9 de abril de 2026
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Eleições 2026: disputa para presidente já tem 11 pré-candidatos; veja quem são

BBC – A cerca de seis meses das eleições de 2026, a corrida pelo Palácio do Planalto já começa a tomar forma e conta com pelo menos 11 pré-candidatos oficialmente lançados.

O mais recente a entrar na disputa é o escritor e psiquiatra Augusto Cury, que anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Avante no dia 05 de abril.

Um dia antes, o ex-deputado federal Cabo Daciolo também informou que será candidato novamente, dessa vez pelo Mobiliza, antigo PMN. Em 2018, Daciolo disputou as eleições presidenciais e ficou em 6º lugar, à frente de nomes como Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos).

Cury e Daciolo se juntam a um grupo extenso de pré-candidatos que conta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará seu quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal candidato da oposição e representante do clã Bolsonaro nas eleições.

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em 1° e 2° lugar em pesquisas de intenção de voto do primeiro turno, e tecnicamente empatados em um eventual segundo turno.

Além deles, nomes como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que governaram respectivamente os estados de Minas Gerais e Goiás, estão na disputa. O ex-ministro Aldo Rebelo (DC) também aparece na lista.

Esse quadro, contudo, pode mudar. Até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), novos candidatos podem surgir e outros desistir da disputa.

O primeiro turno das eleições gerais deste ano está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno, previsto para 25 de outubro.

A BBC News Brasil lista quem são os pré-candidatos até o momento à Presidência.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula é um homem branco de cabelos grisalhos. Ele está falando ao microfone. Ele usa um terno azul
Lula tentará seu quarto mandato

Durante a campanha eleitoral em 2022, Lula chegou a dizer que caso fosse eleito, seria “um presidente de um mandato só”.

Mas, nos últimos anos, o petista veio dando sinais de que poderia mudar de ideia.

Em 2025, durante um evento no Rio de Janeiro, Lula foi direto ao dizer que o país poderia “ter pela primeira vez um presidente eleito 4 vezes”.

Meses depois, durante visita a Jacarta, capital da Indonésia, ele confirmou a jornalistas, durante coletiva de imprensa, que iria concorrer a um quarto mandato.

Aos 80 anos, o presidente Lula (PT) disputará sua sétima eleição para presidente. Ele será o candidato mais velho a concorrer em uma eleição presidencial no Brasil e terá Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice.

A confirmação da chapa foi feita no fim de março, durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, em que foi oficializada a saída de 14 ministros do governo para se candidatarem ao pleito em outubro.

Além de atual vice-presidente, Alckmin chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Ele foi exonerado dias depois do anúncio.

A legislação eleitoral prevê que ocupantes de cargos no Executivo, que pretendem disputar as eleições, deixem suas funções até seis meses antes do pleito. A exceção são os cargos de presidente e vice-presidente. Este ano, o limite para a descompatibilização era 4 de abril.

Lula aparece em primeiro lugar em todos os cenários de 1º turno da eleição presidencial, segundo pesquisa mais recente divulgada pela Atlas/Bloomberg em 25/03.

Os percentuais de intenção de voto de Lula variam entre 45,5% e 45,9%.

O desafio do petista contudo, é enfrentar a rejeição. A pesquisa mostra que 52% dos entrevistados não votariam no atual presidente.

Flávio Bolsonaro (PL)

Flavio Bolsonaro é um homem branco. Ele usa óculos e está com um terno cinza e gravata vermelha.
Flávio foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para ser o candidato do PL à presidência em 2026

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro entrou na política em 2002, quando foi eleito para deputado estadual do Rio de Janeiro.

Na Assembleia Legislativa, ele exerceu quatro mandatos até se tornar senador da República em 2018, sendo reeleito em 2022.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto foi lançada em dezembro de 2025, quando ele anunciou ter sido escolhido pelo pai para ser o candidato do PL a disputar a Presidência.

A escolha foi confirmada em nota assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

O anúncio foi feito após semanas de desentendimentos entre membros da família Bolsonaro e da oposição em torno de articulações sobre quem deveria liderar a direita bolsonarista.

Flávio deverá ser o principal candidato da oposição. Ele aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto realizados pela Atlas/Bloomberg, com índices que variam entre 40,1% e 42,4%.

A mesma pesquisa apontou uma ligeira vantagem de Flávio se disputasse o 2º turno com Lula — ele teria 47,6%, e Lula, 46,6%.

Mas, assim como Lula, o filho do ex-presidente também enfrenta alta rejeição. 46,1% dos entrevistados pela pesquisa informaram que não votariam em Flávio Bolsonaro em 2026.

Ronaldo Caiado (PSD)

Caiado
PSD confirmou candidatura de Ronaldo Caiado para presidência

No fim de março, o PSD lancou o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência.

O anúncio foi oficializado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, em uma coletiva de imprensa em São Paulo.

