Cobranças para que Trump torne PCC e CV grupos terroristas vêm de filhos de Bolsonaro, diz NYT
Revista Fórum – Segundo o mais influente jornal dos EUA, Flávio e Eduardo Bolsonaro estariam por trás dessa pauta para ganhar dividendos políticos no Brasil.
Uma reportagem explosiva do The New York Times revelou que o governo de Donald Trump está avaliando seriamente a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo autoridades norte-americanas e brasileiras ouvidas pelo jornal, a movimentação não é apenas uma estratégia de segurança, mas fruto de um lobby direto dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio (PL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro.
A manobra é vista por analistas como uma tentativa de “importar” a influência da Casa Branca para a disputa eleitoral brasileira de outubro. Com Jair Bolsonaro (PT) preso e condenado por tentativa de golpe, Flávio Bolsonaro tenta se consolidar como o principal desafiante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), utilizando a pauta da segurança pública para acusar o atual governo de leniência com o crime organizado.
Interferência na balança eleitoral
A proposta, que circula nos corredores do Departamento de Estado em Washington, acendeu o sinal de alerta na diplomacia brasileira. Existe um receio real de que os Estados Unidos tentem interferir no processo democrático do Brasil para favorecer a família Bolsonaro.
Vale lembrar que, no ano passado, Trump chegou a utilizar ameaças de tarifas e sanções para tentar evitar a prisão de Jair Bolsonaro, seu aliado ideológico. Agora, a classificação das facções como terroristas colocaria o Brasil em um holofote negativo, permitindo que a oposição bolsonarista explore o tema como um “atestado internacional” de falência da segurança sob Lula.
O fator Marco Rubio e a resistência de Mauro Vieira
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é o braço forte dessa pressão. No último dia 8 de março, após uma cúpula conservadora organizada por Trump, Rubio informou ao chanceler brasileiro Mauro Vieira sobre a intenção de Washington e pediu que o Brasil seguisse o mesmo caminho.
Vieira, no entanto, foi categórico: o governo brasileiro não fará tal classificação. O argumento técnico é sólido:
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Ao contrário dos cartéis mexicanos, o PCC e o CV não possuem papel relevante no tráfico para os EUA.
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O foco das facções brasileiras é o envio de cocaína para a Europa e outros continentes.
Uso político de ferramentas de inteligência
A classificação como grupo terrorista permite que o governo norte-americano imponha restrições financeiras severas não apenas às organizações, mas a qualquer pessoa ou empresa associada a elas. Para Flávio e Eduardo Bolsonaro, ter o selo de “terrorismo” aplicado às facções brasileiras pelo governo Trump seria o combustível perfeito para a narrativa de campanha, ignorando que o endurecimento das sanções americanas tem pouco efeito prático no fluxo de drogas que não passa pelo território dos EUA.
O Departamento de Estado americano confirmou que as facções estão “no radar”, mas a decisão final ainda pode ser revertida. Enquanto isso, o clima em Brasília é de vigilância contra o que pode ser uma nova tentativa de Washington de pautar a política interna brasileira a pedido da família Bolsonaro.

