21 de maio de 2026
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Roseana tem mesmo o perfil de uma guerreira?

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Ao assumir o cargo de primeira governadora eleita da história do Brasil, em 1994, aos 41 anos, Roseana Sarney sustentou a campanha com o slogan “Novo Tempo”. No discurso de posse, realizado na primeira hora da madrugada de 1º de janeiro de 1995, ela prometeu transformar o Maranhão em um “tigre do Nordeste”. Era uma referência aos chamados tigres asiáticos — China, Cingapura, Taiwan e Coreia do Sul — que batiam recordes de crescimento investindo em tecnologia. Passados 31 anos daquela eleição, em que Roseana se tornou a maior liderança política dos Sarney, com mais três mandatos como governadora, o Maranhão ainda se desdobra para sair do último lugar no ranking nacional de pobreza social.

Roseana ganhou o carinhoso apíteto de “Guerreira” pelas vitórias políticas incomparáveis às de qualquer maranhense ou brasileira e pela capacidade de superação dos obstáculos que enfrentou na saúde. Desde os 19 anos, quando passou pela primeira cirurgia para retirada de um cisto no ovário, Roseana acumula um histórico médico de 27 intervenções, sendo a última, neste ano, relacionada a um câncer de mama. Está recuperada e já reassumiu o mandato na Câmara dos Deputados. Na última terça-feira, 19, o ex-presidente José Sarney reuniu a nata do sarneísmo em sua residência, em Brasília, para trocar ideias e talvez discutir o pré-lançamento de Roseana como candidata ao Senado pelo MDB, sob a presidência de Orleans Brandão.

Se confirmada na disputa pelo Senado, a deputada Roseana, de 72 anos, provocará uma reviravolta na eleição maranhense, obrigando os partidos aliados ao MDB a se reorganizarem diante de um cenário em que o candidato ao governo, Orleans Brandão, já conta como certos os nomes de Weverton Rocha (PDT), André Fufuca (PP) e do aspirante Pedro Lucas (União Brasil). Também circula na mesma faixa do grupo brandonista a deputada Iracema Vale (MDB), presidente da Assembleia Legislativa e muito próxima dos Brandão. Portanto, até Orleans terá de mudar a estratégia do grupo que o articula para disputar o Palácio dos Leões.

Nos bastidores, as informações que insistem em apontar Roseana como pré-candidata ao Senado são reforçadas pela possibilidade de o irmão, Fernando Sarney, ocupar a primeira suplência, em uma articulação montada pelo chefe do clã, José Sarney, que, aos 96 anos, ainda não foi abandonado pela política. O jantar de terça-feira revela que ele continua sendo o principal incentivador e articulador dos alinhamentos partidários em torno da pré-candidatura da filha, na presença do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, do ex-senador Edison Lobão, do governador Carlos Brandão e de Orleans.

José Sarney já afirmou sobre a longevidade de um político no poder: “A política só tem uma porta, a porta da entrada; não tem a porta da saída”. Para além da retórica, ele leva muito a sério as crendices que alimentam seu lado supersticioso quando o assunto é azar: sair sempre pela mesma porta por onde entrou, não rezar para santo de pau oco, não usar carro verde, não guardar cocar e fugir de gato preto. Ele se apega ao fator sorte que o acompanha ao longo de sua trajetória política e literária. Se conseguir ver Roseana eleita senadora em outubro, estaria ele próprio encaixado na máxima que criou: “O político só deixa a política quando é por ela abandonado”.

Como são apenas duas vagas para o Senado e cada candidato ao governo pode apresentar dois concorrentes, pelo menos 12 nomes já estão de prontidão para acompanhar os desdobramentos dessa novela dos Sarney, cujo enredo está apenas começando a ser escrito. Caso Roseana decida disputar o Senado, terá enorme responsabilidade com o MDB, com a família Sarney e com sua própria história de superação. A “Guerreira” não pode decepcionar o desejo do pai de vê-la novamente no Senado Federal, saindo das eleições mais complexas do Brasil e da 27ª cirurgia que encarou de pé no chão e sem esconder nada do público.

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