VÍDEO: ‘Deus rejeita orações de líderes com mãos cheias de sangue’, diz Papa Leão XIV
DCM – Durante a celebração do Domingo de Ramos na Praça de São Pedro, em Roma, o Papa Leão XIV criticou o uso da fé como justificativa para conflitos armados. Em discurso direto, afirmou: “mesmo que façam muitas orações, não as ouvirei, pois suas mãos estão cheias de sangue”. Sem citar nomes, a fala foi dirigida a lideranças envolvidas em guerras, especialmente no contexto das tensões no Oriente Médio, incluindo o Irã.
O pontífice mencionou a situação na região, onde comunidades cristãs enfrentam impactos diretos dos confrontos. Ao citar Jesus como “Rei da Paz”, reforçou que a mensagem central do cristianismo não inclui violência. Para ele, ações militares, ainda que defendidas por motivações políticas ou espirituais, não se alinham aos ensinamentos de Cristo.
Leão XIV também comentou o uso de argumentos religiosos por autoridades para justificar operações militares, citando o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth. Segundo o Papa, não há fundamento para legitimar guerras em nome de Deus, e líderes que recorrem a esse tipo de discurso se afastam dos princípios centrais da fé cristã.
Ao abordar o conflito envolvendo o Irã, classificou a situação como “atroz” e mencionou os efeitos sobre a população civil. Ele criticou o uso de bombardeios e outras ações violentas, destacando que tais práticas não podem ser aceitas dentro da tradição cristã. O Papa reiterou sua oposição a qualquer medida que afete a dignidade humana ou comprometa a convivência pacífica.
A fala ocorreu em um cenário internacional marcado por tensões e disputas. Leão XIV reforçou que a Igreja seguirá defendendo a paz e a reconciliação, mantendo posicionamento contrário a qualquer forma de violência.
Addressing thousands of people in St. Peter’s Square, Pope Leo said God “does not listen” to leaders who start wars and have “hands full of blood,” warning Jesus cannot be used to justify conflict.
As the Iran war enters its second month, he renewed calls for a ceasefire. pic.twitter.com/KtsGGClGrM
— Al Jazeera English (@AJEnglish) March 29, 2026
A mensagem foi apresentada como resposta ao uso da fé por lideranças para justificar ações militares. O Papa, que mantém posicionamento contrário a conflitos armados, afirmou que a paz não se constrói com armas, mas por meio de diálogo e respeito. Também declarou que o cristianismo tem como base a busca pela convivência pacífica e que seus seguidores devem atuar nesse sentido.
Na parte final, fez um apelo à comunidade internacional para interromper o uso da força em disputas políticas ou ideológicas. Defendeu a articulação entre governos em favor de soluções pacíficas e reiterou que a guerra não deve ser adotada como resposta. Indicou ainda que a Igreja permanece disponível para mediar negociações e apoiar saídas diplomáticas.
Ao longo do discurso, também criticou o uso de argumentos religiosos para sustentar interesses políticos. Segundo ele, orações não têm validade quando acompanhadas de ações que resultam em violência. Reafirmou que a paz deve orientar decisões em qualquer esfera, seja política, social ou espiritual.

