Os descaminhos da corrida ao governo
Por Raimundo Borges
O Imparcial – As eleições gerais do Brasil estão distantes 195 dias, e, no Maranhão, a corrida rumo ao Palácio dos Leões está encoberta por uma nuvem de incertezas. O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), líder das pesquisas de intenção de voto, não diz a ninguém se vai renunciar ao cargo para disputar a sucessão do governador Carlos Brandão. Além de ter anunciado, no dia 5 de março, um robusto pacote de obras para a capital maranhense, no valor de R$ 1,6 bilhão, o prefeito segue inaugurando e movimentando máquinas por vários pontos da cidade, mesmo em meio ao período de chuvas mais intensas. Tem aparecido ao lado da vice-prefeita Ismênia Miranda, mas sem tocar no tema da eleição de 2026.
Bem ao lado da prefeitura, o governador Carlos Brandão não deixa por menos. Além de haver coordenado a grandiosa festa de pré-lançamento da candidatura do sobrinho Orleans Brandão (MDB), no último dia 14, tem centenas de obras em andamento. Internamente, já prepara a troca de pelo menos 10 secretários que vão concorrer às eleições de deputado, num esforço para reforçar o palanque de Orleans. O terceiro colocado nas pesquisas, Lahesio Bonfim (Novo), fez o pré-lançamento de sua candidatura em Bacabal, ironicamente município do prefeito Roberto Costa, presidente da Federação dos Municípios, líder histórico do MDB e um dos mais entusiastas de Orleans Brandão.
O vice-governador Felipe Camarão se diz candidato a governador, mas sabe que o PT do Maranhão não tem autoridade para definir candidatura majoritária. Além de o diretório regional estar sob intervenção do nacional e haver uma eleição do PED embolada na Justiça, a maioria esmagadora do partido está no governo Brandão, com quatro secretarias nas mãos de petistas. Camarão estaria em conversação com Eduardo Braide, mas ele não confirma nem desmente os boatos a respeito, nem de sua própria candidatura. Se os políticos dinistas querem reforçar a candidatura de Braide, não é isso que ele faz transparecer, até porque o prefeito mantém uma cautelar equidistância, de longos anos, do dinismo.
Outra eleição embaraçada é a de senador. São duas vagas em disputa e oito pré-candidatos se cruzando nos descaminhos das urnas de 4 de outubro. Roseana Sarney (MDB) está em tratamento de um câncer, mas em boa recuperação; Roberto Rocha passou como um relâmpago pela direção do PSDB, depois que a legenda escapou do secretário Sebastião Madeira, e já estaria ingressando no Novo, de Lahesio. André Fufuca é do PP, que ainda não oficializou a federação com o União Brasil, de Pedro Lucas; Hilton Gonçalo (Mobiliza) seria outra opção de Lahesio, enquanto Weverton Rocha (PDT) faria dobradinha com Roseana.

Eliziane Gama (PSD), uma das senadoras mais atuantes no Congresso Nacional, enfrenta uma campanha de descrédito nas redes sociais, até mesmo de segmentos evangélicos. Ela seria um dos nomes da eventual chapa de Eduardo Braide, talvez com Felipe Camarão dividindo os votos da eleição “casada” de senador. Dessa forma, as eleições majoritárias do Maranhão estão emboladas do pé à cabeça. No centro da disputa pelo Palácio dos Leões, os grupos brandonistas e dinistas travam uma guerra particular, com ações judiciais no Supremo Tribunal, investigações policiais e acusações a torto e a direito.

Até o começo de abril, muitos desdobramentos vão acontecer. Braide, caso decida disputar o governo, encerrará seu mandato na prefeitura, passando o bastão à vice, Ismênia Miranda. Nesse caso, ela terá mais de dois anos e meio à frente da capital maranhense. Orleans terá que deixar a Secretaria de Assuntos Metropolitanos; Felipe Camarão pode até deixar o PT; Carlos Brandão, se quiser, buscará nova filiação partidária, enquanto cuida de arrumar a equipe remanescente das desincompatibilizações. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ninguém sabe como será sua campanha no Maranhão, muito menos a de Flávio Bolsonaro, que só tem o palanque de Lahesio Bonfim para chamar de seu.


