estadual, mas participa do Conselho Nacional de Educação, ligado ao Ministério da Educação.
Enquanto o PT maranhense faz malabarismo entre Orleans Brandão e Eduardo Braide, o prefeito ganha tempo para decidir nos últimos minutos do segundo tempo. Neste fim de semana, circulou nas redes sociais um vídeo musicado colocando Braide como a mudança no Maranhão, mas não está nos ambientes digitais do prefeito na internet. Tem aparência de ser produto de inteligência artificial, de alguém interessado em pressioná-lo. Por coincidência, a peça tem imagens parecidas com um vídeo de 2014, lançado na pré-campanha de Flávio Dino, cujos seguidores atuais estão em marcha batida rumo ao palanque de Braide — se é que ele vai mesmo concorrer ao Palácio dos Leões e deixar a cadeira no Palácio La Ravardière para a vice Ismênia Miranda.