Durante o evento, Caiado fez críticas ao PT, disse que seu objetivo é pacificar o Brasil e defendeu anistia “ampla, geral e irrestrita”.

“O desafio não é ganhar eleição do PT apenas. Isso é fácil: no segundo ele estará batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país”, afirmou.

“Eu vim com esse objetivo, de realmente pacificar o Brasil, ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente. Eu estarei dando uma amostra que a partir dali eu vou cuidar das pessoas.”

Caiado renunciou ao governo de Goiás em 31 de março.

O ex-governador de Goiás foi escolhido pelo PSD após disputar internamente a vaga com os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, que desistiu da disputa na semana anterior ao anúncio.

Horas antes de Kassab tornar pública a decisão do partido, Leite publicou um vídeo nas redes sociais afirmando estar “desencantado” com a decisão da sigla, e que a escolha por Caiado mantinha a “radicalização polarizada” no Brasil.

“Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão”, declarou.

Político experiente com uma trajetória de mais de três décadas, passando pela Câmara dos Deputados e Senado, Ronaldo Caiado já havia lançado sua pré-candidatura em abril de 2025, mas por outro partido: União Brasil.

Na época, ele concedeu uma entrevista para a BBC News Brasil, em que criticou o PT, mas evitou falar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Meses depois, ele sofreu pressões internas para desistir da candidatura e se desfiliou do União. Em janeiro, ele se filiou ao PSD.

Apesar de ter apoiado Bolsonaro em 2018 e em 2022, Caiado se afastou do bolsonarismo durante a pandemia, por defender posições diferentes em relação ao isolamento social, e também ao repudiar os atos golpistas de 8 de janeiro, classificando o ocorrido, na época, como “inadmissível, inaceitável e condenável”.

O ex-governador de Goiás é visto como um dos principais representantes políticos do “agro”. Na pesquisa mais recente da Atlas/Bloomberg, Caiado aparece com 3,7% das intenções de voto no primeiro turno.

Caso a candidatura de Caiado decole, essa não seria a primeira vez que ele disputa a presidência da República.

Em 1989, Caiado concorreu à cadeira do Palácio do Planalto e ficou em 10º lugar, com menos de 1% dos votos.

Romeu Zema (Novo)

Romeu Zema é um homem branco e usa óculos de grau com armação preta. Ele está com uma camisa azul clara que tem uma bandeira de Minas Gerais.
BLOOMBERG VIA GETTY IMAGES

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou sua pré-candidatura à Presidência em agosto do ano passado, durante um evento em São Paulo.

Na ocasião, ele fez críticas a Lula e disse que iria “varrer o PT do mapa”.

Em entrevista à BBC dias antes de se lançar como pré-candidato, Zema admitiu ter afinidade em propostas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que poderia não ter o apoio dele na eleição.

Tanto em 2018 quanto em 2022, Zema declarou apoio a Bolsonaro nas eleições presidenciais.

O empresário mineiro estreou na política em 2018, quando disputou sua primeira eleição para o governo de Minas Gerais.

Ele venceu no segundo turno com mais de 70% dos votos válidos e se tornou o primeiro governador eleito pelo partido Novo. Zema foi reeleito em 2022 com 56,18% dos votos válidos no primeiro turno.

Antes de entrar para a política, Zema atuou por 26 anos como CEO do Grupo Zema, que atua nos mercados de varejo, distribuição de combustível, concessionárias de veículos, serviços financeiros e autopeças. Em 2022, ele declarou um patrimônio de quase R$ 130 milhões.

O ex-governador de Minas Gerais pode ser o terceiro candidato lançado pelo Novo à Presidência.

Em 2018, o empresário João Amoêdo, então presidente do partido, surpreendeu ao terminar o primeiro turno em quinto lugar — com 2,5% dos votos válidos —, à frente de candidatos como Henrique Meirelles e Marina Silva (Rede).

Já em 2022, o Novo lançou o cientista político Felipe D’Ávila, que recebeu 0,47% dos votos válidos.

Zema aparece com intenções de voto que variam entre 3,1% e 3,7%, a depender do candidato escolhido pelo PSD para concorrer ao pleito.

Ele renunciou ao mandato como governador de Minas em 22 de março para ser candidato à Presidência.

Aldo Rebelo (DC)

Aldo Rebelo falando em um microfone
Ex-ministro de Lula, Aldo Rebelo tem se aproximado do bolsonarismo nos últimos

Figura histórica do PCdoB, ao qual foi filiado por cerca de 40 anos, o ex-ministro Aldo Rebelo lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo partido Democracia Cristã (DC) no fim de janeiro.

Durante o evento, fez críticas ao governo do presidente Lula, de quem foi aliado, e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Aldo Rebelo integrou o núcleo político dos governos petistas e comandou ministérios estratégicos nas gestões de Lula e Dilma Rousseff. Mas, nos últimos anos, afastou-se desse campo político e se aproximou do bolsonarismo.

