2 de julho de 2026
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Executivo da AtlasIntel explica por que Lula dobrou vantagem sobre Flávio Bolsonaro

Revista Fórum – Além disso, Yuri Sanches falou também sobre os impactos do caso Jaques Wagner e o vídeo de Michelle Bolsonaro.

presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto para a eleição presidencial, segundo levantamento divulgado pela AtlasIntel. De acordo com a pesquisa, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto em um eventual primeiro turno, enquanto Flávio registra 36,6%, uma diferença de quase dez pontos percentuais — o dobro da vantagem observada em abril.

Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado pela jornalista Marcela Rahal, o analista de risco político da AtlasIntel, Yuri Sanches, atribuiu a ampliação da vantagem do presidente principalmente à repercussão do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo ele, o episódio continua sendo o principal fator de desgaste da candidatura do senador.

“O principal impacto até aqui continua sendo a divulgação do áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro”, afirmou Sanches durante a entrevista.

Dificuldades de recuperação

Na avaliação do analista, a campanha de Flávio Bolsonaro acumulou, nos últimos meses, acontecimentos que poderiam favorecer uma recuperação eleitoral, mas esses movimentos acabaram neutralizados por novos episódios de grande repercussão.

Entre eles, Sanches citou a viagem do senador aos Estados Unidos, realizada antes da decisão do governo norte-americano de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O analista também mencionou a divulgação de um vídeo protagonizado por Michelle Bolsonaro e o anúncio de uma nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo ele, a sucessão desses fatos impediu que eventuais ganhos eleitorais do senador se consolidassem. “Qualquer tipo de recuperação pudesse ser mitigada, neutralizada”, afirmou.

Lula lidera também no segundo turno

Os dados apresentados pela AtlasIntel indicam que Lula mantém vantagem não apenas no primeiro turno, mas também em uma eventual disputa de segundo turno. Nesse cenário, a diferença entre os dois candidatos é de aproximadamente seis pontos percentuais.

De acordo com Sanches, além das dificuldades enfrentadas por Flávio Bolsonaro, medidas recentes anunciadas pelo governo federal contribuíram para preservar a estabilidade eleitoral do presidente.

Jaques Wagner não afetou cenário

Questionado sobre os efeitos políticos da operação da Polícia Federal envolvendo o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, o analista afirmou que a pesquisa não identificou impactos relevantes sobre a candidatura de Lula.

Para Sanches, a principal diferença em relação ao caso envolvendo Flávio Bolsonaro é que a ligação entre o presidente e a investigação é indireta. Além disso, ele avalia que a repercussão do episódio acabou ofuscada por acontecimentos de maior visibilidade nacional, como a Copa do Mundo e a crise envolvendo Michelle Bolsonaro.

Impacto limitado entre eleitoras

Segundo a AtlasIntel, o vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, no qual ela relata desentendimentos com Flávio Bolsonaro, ainda não provocou mudanças significativas no comportamento do eleitorado feminino.

De acordo com Yuri Sanches, as mulheres identificadas com o bolsonarismo continuam majoritariamente alinhadas ao senador e tendem a priorizar o projeto político em detrimento de divergências familiares.

“O vídeo da Michelle não parece ter afetado de uma maneira muito relevante as intenções de voto até aqui”, afirmou.

O maior obstáculo de Flávio

Na avaliação do analista, o maior obstáculo para a campanha de Flávio Bolsonaro está na conquista do eleitorado feminino independente, segmento que atualmente demonstra maior inclinação a apoiar Lula.

Segundo Sanches, a base bolsonarista permanece consolidada, e a disputa eleitoral passa agora pela tentativa de convencer um grupo menor, mas considerado decisivo, de eleitoras que ainda não aderiram à candidatura do senador.

“O desafio é justamente um convencimento de um eleitorado feminino que ainda não está com Flávio Bolsonaro”, concluiu.

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