11 de julho de 2026
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Históricas lutas das mulheres por paridade no poder político

Por Raimundo Borges

O Imparcial – No momento em que as atenções do país se voltam para o que vai sair das convenções partidárias em termos de candidatos e para os eleitos em outubro no Executivo e no Legislativo federal e estadual, poucos estão debatendo a questão de gênero na política. O tema sobre o histórico déficit de mulheres no poder não parece, para muitos homens, ter a importância que de fato tem. Afinal, elas somam 53% do eleitorado brasileiro e ocupam menos de 20% das cadeiras no Congresso Nacional. Nos 26 estados e no Distrito Federal, as governadoras são apenas cinco: Mailza Assis (AC), Celina Leão (DF), Hana Ghassan (PA), Raquel Lyra (PE) e Fátima Bezerra (RN). Mesmo assim, três são vices que assumiram na desincompatibilização dos titulares.

Dos 12 pré-candidatos presidenciais, só Samara Martins, da desconhecida Unidade Popular (UP), de extrema esquerda, está no páreo. Michelle Bolsonaro era cotada como provável substituta do marido, Jair Bolsonaro (em prisão domiciliar), mas acabou “vetada” por ele, que tentou protegê-la de ataques na guerra eleitoral, aos quais ela não estaria preparada, preferindo apontar o filho Flávio, o 01, como representante do clã bolsonarista. Em matéria no UOL sobre gênero, o jornalista Tiago Mali faz uma pergunta inquietante sobre as eleições de 2026: “O Brasil será capaz de superar esse abismo e caminhar rumo à paridade?”

Michelle Bolsonaro era cotada como provável substituta do marido, mas acabou “vetada” por ele, preferindo apontar o filho Flávio.

O Maranhão até que está bem na fita na temática. Elegeu Roseana Sarney, em 1994, como a primeira governadora do Brasil e repetiu o feito por mais duas vezes, além de uma ocasião em que o TSE cassou o mandato de Jackson Lago (PDT), anulou seus votos e colocou a emedebista no Palácio dos Leões. No Judiciário, duas mulheres já o presidiram (Etelvina Gonçalves e Cleonice Freire), e hoje ele conta com 12 desembargadoras em um plenário de 33 cadeiras. Já a Assembleia Legislativa, pela primeira vez em 188 anos, elegeu 12 deputadas em 2022 e, em 2023, Iracema Vale foi a primeira mulher a comandar a Casa, sendo reeleita em 2025.

A desigualdade de gênero faz parte da história do Brasil. O voto feminino só foi permitido em 1932, pontapé inicial da luta que atravessou o século XX e se projetou na Constituição de 1988, que consagrou a igualdade formal entre homens e mulheres. No entanto, a tradução dessa igualdade em cargos políticos segue lenta. Em 2021, a senadora Eliziane Gama conseguiu aprovar no Senado a Frente Parlamentar contra o Desarmamento e também colocar mulheres na Comissão Parlamentar Mista da Covid-19. Lutas assim chegaram até a imposição de cotas de candidatas como exigência na lei eleitoral para os partidos, incluindo também a divisão da verba bilionária do fundo eleitoral nas campanhas.

A senadora Eliziane Gama conseguiu aprovar, em 2021, a Frente Parlamentar contra o Desarmamento

Recentemente, o blogueiro Paulo Figueiredo, neto do último general da ditadura, João Batista Figueiredo, rebateu Michelle Bolsonaro, que pedia mais espaço para as mulheres no PL, com um vídeo bizarro, dizendo que elas “votam muito mal, principalmente as solteiras”. Também dentro do Congresso, grupos de parlamentares de direita se dividem sobre políticas para garantir paridade entre homens e mulheres nas eleições. A maioria das mulheres direitistas é favorável. A maioria dos homens direitistas é contra, assim como em relação às cotas de gênero. As mulheres de esquerda são 100% a favor da política de paridade; as de centro, 94%; e os homens de esquerda, 89%.

Por coincidência, a mesma Roseana Sarney que, em 1994, fez história como a primeira mulher a governar um estado pelo voto democrático agora estaria encerrando a carreira política, desistindo de concorrer à reeleição na Câmara dos Deputados e ao Senado, onde seu nome aparece bem cotado nas pesquisas. Ela passou, em fevereiro, por mais uma cirurgia, desta vez de câncer de mama. Agora, deve desistir das urnas para cuidar dos pais, apoiar a eleição do suplente Hildo Rocha (MDB) à Câmara Federal e permanecer fazendo política na família, abraçando a candidatura da sobrinha Maria Fernanda Sarney na busca de uma cadeira na Assembleia Legislativa do Maranhão. É a política correndo na veia dos Sarney.

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