13 de janeiro de 2026
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Brandão terá nova conversa com Lula sobre sucessão MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Neste primeiro quarto do século 21, completado há duas semanas, o PT do Maranhão se aliou a vários partidos nas eleições estaduais, com os quais perdeu entre 2002 e 2006, ganhou em 2010 (com Roseana Sarney) e, dali em diante, todas com a dupla Flávio Dino – Carlos Brandão.

Com Roseana, foi preciso a Executiva Nacional intervir no Maranhão em troca da indicação do vice Washington Oliveira, um petista histórico, quebrando a espinha dorsal do antissarneísmo no PT, por ordem direta de Luiz Inácio Lula da Silva, na época coordenador da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. A aliança rachou o PT, mas colocou o então presidente regional Washington Oliveira como vice-governador.

Pouco adiantou o movimento contrário à aliança MDB/PT, liderado pelo deputado federal Domingos Dutra e o ativista social Manoel da Conceição, que chegaram a fazer greve de fome dentro do plenário da Câmara. Em 2002, o PT lançou a candidatura simbólica de Raimundo Monteiro, em aliança com o PL, PMN e PCdoB. Naquele tempo, o Partido Liberal não aparecia nem de longe como o extremista de direita dos dias atuais, nem o PCdoB tinha a expressão político-partidária adquirida dez anos depois com Flávio Dino. Lula indicou José Alencar (PL) como vice; no Maranhão, José Reinaldo virou governador, e Roseana Sarney e Edison Lobão, senadores, no auge do período sarneísta.

Em 2006, Reinaldo apoiou Jackson Lago (PDT), que perdeu para Roseana no primeiro turno e ganhou no segundo. Naquela eleição, o PT aliou-se ao advogado Edson Vidigal (PSB) e indicou Terezinha Fernandes para vice, obtendo 14% dos votos. No segundo turno, o PT preferiu ficar equidistante do pleito, assim como Vidigal. Roseana Sarney procurou isentar o pai, José Sarney, eleito senador do Amapá, de sua derrota: “Quem perdeu fui eu”. No entanto, recorreu à Justiça Eleitoral, acusando Jackson de compra de votos, o que acabou em sua cassação no TSE, a anulação dos votos e a sua investidura no governo.

A governadora foi reeleita em 2010, colocando o petista Washington Luís como vice, com Dilma Rousseff para presidente, pleito em que Flávio Dino perdeu com a esquerda dividida entre ele e Jackson Lago. Portanto, nesses 26 anos, o PT de Lula tem uma história trepidante na política estadual, situação totalmente oposta à nacional. Embora sendo o único político do Ocidente a ser eleito três vezes em eleições diretas, Lula não conseguiu transformar seus votos em um governador do Maranhão, ou sequer aumentar o tamanho da bancada do PT na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. E nenhum senador.

Hoje, o PT tem um vice-governador, um deputado federal, nenhum estadual e dois prefeitos: Chiquinho Oliveira (Codó) e Thamara Castro (Brejo). Em uma conversa reservada de Felipe Camarão com Carlos Brandão, duas semanas atrás, no Palácio dos Leões, não chegaram a nenhum acordo. O governador propôs a renúncia de ambos para apoiarem a chapa liderada por Orleans Brandão (MDB), com ele disputando o Senado e Camarão com uma vaga garantida na Câmara dos Deputados. A proposta foi recusada, sob o argumento de que sua candidatura aos Leões não tem retorno. Se ele imagina se unir com o prefeito Eduardo Braide, sabe que só o fará mediante acordo do PT nacional com o PSD. Isso não está em cogitação.

Agora, na próxima semana, o governador Carlos Brandão voltará ao Palácio do Planalto para nova conversa com Lula sobre as eleições no Maranhão. O presidente conhece os cenários eleitorais em todos os estados e tem interesse particular na eleição para o Senado. Ele tem relações estreitas com Flávio Dino no STF, hoje com dezenas de deputados enrolados nas emendas pix, inclusive prefeitos e parlamentares do Maranhão. O jogo, portanto, começa a ser jogado nos próximos 60 dias, com o ápice em abril, prazo da desincompatibilização e das batidas de martelo. De Brandão, de Braide, de Lula e dos partidos. Autêntica carpintaria.

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