11 de abril de 2026
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Criticado, Trump xinga aliados e amplia crise no movimento Maga

247 – Presidente dos Estados Unidos reage a críticas sobre guerra no Irã e amplia tensão com figuras influentes do movimento conservador.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com ataques públicos a críticas vindas de figuras influentes do próprio movimento Maga, ampliando a tensão interna após divergências sobre a guerra no Irã e levantando questionamentos sobre a coesão de sua base política, relata a Folha de São Paulo.

Trump utilizou sua plataforma Truth Social para direcionar insultos a nomes como Tucker Carlson, Megyn Kelly, Candace Owens e Alex Jones, todos associados ao campo conservador e que vinham criticando a postura do governo diante do conflito no Oriente Médio.

Os ataques repetem o estilo que o presidente costuma adotar contra adversários políticos, com termos como “QI baixo”, “pessoas estúpidas”, “perdedores”, “louca” e “falido”, agora voltados a antigos aliados. A reação ocorreu após críticas à condução da política externa, especialmente em relação às ações militares contra o Irã.

Entre os alvos, o ex-apresentador da Fox News Tucker Carlson tem se destacado por sua oposição ao envolvimento dos EUA no conflito. Ele classificou a guerra como “injusta” e “errada”, além de lamentar mortes de norte-americanos. Em declarações recentes, chegou a defender que militares se posicionassem contra ordens presidenciais.

Na resposta, Trump afirmou que esses críticos não representam seu movimento. “O Maga concorda comigo e acabou de dar à CNN uma taxa de aprovação de 100% de ‘Trump’, não a esses tolos que agitam os braços como Tucker Carlson, que nem conseguiu terminar a faculdade, estava destruído quando foi demitido da Fox e nunca mais foi o mesmo”, escreveu.

A jornalista Megyn Kelly também se manifestou contra o presidente. Em um podcast, declarou: “Será que você pode agir como um humano normal? Quer dizer, honestamente, como o presidente”.

Já a influenciadora Candace Owens, que apoiou Trump no passado, classificou sua atuação como uma decepção e defendeu medidas mais drásticas diante das declarações sobre o Irã. “Nosso Congresso e Exército precisam intervir”, afirmou, mencionando a possibilidade de aplicação da 25ª Emenda, que prevê a substituição do presidente em casos de incapacidade.

Alex Jones, descrito como teórico da conspiração de direita, também apoiou a ideia e foi chamado de “falido” por Trump.

As críticas não se limitam a figuras públicas. Usuários da própria Truth Social passaram a questionar o presidente com comentários como “você está claramente insano”, “você está alienando sua base todos os dias” e “Trump é um perdedor”.

Para o cientista político Jonathan Hanson, da Universidade de Michigan, esse cenário indica sinais iniciais de desgaste dentro do movimento Maga. Embora ainda não represente uma ruptura ampla, ele observa o surgimento de inconsistências entre promessas e ações do governo. “Muitas dessas pessoas realmente acreditavam que ele iria evitar se envolver em conflitos no exterior, que ele seria um presidente que traria paz e não iniciaria guerras”, afirmou Hanson.

Segundo o professor, o momento revela “fissuras” especialmente entre influentes vozes da mídia conservadora, enquanto parlamentares republicanos mantêm cautela, em parte por receio de retaliações políticas. Hanson também aponta que parte do campo conservador já começa a avaliar o futuro do movimento além de Trump, sobretudo diante da possibilidade de derrotas eleitorais. Apesar de ainda contar com apoio significativo, o presidente pode enfrentar um enfraquecimento gradual caso sua popularidade continue em queda e o cenário econômico se deteriore.

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