Rebelo chegou a convidar o ex-ministro das Comunicações Fábio Wajngarten, do governo Bolsonaro, para compor sua chapa como vice.

Rebelo é jornalista, foi deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007.

Ele tem entre 0,6% e 0,8% nos cenários da pesquisa Atlas/ Bloomberg.

Em 2022, o DC lançou José Maria Eymael — que usou o nome de Constituinte Eymael para as urnas — como candidato à Presidência. Ele teve 0,01% dos votos válidos.

Renan Santos (Missão)

Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos lançou em janeiro sua pré-candidatura à Presidência pelo Missão, legenda idealizada por integrantes do próprio MBL.

Na pesquisa Atlas/ Bloomberg ele fica entre 4,4% e 4,6% das intenções de voto.

O Movimento Brasil Livre foi criado em 2014 e ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, quando ajudou a organizar protestos de rua contra o governo do PT.

Junto com Kim Kataguiri (União), que hoje exerce o cargo de deputado federal, Santos ficou conhecido por sua atuação nas mobilizações de rua e presença nas redes sociais.

Em 2018, o MBL apoiou a candidatura de Bolsonaro. Em 2022, fizeram campanha pelo voto nulo no segundo turno.

Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro do ano passado, Kataguiri disse que apoiar Bolsonaro em 2026 estava “fora de cogitação” e que Santos seria o representante do movimento.

Samara Martins (UP)

No início de fevereiro, o Partido Unidade Popular (UP) lançou Samara Martins como pré-candidata à disputa pelo Palácio do Planalto.

Samara tem 36 anos, é dentista e vice-presidente nacional do partido. Ela também atua no Movimento de Mulheres Olga Benário e na Frente Negra Revolucionária.

O nome dela não aparece nas pesquisas.

Na última eleição, o UP lançou Léo Péricles como candidato à presidência. Ele obteve 0,05% dos votos válidos.

Hertz Dias (PSTU)

Também em fevereiro, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) lançou a pré-candidatura de Hertz Dias à presidência da República.

Hertz é professor de História da rede pública em São Luís, no Maranhão. Em 2022, ele foi candidato ao governo do Estado e teve 0,15% dos votos (5.191 votos).

Edmilson Costa (PCB)

Em março, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) lançou a pré-candidatura de Edmilson Costa à presidência da República.

Edmilson é doutor em Economia pela Unicamp, com pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma universidade.

Augusto Cury (Avante)

Augusto Cury durante uma palestra
REDE SOCIAL

Augusto Cury é psiquiatra e autor de dezenas de livros, entre eles o best-seller O Vendedor de Sonhos, que em 2009 recebeu o prêmio de melhor ficção pela Academia Chinesa de Letras e foi adaptado ao cinema.

O escritor já havia manifestado nas redes sociais a intenção de disputar a eleição para presidente este ano, mas buscava um partido para se filiar.

No dia 05 de abril, o Avante anunciou a filiação e o lançamento da pré-candidatura de Cury. Em uma publicação nas redes sociais, a legenda afirmou: “O povo brasileiro não aguenta mais essa polarização e é preciso virar essa página com alguém que consiga fazer o nosso país avançar com prosperidade e qualidade de vida para as pessoas!”.

Essa será a primeira vez que Cury disputa um cargo eletivo.

Em uma entrevista à Folha de S. Paulo um dia após o anúncio, o escritor disse que resolveu entrar na política “por não precisar do poder” e que sua candidatura vai até o fim.

“Ela [candidatura] vai até o final. Alguém com o meu currículo e com a minha biografia não deveria entrar no teatro da política, um teatro pantanoso onde há muitas críticas e não poucos haters. E vários líderes que eu conversei, dos mais diversos partidos, falaram ‘doutor Cury, por que você [quer] entrar na política? Você não precisa.’ Porque justamente não preciso do poder, não amo o poder, estou entrando”, afirmou.

Em 2022, o Avante chegou a lançar o deputado federal mineiro André Janones para presidente, mas ele não chegou a oficializar a candidatura e saiu da disputa para apoiar Lula.

Cabo Daciolo (Mobiliza)

Cabo Daciolo no plenário da Câmara dos Deputados
CÂMARA DOS DEPUTADOS

Cabo Daciolo é um bombeiro militar aposentado, pastor evangélico e ex-deputado federal. Ele notoriedade em 2011, quando liderou uma greve de bombeiros no Rio de Janeiro.

Em 2014, ele foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro e exerceu um mandato na Câmara.

No início de abril, Daciolo anunciou sua pré-candidatura à Presidência pelo Mobiliza, antigo Partido da Mobilização Nacional (PMN). Anteriormente, ele havia dito que concorreria ao Senado em 2026.

Esta será a segunda tentativa do ex-parlamentar de chegar ao Palácio do Planalto. Em 2018, filiado ao Patriota, ele terminou a disputa presidencial em sexto lugar, com 1,26% dos votos, à frente de Marina Silva e Henrique Meirelles.

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