Governo Lula deixará a representação da embaixada argentina na Venezuela
Revista Fórum – A diplomacia brasileira considera que já cumpriu sua tarefa ao garantir a inviolabilidade da residência da Argentina durante nove meses.

diplomacia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou à Argentina e à Venezuela que vai deixar a custódia da embaixada argentina no território venezuelano.
De acordo com informações do G1, a diplomacia brasileira avalia que o Brasil “já fez a sua parte” ao garantir, durante os nove meses em que custodiou a Embaixada da Argentina na Venezuela, a integridade dos assessores da opositora ao governo venezuelano, Maria Corina Machado.
“Defendemos a inviolabilidade da residência e asseguramos o atendimento às necessidades básicas dessas pessoas por mais de nove meses, com gestões quase diárias. A oposição venezuelana reconheceu o nosso compromisso e o nosso esforço”, afirmaram fontes da diplomacia brasileira ouvidas pelo G1.
Mas, além de acreditarem que a missão está cumprida no que diz respeito à custódia da Embaixada da Argentina na Venezuela, os diplomatas brasileiros também afirmaram que a decisão representa um recado ao presidente argentino, Javier Milei, que, no dia em que Nicolás Maduro foi sequestrado pelo governo dos EUA, postou um vídeo provocando o presidente Lula.
“A Argentina pediu nosso socorro para garantir a proteção de sua embaixada [em Caracas]. Nós garantimos a inviolabilidade da residência e o atendimento à equipe de Maria Corina Machado durante mais de nove meses. A oposição venezuelana reconheceu nosso compromisso e nosso esforço. É incoerente e injusto, depois disso tudo, o governo Milei vir provocar o Brasil com recados infantis”, declarou a diplomacia brasileira ao G1.
Milei celebra ação dos EUA na Venezuela, provoca Lula e faz sugestão indireta de ataque ao Brasil
O presidente da Argentina, Javier Milei, não só celebrou o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, como também fez uma provocação ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e ainda sugeriu, de maneira indireta, que Donald Trump encampe o mesmo tipo de ação contra o Brasil.
Na madrugada deste sábado (3), aeronaves estadunidenses bombardearam diferentes alvos, civis e militares, em Caracas e outras cidades próximas, e sequestram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa. Não há, até o momento, confirmação sobre o paradeiro do mandatário.
Maduro e sua esposa foram sequestrados por forças dos EUA em meio ao bombardeio ordenado por Donald Trump contra instalações militares e outros alvos, inclusive civis, na capital venezuelana Caracas e outras cidades próximas.
Milei se manifestou sobre o ataque publicando, em suas redes sociais, vídeo de seu discurso na última Cúpula do Mercosul, realizada recentemente no Brasil. O vídeo editado mescla o discurso de Milei afirmando que “saúda a ofensiva de Trump para libertar o povo venezuelano”, classificando o governo Maduro como uma “ditadura”, com imagens de Lula junto ao líder da Venezuela.
O vídeo editado, inclusive, é encerrado com uma foto de Lula e Maduro juntos — uma clara tentativa de Milei de associar Lula ao presidente da Venezuela e, assim, provocar um conflito com escala regional.
Lula condena ataque à Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou na manhã deste sábado (3) sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Forças estadunidenses bombardearam nesta madrugada instalações militares e outros alvos em Caracas e cidades próximas e sequestraram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa.
Em nota divulgada nas redes sociais, Lula condenou os ataques e o sequestro de Maduro, classificando a ofensiva dos EUA como uma “afronta gravíssima”.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu Lula.
“A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, prosseguiu o presidente brasileiro.
Ao condenar o ataque, Lula se uniu a outros países que repudiaram a ofensiva dos EUA e declararam apoio a Venezuela, entre eles Rússia, Irã, Colômbia, Cuba e México.
EUA atacam a Venezuela e sequestram Maduro; entenda
A Venezuela foi alvo, na madrugada deste sábado (3), de um ataque militar de grande escala por parte dos Estados Unidos. Explosões atingiram Caracas e outras regiões do país, incluindo os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, provocando pânico entre a população civil, apagões e danos a áreas próximas a instalações militares.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente que as forças norte-americanas capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o retiraram do país. A declaração foi feita em sua rede Truth Social.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea.”
Trump não informou para onde Maduro foi levado e disse que dará mais detalhes em uma coletiva de imprensa marcada para este sábado.
Até o momento, o governo venezuelano não confirmou a captura de Maduro. Em resposta imediata à ofensiva, Caracas divulgou um comunicado oficial acusando Washington de promover uma agressão militar direta contra o país.
“O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada”, diz o texto. “O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista”, prossegue.
Moradores da capital relataram ter sido acordados por fortes explosões por volta das 2h da manhã. Testemunhas citaram o som constante de aeronaves, tremores em prédios e correria nas ruas. Parte de Caracas ficou sem energia elétrica, especialmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da cidade. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram colunas de fumaça e voos rasantes sobre áreas urbanas.
O governo venezuelano afirmou que os bombardeios atingiram também áreas residenciais e acusou os Estados Unidos de tentar impor uma mudança de regime pela força. Segundo o comunicado oficial, o objetivo da operação seria tomar o controle de recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais. Caracas classificou a ação como uma tentativa de impor uma “guerra colonial” contra uma nação soberana.
