Como a política do Maranhão se sustenta no sufixo “ismo”
Por Raimundo Borges
O Imparcial – O sufixo ‘ismo’, historicamente usado na língua portuguesa para identificar doutrinas, filosofias, sistemas e várias outras áreas do conhecimento, no Brasil e no Maranhão, ele está dentro da presente campanha eleitoral: Lulismo, bolsonarismo, dinismo, brandonismo, sarneísmo.
Cada um desses sufixos aplicados a uma figura política tem o peso eleitoral equivalente a cada momento histórico. Getulismo no âmbito nacional e vitorinismo na divisa do Maranhão marcaram pontos significativos na história. Assim como o sarneísmo está enfraquecido desde 2014 pelo ciclo de poder do dinismo até 2022.
Em meio à turbulência que sacode as estruturas do Supremo Tribunal Federal e rampeia para os demais poderes, o sufixo ismo perdeu parte de seu significado na campanha presidencial entre o lulismo e o bolsonarismo.
O noticiário que embala a atenção do eleitor e o confunde tão perto das eleições está saindo de dentro do STF, poder que não depende de voto popular como o Executivo e o Legislativo. Mesmo assim, todos os analistas concordam que a avalanche do STF, movimentada pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, tem força suficiente para tumultuar as eleições e entortar as estruturas da democracia.
O bolsonarismo tenta empurrar a crise para o palanque do lulismo que, por sua vez, procura fazer o mesmo, devolvendo a enxurrada para o adversário. No Maranhão, o dinismo do ministro Flávio Dino, do mesmo STF em crise, enfrenta o brandonismo de Carlos Brandão e do sobrinho Orleans Brandão, candidato a governador.
Como ele vem trocando de posição na liderança das pesquisas eleitorais com o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), nada indica, até aqui, que haja favoritismo absoluto na corrida ao Palácio dos Leões. A única certeza é que, entre o dinismo e o brandonismo, o primeiro está numericamente perdendo.
Caso Eduardo Braide ganhe a disputa do governo maranhense, surge o braidismo, que já vem de dois mandatos na Prefeitura de São Luís. Ele não representa um bloco político de poder, mas terá o ismo personificado em sua figura leve e solta. Quando o tema é eleição de senador, novamente, o sufixo ismo é destaque e entra forte.
O candidato do PL, Cidônio Gonçalves, assumiu o bolsonarismo no Maranhão, com direito à indicação de Flávio Bolsonaro. Lahesio Bonfim, candidato na chapa de Braide, tido como bolsonarista, engoliu em seco. Já Josimar, inelegível, manda no PL, não é bolsonarista e tem quatro familiares na campanha.
O sarneísmo é representado por Roseana Sarney na disputa do Senado. Nas pesquisas, ela aparece na frente das intenções de voto, concorrendo pelo MDB de Orleans Brandão. Já o dinismo foi sufocado pelo brandonismo e deixou apenas a história de três eleições que marcaram a história do Brasil.
Agora o Maranhão está na encruzilhada de substituir o dinismo pelo brandonismo ou assistir ao surgimento do braidismo, já que não há sinal de que o lulismo com Felipe Camarão consiga quebrar esse bilateralismo do mesmo trinco político, mas ideologicamente, sem qualquer ideia central que o manteve de pé.
Como o sufixo ismo tem origem no grego antigo e significa “tomar o partido de”, no Maranhão e no Brasil, tem sido mais cíclico do que como corrente ideológica ou doutrina de longa duração, como o marxismo, liberalismo, socialismo ou partidarismo. Não representa corrente de pensamento, modelo de organização social, com espectro político de oportunismo.
Os ciclos têm duração enquanto perduram lideranças com capacidade de não sucumbir. No Maranhão, o sarneísmo foi o sistema que mais durou na história de meio século e ainda tenta se sustentar na figura da mais legítima representante do sarneísmo: Roseana Sarney.

