Roseana dispensa parentes e põe duas vice-prefeitas nas suplências
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Estão no páreo da eleição de senador do Maranhão, com duas vagas em 2026, nove candidatos indicados por coligações, federações e por partidos isolados, os chamados de “avulsos”. O prazo das convenções terminou nesta 5ª feira, 6, e os indicados vão passar pelo filtro da Justiça Eleitoral antes de serem homologados ou, em casos excepcionais, ter o registro da candidatura negado. De um jeito ou de outro, vale anotar que essa eleição reserva algumas pegadinhas e mudanças repentinas de rota a partir do sistema ser alternado a cada quatro anos, na proporção de 1/3 e 2/3, pelo critério de maior votação. Bem diferente, portanto, da eleição de deputados pelo modelo proporcional.
No sistema democrático brasileiro, o senador é o único eleito para oito anos de mandato, contra apenas quatro dos demais mandatários eletivos. O Senado Federal tem a função constitucional de representar os estados e o Distrito Federal, criar, discutir e revisar leis da Câmara, aprovar indicações de autoridades importantes, como ministros do Supremo Tribunal e embaixadores, e fiscalizar as ações do governo. Uma pegadinha na eleição de senador é a figura de dois suplentes eleitos sem voto direto, mas podendo ser titular em casos de licença, renúncia, cassação, afastamento ou morte do titular.
Os suplentes são motivos de polêmica em praticamente todas as eleições gerais. Eles são escolhidos pelos candidatos entre aliados, amigos ou parentes próximos. Por exemplo, a senadora Ana Paula Lobato (PSB) foi a primeira suplente na história do Maranhão a ganhar oito anos de mandato no Senado, após a renúncia do senador Flávio Dino, em 2023, para assumir o cargo vitalício de ministro do STF. Ele foi o senador mais votado de todos os tempos no estado, com 2,1 milhões, e passou apenas escassos 22 dias do mês de fevereiro de 2023 no exercício do mandato. Esta foi uma das pegadinhas polêmicas.
Para definir os nove candidatos a senador, com seus 18 suplentes, os partidos fizeram todo tipo de malabarismo político, longe da vista do eleitorado. A federação União Progressista, que une o União Brasil e o PP, rachou no Maranhão, não indicou candidato a governador, levou apenas André Fufuca à chapa de Eduardo Braide (PSD), para o Senado. Seus suplentes são Fernando Fialho (PSDB) e Sargento Barbosa (PP). O primeiro é sogro do deputado federal Juscelino Filho, presidente regional do partido tucano. O nome de Perla Amaral, esposa do prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral, inicialmente cogitada para a primeira suplência, acabou fora, após rompimento do alcaide com os Brandão.
Outra surpresa na arrumação final da eleição de senador foi a não indicação do empresário Fernando Sarney ou de sua filha Maria Fernanda para suplência de Roseana Sarney. A atual deputada do MDB preferiu escolher duas vice-prefeitas: Valberlene Lopes (de Colinas) e Carol Pereira (de Imperatriz), esta, esposa do deputado estadual Antônio Pereira (MDB), 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa. O desfecho dessa encrencada negociação se deu após Perla ser retirada do jogo pelo marido, Rildo Amaral, eleito em 2024 com apoio total de Carlos Brandão. Mas, em julho passado, ele pulou do palanque de Orleans Brandão para o de Eduardo Braide, puxado por André Fufuca (PP).
No frigir dos ovos, os candidatos a senador são os seguintes: Weverton Rocha e Roseana Sarney (com Orleans Brandão); Hilton Gonçalo (avulso no Mobiliza); Lahesio Bonfim (Novo) e André Fufuca (PP), Eduardo Braide; Eliziane Gama (PT) e Enilton Rodrigues (PSTU), Felipe Camarão (PT); Wilson Leite (PSTU); e Cidônio Gonçalves (PL), com Roberto Rocha (PRTB), o sétimo concorrente ao Palácio dos Leões. Já o PSB, que elegeu, em 2022, Carlos Brandão, Flávio Dino e uma penca de deputados estaduais, agora, dirigido pela senadora Ana Paula, aposta no marido dela, Othelino Neto, para deputado federal.

