União Europeia ratifica acordo com o Mercosul após 25 anos de negociações
DCM – O Conselho Europeu ratificou, nesta sexta (9), o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, um marco após 25 anos de negociações. A decisão foi tomada pela maioria dos países do bloco durante uma reunião do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), em Bruxelas.

O acordo ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu e da ratificação por todos os Estados-Membros da UE antes de entrar em vigor. O ministro da Energia, Comércio e Indústria do Chipre, Michael Damianos, classificou a aprovação como “histórica”.
“As decisões de hoje representam um passo histórico para o fortalecimento da parceria estratégica da UE com o Mercosul. Num momento de crescente incerteza global, é essencial que reforcemos a nossa cooperação política, aprofundemos os nossos laços económicos e mantenhamos o nosso compromisso comum com o desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Apesar da aprovação do Conselho Europeu, o acordo enfrenta forte oposição da França, onde agricultores protestam contra o pacto. A França, junto com Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria, se posicionou contra o acordo, enquanto a Bélgica optou por se abster.

O acordo, que visa a redução de tarifas e barreiras comerciais, é considerado estratégico para ampliar a integração entre as duas grandes regiões econômicas. Ele pode impulsionar exportações e investimentos, com o Mercosul ganhando acesso ampliado ao mercado europeu e a UE diversificando suas relações comerciais.
O presidente da França, Emmanuel Macron, já anunciou sua oposição ao acordo, o que tem gerado controvérsia, principalmente no setor agrícola. Agricultores franceses argumentam que a competição com produtos sul-americanos pode afetar suas produções locais.
A principal preocupação é a diferença nas regulamentações ambientais e sanitárias, o que poderia levar a uma concorrência desleal.
O acordo entre a UE e o Mercosul também prevê a criação de um sistema de proteção para setores agrícolas sensíveis. Esse sistema permitirá suspender as preferências tarifárias caso os impactos das importações afetem negativamente as produções locais. No entanto, esses ajustes ainda precisam ser finalizados para garantir que o acordo seja benéfico para ambas as partes.
