Duas semanas do “ser ou não ser” de Braide
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Faltam 16 dias para o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, acabar com o suspense que ronda o seu entorno sobre renunciar ao mandato e decidir concorrer ao governo do Maranhão. Desde 2024, após ser reeleito, Braide vem sendo colocado como pré-candidato ao Palácio dos Leões, sem que dê qualquer sinal concreto de aceitar o desafio. Agora, só lhe restam duas semanas para o PSD confirmar tê-lo como candidato e o grupo de oposição contar com um palanque de apoio às candidaturas majoritárias e proporcionais. Caso contrário, Braide segue sua gestão municipal, e os dinistas terão que desmanchar o cenário atual e montar outro com alguém capacitado para uma empreitada tão complicada.
O Palácio dos Leões trabalha com pesquisas de consumo interno e sabe exatamente o que vai pesar na decisão do eleitor sobre a eleição majoritária. A disputa do governo tem sido, ao longo de décadas, uma sequência de rupturas, traições, uniões de última hora e muita desavença. É a dinâmica da política fazendo a história de cada eleição. Desde o distante fim da Era Vargas, o Maranhão realizou 17 eleições diretas e três indiretas para o Palácio dos Leões. No contexto histórico, o poder maranhense foi exercido por Vitorino Freire (até 1964) e, depois, por José Sarney e sua filha, Roseana, até 2014, quando Flávio Dino marcou um novo ciclo de três eleições até 2022, junto com o vice Carlos Brandão.
Uma coincidência notável: Vitorino Freire nunca foi governador, mas chefiou a oligarquia por 20 anos, com direito a um apartamento de luxo no mirante do Palácio dos Leões, ironicamente instalado acima do gabinete do governador de plantão. Ele e Sarney foram correligionários na época do PSD, quando o filho de Pinheiro o trocou pela UDN, na qual se elegeu governador em 1965, apoiado pelo marechal Humberto Castelo Branco, líder do golpe militar de 1964. Com o modelo bipartidarista de Arena e MDB, Sarney e Vitorino viveram, por um bom tempo, sem atritos públicos, dentro da mesma Aliança Renovadora Nacional (Arena), até o oligarca pernambucano sair de cena, sem deixar herdeiro à altura.
Durante a ditadura, na tentativa de “segurar” a oligarquia vitorinista em decadência, o general Ernesto Geisel escolheu, em 1974, o então médico Osvaldo Nunes Freire como governador biônico. De saída, já marcou a ruptura dele com o senador José Sarney, presidente da Arena e, depois, do PDS. No governo do general João Batista Figueiredo, a força de Sarney permitiu a aliança entre João Castelo e o candidato à primeira eleição direta pós-ditadura, Luiz Rocha. No novo ato desse enredo, na sucessão presidencial, já com Sarney no MDB e vice de Tancredo Neves em 1985, João Castelo preferiu apoiar Paulo Maluf (PDS).
Agora, uma nova história traz significativos desdobramentos. Sarney, com 96 anos em abril, está fora da trincheira política. Roseana Sarney, quatro vezes governadora, está em tratamento de um câncer, mas admite concorrer ao Senado. José Reinaldo, com 86 anos hoje, protagonista da eleição de 2006, em que Jackson Lago quebrou a corrente sarneísta, elegendo-se governador pelo PDT e depois cassado por Roseana, faz parte do governo Carlos Brandão como secretário de projetos estratégicos. Aquele cenário de 2006 ressurge em 2026, com novos personagens e roupagem adaptada à era das redes sociais e da IA.
Como os palanques tradicionais saíram da praça e entraram no mundo digital, o prefeito Eduardo Braide ganha tempo analisando todos os cenários de uma eleição geral, com o Brasil dividido entre direita e esquerda, e surpresas pipocando por todos os lados. Flávio Dino está fora do processo eleitoral; Brandão fica no cargo para tentar eleger o sobrinho Orleans; Jair Bolsonaro está preso e doente; e Lula busca o 4º mandato — uma proeza jamais vista em democracias de voto direto no mundo ocidental. Será uma das eleições mais complexas da história do Brasil e do Maranhão. Até as guerras que tumultuam a paz e a economia do mundo vão refletir no voto de cada eleitor brasileiro. Sobre tudo isso, Eduardo Braide ganha tempo, vivendo um monólogo nada shakespeariano de Hamlet: “ser ou não ser candidato”.

