Desembargador maranhense é alvo da PF no TRF-1 em Brasília
Magistrado do TRF-1 foi juiz auxiliar de Kassio Nunes Marques e é citado em conversas sobre o Banco Master.
O desembargador federal Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), é alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (24/9), por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ex-juiz auxiliar de Kassio Nunes Marques, ele aparece em mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e é apontado como integrante da chamada “Turma do KN”.
A investigação desta quinta-feira colocou sob escrutínio a relação do magistrado com Kassio e a interlocução com Vorcaro.
Newton está no TRF-1 desde 2023, mas a relação com Kassio é anterior. Ele foi juiz auxiliar do ministro quando Kassio ocupou a vice-presidência do tribunal, entre 2018 e 2020.
Carreira no Judiciário
- Natural de São Luís (MA), Newton Ramos tem uma trajetória de mais de duas décadas na magistratura e no meio acadêmico.
- Formado em direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), ele ingressou na Justiça Federal em 2005 e passou por diferentes funções no Maranhão e no Distrito Federal antes de chegar ao TRF-1.
- O magistrado também ocupou cargos na Associação dos Juízes Federais do Brasil da 1ª Região (Ajufer), tendo sido vice-presidente e presidente da entidade entre 2014 e 2018.
- Na área acadêmica, tem mestrado em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorado em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
- É professor adjunto da UFMA e autor de livro sobre poderes do juiz no processo civil.
- Newton também participou de eventos jurídicos, como o Fórum de Lisboa, ao lado de autoridades e ministros do STF.
Contrato de R$ 427 milhões
O Metrópoles revelou, na segunda-feira (21/9), na coluna de Andreza Matais, que a Polícia Federal encontrou um contrato de advocacia de R$ 427 milhões com a chamada “Turma do KN”. O acordo previa o pagamento em caso de êxito em 12 ações de interesse de Daniel Vorcaro nos tribunais superiores.
Os processos poderiam destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios. Segundo as mensagens analisadas pelos investigadores, a sigla “KN” fazia referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.
O contrato e as conversas integram o HD encaminhado pela PF ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master, em julho. Na última semana, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes pediram acesso à íntegra do material, diante de questionamentos sobre a análise das mensagens. Mendonça nega ter direcionado a investigação.
As mensagens também mostram que pessoas ligadas a Vorcaro se referiam ao desembargador federal Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e à mulher dele, a advogada Camilla Ramos, como integrantes da “Turma do KN”. Conforme revelou a coluna de Andreza Matais, Newton mantinha contato com Vorcaro e repassava pedidos atribuídos a Kassio, como uma solicitação de hospedagem no hotel Fasano.

