O impacto da crise do STF na campanha no MA
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Quando dois parlamentares brigam nos plenários da Câmara e do Senado, normalmente são contidos por colegas da bancada do “deixa disso”. Quando há extrapolação, os brigões vão para a Comissão de Ética que, na maioria das vezes, acaba por nada resolver.
Quando acontecem atritos entre ministros de Estado, o dever do presidente é apontar-lhes o olho da rua, antes de contaminar a imagem do governo. E quando a querela ocorre entre ministros do Supremo Tribunal Federal, fora ou dentro dos autos, quem vai agir para serenar os ânimos? Como eles, por si só, já estão na última instância do Judiciário, não cabe recurso jurídico, nem demissão, muito menos mandar para o Conselho de Ética, que não existe na Corte.
É fato que o nomeado para o STF, presumivelmente, está no emprego mais desejado e mais poderoso do país, até completar 75 anos. Um privilegiado! Flávio Dino trocou os oito anos de mandato no Senado pela toga do STF, tornando-se caso único na história da Corte.
Portanto, a crise que estourou entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça deixou o presidente Edson Fachin numa sinuca de bico e a campanha eleitoral para presidente do país no próximo dia 4 de outubro ainda mais incerta e polarizada entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, preso por Moraes.
No 7 de Setembro, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) não apenas colocou André Mendonça como trunfo de sua campanha, no choque com Moraes, como pela fama de “terrivelmente evangélico” agindo sobre investigações da PF que flagram o opositor Moraes em conversas suspeitas com Daniel Vorcaro, dono do ex-Banco Master, centro do maior escândalo financeiro do país.
Flávio ainda não prometeu todo o plano para os problemas cotidianos dos brasileiros, mas anunciou aos bolsonaristas sedentos por punição a Alexandre de Moraes que, se eleito, vai nomear cinco ministros do STF. Claramente, mostra que, chegando ao Planalto, pode fazer do Supremo Tribunal um Poder subordinado ao Executivo.
Na próxima terça-feira, o ministro Fachin marcou sessão extraordinária presencial, em caráter de emergência. A pauta é a crise inédita no Poder mais importante da República e as decisões a serem tomadas para saneá-la o mais rapidamente possível, como exige a sociedade.
Na reta final da campanha eleitoral, ainda não é possível medir o impacto da crise na disputa da Presidência. No Maranhão, a polarização entre Lula e Flávio tem um peso diferente sobre a mesma situação entre Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide (PSD). Até porque o candidato de Orleans é Lula, do mesmo PT de Felipe Camarão. Enquanto a Braide, ele sequer gasta tempo se ligando ao presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado.
Assim como a crise no STF é novidade histórica no Brasil, dificilmente o eleitor dos grotões vai conseguir interpretar um fato de tamanha magnitude política. Embaraça até os especialistas em sociopolítica. Ainda mais quando não se sabe quais medidas vão sair da reunião do dia 15, faltando apenas 18 dias para as eleições.
O tempo é curto e a democracia tem urgência em transpor mais uma ameaça tão grave no principal Poder institucional. É mais um desafio que a pega de roldão, menos de quatro anos da tentativa de golpe de Estado, orquestrado pelo pai do candidato do PL contra o mandato do atual presidente do Brasil.
Após Edson Fachin marcar a sessão plenária para 3ª feira, Alexandre de Moraes decidiu cancelar o pronunciamento à imprensa, convocado para a manhã desta quinta-feira (10). O gabinete dele não divulgou o tema da fala, mas nos bastidores ninguém tinha dúvida de que seria a defesa pública dele como relator do inquérito das fake news e revelar fatos sobre as investigações no âmbito da crise.
Envolvem mensagens que apontaram uma relação nada republicana entre um ministro do STF e um embusteiro com perfil de gângster. De fato, o STF virou algo como uma rinha de galo, perante uma plateia excitada, gritando por mais sangue.


É lamentável a gente ter que engolir tudo isso,sem sequer espernear.