30 de novembro de 2025
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Dois ministros do MA e duas universidades

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Entre 2010 e 2022, quando o IBGE realizou o último Censo Demográfico no Brasil, a taxa de analfabetismo da população indígena caiu de 23,4% para 15,1%. É uma queda significativa, mas ainda alta. Representa mais que o dobro da média nacional, que é de 7%.

Ao contrário de outros problemas sociais enfrentados pelos aborígenes brasileiros, foi na região Norte que o IBGE registrou a maior queda no analfabetismo, cujas taxas ainda variam consideravelmente entre as diferentes regiões e etnias. Contudo, os analfabetos em terras indígenas – nas aldeias – são 20,80% da população, o que significa um enorme desafio específico quando se fala de acesso à educação formal nessas áreas.

Esses dados do IBGE remetem ao reconhecimento do esforço de entidades ambientalistas, pesquisadores e governo federal, com atuação em inúmeras frentes, que resultam no protagonismo dos povos indígenas em sair da invisibilidade para conquistar espaços em diferentes áreas artísticas, culturais, literárias, políticas e econômicas. As políticas públicas voltadas para a educação tornaram-se tão presentes nas comunidades indígenas que o governo Lula não apenas criou um ministério exclusivo dos povos originários como nomeou a maranhense Sônia Guajajara para comandá-lo.

Nesta quinta-feira, 27, Lula assinou decreto criando duas universidades inéditas na América Latina, exclusivas para os povos originários e para os esportes.

Com a criação da Unind e da UFEsporte, o Brasil passará a ter 71 universidades federais, uma das maiores redes de ensino superior público do mundo. A iniciativa também marca um passo histórico na ampliação do acesso à educação superior pública e gratuita, alinhada às prioridades de governo para a promoção da equidade, da inclusão e do desenvolvimento humano em todo o país. Os grupos técnicos interministeriais trabalharão no projeto ao longo de 2026.

São duas áreas que têm tudo a ver com o desenvolvimento social e o respeito à soberania do país, onde ela nunca esteve presente. Trata-se de uma iniciativa que colocará o Brasil em um patamar mais elevado perante o mundo no desenvolvimento da área mais formidável neste século, os esportes, e no reconhecimento do valor cultural e histórico dos ancestrais no continente latino-americano.

De um lado, o Brasil era pejorativamente conhecido não pelo enorme potencial econômico e historicamente explorado, no sentido lato sensu, pelos colonizadores, mas sim como “país do futebol”. Os europeus que saquearam as riquezas brasileiras preferiam a expressão estereotipada de ranço racista como “terra de índio”.

No entanto, a palavra “índio” foi corretamente substituída por “indígena”, por tratar-se de uma generalização pejorativa criada por eles mesmos – os colonizadores – para reduzir a importância da diversidade de povos originários do Brasil.

“Indígena” é um termo respeitoso que significa “originário da terra”, usado para reconhecer as muitas culturas, línguas e identidades que existem nessas comunidades.

Até a Fundação Nacional do Índio (Funai) mudou de nome para Fundação Nacional dos Povos Indígenas, depois que a ciência antropológica reconheceu que a palavra “índio” não passou de um erro geográfico de Cristóvão Colombo que, ao desembarcar na América, achou que chegara às Índias, na Ásia. Portanto, nada a ver com a palavra “indígena” – que representa a pluralidade de originários da terra.

Para Sônia Guajajara, a nova universidade é o resultado concreto dos esforços de professores e professoras indígenas, há décadas batalhando por uma educação pública que não exclua, mas complemente saberes ancestrais produzidos pelos não indígenas. Não é fácil mudar certos desvios culturais, mas vale lutar pela sua retidão.

Vale destacar que, quando o presidente Lula recebeu seu primeiro diploma — o de presidente do Brasil — em 2003, havia 42 universidades federais e 121 campi. Hoje, as federais são 69, duas criadas para 2026, e 314 campi. A Universidade dos Esportes, vale ressaltar, é resultado do esforço do ministro dos Esportes, André Fufuca (PP-MA).

Portanto, colocar a universidade dentro dos esportes significa formação profissional de alto nível, ciência e tecnologia a serviço de uma área fundamental para atletas, técnicos, gestores, cientistas e desenvolvimento de políticas públicas na inclusão social. Fufuca e Lula já podem colocar no currículo algo mais que ficará para sempre na história do Brasil.

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