5 de março de 2026
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Crise do PT impacta sucessão no estado

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A crise instalada no PT maranhense chegou ao Palácio do Planalto como uma encrenca difícil de ser desfeita nos próximos 30 dias, quando terminam os prazos da Janela Partidária para troca de legenda e para desincompatibilização de cargos públicos. Depois da conversa sem resultado, em janeiro, com o governador Carlos Brandão, quando sugeriu o nome do ministro dos Esportes André Fufuca como 3ª via na disputa do Palácio dos Leões no lugar de Orleans Brandão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu ao presidente do PT, Edinho Silva, a missão de desatar o nó cego maranhense, sem prejuízo de sua própria candidatura à reeleição no reduto em que recebeu 72% dos votos em 2022.

Nesta 5ª feira, 05/03, Brandão tem viagem a Brasília, mas não consta agenda com Lula. Ele deve voltar a conversar com Edinho Silva, além de outros compromissos na área dos ministérios com os quais o Maranhão tem parcerias fundamentais para serem realizadas ainda em 2026. A encrenca política maranhense envolvendo o PT/MDB é tamanha que até o ex-ministro José Dirceu pode vir a São Luís em busca de um consenso que reative a aliança vitoriosa de 2022, com Flávio Dino à frente. No mapeamento que o PT realizou sobre a possibilidade de candidatos próprios ou alianças em 16 estados, o Maranhão não aparece, a exemplo do Ceará, com Elmo de Freitas; da Bahia, com Jerônimo Rodrigues; e do Piauí, com Rafael Fonteles. Felipe Camarão parece isolado.

O vice-governador tornou-se um quebra-cabeça até para a experiência de Lula e de Zé Dirceu. No levantamento do PT sobre os estados, não há referência a qualquer nome ligado à sucessão estadual. Significa que há uma corrida acelerada contra o tempo na busca de uma solução, envolvendo também nomes ao Senado. Na órbita lulista estão a deputada Iracema Vale (MDB), o senador Weverton Rocha e o ministro André Fufuca. Para governador, o próprio Orleans Brandão disse esta semana a O Imparcial que sua candidatura chegou ao ponto do não retorno. “Estamos prontos e vamos para cima”, garantiu.

Internamente, o PT maranhense continua com o diretório sob uma comissão provisória, indicada pela executiva nacional, até o dia 27 deste mês. Mas o juiz Márcio Castro Brandão, que havia acolhido um questionamento sobre o Processo de Eleição Direta (PED) realizado em julho de 2025, mudou o voto. Julgou, agora, o mérito e mandou Francimar Melo assumir a direção do partido, juntamente com 18 integrantes da Executiva estadual e 36 do diretório destituído. A decisão é contra o diretório nacional que decretou a intervenção e, se não houver recurso ao TJ-MA, a diretoria eleita tomará posse no dia 15.

Francimar é da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), amplamente majoritária no PT, à qual pertence o presidente Lula e as principais lideranças do partido, inclusive José Dirceu. No Maranhão, esse mesmo grupo também é majoritário no governo Brandão. A fonte dessa confusão interna do PT está num detalhe burocrático, que foi colocado como uma fraude na eleição do PED. Francimar Melo desconta para o partido o valor de R$ 50 mensais, como dirigente, e não 2% sobre a remuneração de cargo comissionado no governo. Seus oponentes pegaram o tal fato e recorreram à Executiva Nacional, que buscou a Justiça.

Agora há uma corrida sem rumo definido. Faltam 29 dias para Brandão decidir o seu rumo e o prefeito Eduardo Braide (PSD), também. O PT espera a ordem de Brasília para saber se vai com Orleans Brandão ou, quem sabe, até se juntar com Eduardo Braide. Ele é pressionado pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, a disputar o governo, quando faltam menos de 30 dias para renunciar ao mandato e passar o cargo à vice Esmênia Miranda. Por sua vez, Brandão quer ficar no governo até o fim, sustentar a candidatura de Orleans e tentar fazer história ao se tornar o primeiro governador a transferir o Poder Executivo a um familiar tão próximo: filho do irmão caçula, Marcus Brandão.

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