3 de julho de 2026
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Camarão emparedado entre Orleans e Braide

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A decisão da presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), Iracema Vale (MDB), de disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados confirma a regra de que a política é uma carreira programada para subir, não para declinar. Só a deputada federal Detinha (PL) promete descer um degrau no poder e concorrer à Assembleia Legislativa, com o objetivo de presidi-la. Já Iracema não está sozinha na ideia de buscar um mandato no Congresso Nacional. Seguem o mesmo caminho Fabiana Vilar (PL), Mical Damasceno (Republicanos), Fernando Braide (PSD) e Yglésio Moises (PRD), cada qual com seus trunfos político-eleitorais que os animam a buscar um degrau mais acima na escala do poder legislativo.

Entre os prefeitos municipais, apenas o da capital, Eduardo Braide (PSD), renunciou a mais de dois anos de mandato para disputar o Palácio dos Leões contra o principal concorrente, Orleans Brandão (MDB). Este trocou a Secretaria de Desenvolvimento Municipalista pelo projeto de suceder o tio, Carlos Brandão, no Palácio dos Leões. Atitude idêntica tomou, em 2002, o então prefeito de São Luís, Jackson Lago, do PDT, para disputar o governo do Maranhão, deixando no Palácio La Ravardière o vice, Tadeu Palácio, médico do mesmo partido. Lago perdeu para José Reinaldo Tavares (PFL) no primeiro turno, depois que o TSE cassou a candidatura de Ricardo Murad por ser cunhado de Roseana Sarney.

Iracema, ex-prefeita de Urbano Santos, foi eleita em 2022 com a maior votação para a Alema, 104 mil votos, tornando-se a primeira mulher a presidir o Poder Legislativo em 188 anos. Ao longo de 2026, ela sempre aparecia nas articulações como candidata em potencial à vaga de vice do candidato Orleans Brandão (MDB) ou ao Senado. Os demais deputados estaduais têm seus trunfos: Fabiana Vilar é sobrinha do deputado federal Josimar do Maranhãozinho, uma “fábrica de votos”, fora do pleito de outubro por condenação no STF; Mical Damasceno e Yglésio Moises são partidários do bolsonarismo; e Fernando Braide tem a força política do irmão, candidato a governador, Eduardo Braide.

Ao se dispor a concorrer à Câmara Federal, Iracema explicou sua decisão com a mesma simplicidade que adota nas ações do cargo que ocupa. Desde 2022, ela ganhou uma dimensão política até acima da de seus pares. Soube exercer a presidência com zelo e liderança inabalável entre os 42 deputados da Casa. Na polêmica disputa pela reeleição na Alema com o antecessor Othelino Neto, em votação empatada duas vezes, Iracema manteve a calma até o fim. Hoje, ela sabe que acumulou um capital político muito maior do que o que trouxe do pequeno município de Urbano Santos, onde foi prefeita. Na presidência, preservou excelente relação com o governador Carlos Brandão, com o Poder Judiciário e com as demais instituições.

A movimentação dentro da Assembleia Legislativa é apenas um detalhe de tudo o que envolve as eleições gerais no Maranhão. Enquanto Orleans Brandão define o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Júnior (PRD), como vice, o PT do presidente Lula segue com a candidatura do vice-governador Felipe Camarão coxeando. Os deputados estaduais que o seguem aparecem ao lado de Eduardo Braide, mas com jeitão de quem ainda não se sente totalmente abraçado pelo líder da chapa que hoje polariza com Orleans. O estilo político do candidato do PSD é o de atuar como técnico, árbitro e batedor de pênalti.

Por outro lado, o encontro de Carlos Brandão com o presidente Lula, na quarta-feira (02), em Brasília, tem duas versões: uma diz que houve uma reunião de uma hora e meia entre eles e o senador Weverton Rocha para discutir a política do Maranhão; a outra afirma que Weverton pegou Lula pelo braço e o levou para uma conversa rápida com Brandão, que resultou na foto estampada nas redes sociais. A imagem é sugestiva, mas eles estão em pé, como se fosse um encontro casual no corredor. Mesmo assim, reacendeu o debate sobre dois palanques para Lula no Maranhão: o de Orleans e Weverton, e o de Camarão com Eliziane Gama, candidata à reeleição.

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