5 de julho de 2026
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Nem à esquerda, nem à direita: Maranhão é de centro histórico

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Conhecer a ideologia dos partidos políticos no Brasil tem dado, ao longo do tempo, dor de cabeça para os sociólogos e até mesmo para as lideranças. Quando essa discussão ocorre perto das eleições, como atualmente, as incertezas sobre quem é de direita, de centro ou de esquerda aumentam ainda mais no meio acadêmico. Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o MDB, organicamente, é o maior partido do país, com dois milhões de filiados, seguido pelo PT, com 1,7 milhão, e pelo PP, PRD e PSDB, quase empatados, com 1,2 milhão cada. Como o Brasil é peculiar, há um disparate entre filiados e eleitos na Câmara dos Deputados. O PL tem 97, e a federação Brasil da Esperança (PT-PV-PCdoB), 82 deputados.

Dos 30 partidos registrados no TSE, o Missão, do presidenciável Renan Santos, tem apenas o deputado Kim Kataguiri, e o Novo, do outro presidenciável de direita, Romeu Zema, cinco deputados. Quanto à distribuição da verba de R$ 1 bilhão do Fundo Partidário, o critério segue na mesma direção do Fundo de Financiamento de Campanha, com R$ 5 bilhões neste ano. Quem tem mais deputados leva a maior parte da dinheirama pública despejada nos partidos e nas campanhas, sem qualquer relação com a ideologia de seus filiados e com a linha programática, pouco usada na prática política.

No Brasil, os partidos são distribuídos aleatoriamente, com pouca observância do espectro ideológico. A predominância de esquerda, centro e direita tem tudo a ver com o baixo parâmetro de consciência política, adquirida conforme o nível de escolarização da população. Devido à grande fragmentação, muitas legendas são pragmáticas e focam em negociações governistas, mas a maioria alinha-se às seguintes correntes principais: a esquerda defende maior intervenção do Estado na economia, políticas sociais amplas, justiça social e pautas progressistas. Exemplos: PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB e PSTU.

O centro, que no Congresso Nacional ganhou o aumentativo genérico de Centrão, agrupa as siglas pragmáticas focadas na governabilidade, na distribuição de cargos e transita entre apoios à esquerda e à direita. Nesse universo estão MDB, PSD e Cidadania. Já as legendas PL, União Brasil, PP, Republicanos, Novo e Missão assumem o direitismo ideológico, centrado no liberalismo econômico, na livre concorrência, na redução do tamanho do Estado e em pautas de valores conservadores, com apoio do agro e das igrejas evangélicas. O PL, o Missão e o Novo se misturam com o bolsonarismo extremado, que se deslumbra com as políticas do presidente estadunidense Donald Trump e de outros governos de direita.

No Maranhão, as eleições de outubro estão mergulhadas numa fragmentação ideológica de pouca ou nenhuma visualização sobre os principais candidatos ao Palácio dos Leões. O PL de direita é controlado pelo deputado Josimar do Maranhãozinho, condenado pelo STF e fora das eleições. Não tem candidato. O MDB de Orleans Brandão se movimenta pelo centro sarneísta e pela esquerda lulista-pedetista. Já o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), candidato a governador, é de centro-direita.

Para o PT maranhense, as eleições de 2026 não têm muita diferença das demais. Em 2002, a primeira deste século, o candidato Raimundo Monteiro não passou de 6% dos votos, e José Reinaldo (PFL) foi eleito no 1º turno. Em 2006, foi uma eleição atípica. Roberto Rocha desistiu de concorrer ao governo para reforçar Jackson Lago (PDT), que ganhou nas urnas, mas depois perdeu no TSE. Em 2010, o PT sofreu intervenção para apoiar Roseana, com Washington Oliveira na vice. O PT apoiou Edson Vidigal. A esquerda rachou entre Flávio Dino e Jackson Lago, e Roseana venceu. Em 2014, Dino derrotou Edinho Lobão (MDB), apoiado pelo PT.

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