25 de setembro de 2026
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Eleição no Senado começa definir os favoritos no MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A disputa pelas duas vagas de senador do Maranhão faz uma mistura ideológica no cenário em que se movimentam bolsonaristas, lulistas, braidistas (de Eduardo Braide) e Brandonistas (de Orleans Brandão). Os palanques dos três candidatos que seguem na frente da corrida eleitoral nos âmbitos nacional e estadual estão ideologicamente irreconhecíveis.

Os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entraram firmes no horário eleitoral, cada um mostrando com quem está. O filho do Jair Bolsonaro fez comício no estacionamento da loja Havan, em São Luís, do empresário mais bolsonarista do Brasil, enquanto Lula avalia vir ao Maranhão somente na hipótese de segundo turno.

O bolsonarismo sustenta a candidatura de Roberto Rocha (PRTB) ao Palácio dos Leões que, embora indeferida pelo TRE-MA, mas a campanha continua sem alteração, por embargo da banca do advogado Ted Anderson e, usufruindo de todos os direitos dos demais concorrentes, até a decisão do TSE.

Para o Senado, Flávio Bolsonaro declara apoio ao agropecuarista de Açailândia, Cidônio Gonçalves (PL) e também ao médico Lahesio Bonfim (Novo), bolsonarista assumido, candidato na chapa de Eduardo Braide (PSD), ao lado de André Fufuca (PP), até abril, ministro do governo Lula na pasta dos Esportes.

Os paradoxos ideológicos não param nos dois principais palanques ao Leões. Do lado de Eduardo Braide, ele ignora o concorrente a presidente da República, Ronaldo Caiado, de seu PSD. Não há qualquer previsão de ele vir ao Maranhão e, também, nenhum candidato de seu partido o lembra na campanha.

No entanto, a corrida ao Senado põe o bolsonarismo no palanque de Braide com Lahesio Bonfim e no de Roberto Rocha, com Cidônio Gonçalves, que Flávio Bolsonaro o classificou “como único nome oficial da direita no Maranhão”. Em sua passagem por São Luís, também declarou apoio a Lahesio, que estava em compromisso de campanha com Braide, em Riachão.

Já o lulismo também alastra sua influência esquerdista nas campanhas de Felipe Camarão (PT), de Orleans Brandão (MDB) e do PSOL, que retirou seu candidato ao Governo para apoiar o PT, na troca de indicar o engenheiro florestal Enilton Rodrigues ao Senado.

Ele faz parceria com a senadora Eliziane Gama, amplamente apoiada pelo presidente Lula, que a apresenta aos eleitores como “senadora do coração, de uma trajetória política construída nas bases populares, parecidas com as minhas”. Ela é formada em jornalismo, foi deputada estadual duas vezes, deputada federal e senadora eleita em 2018.

A chapa de Orleans ainda mistura o PDT do senador Weverton Rocha, candidato à reeleição, e Roseana Sarney, com longa trajetória política no Maranhão – governadora por quatro vezes -, senadora e deputada federal, sempre alinhada com o lulismo. José Sarney, seu pai, tem uma relação trepidante com os Bolsonaro.

Em 2019, ele e FHC teceram duras críticas a Bolsonaro como presidente, pelo risco de provocar caos institucional e sanitário no país, sobre a postura antivacina na pandemia da Covid-19. Mas, em 2018, no segundo turno, Bolsonaro procurou se aconselhar com Sarney e pedir apoio do MDB. Historicamente, ele adota o perfil conciliador como arma para solucionar conflitos – e nunca o contrário.

Já o petista Felipe Camarão é o candidato que não tem mistura política no palanque. Para o Senado, não buscou ninguém bolsonarista do Centrão desfaçado. Sua candidatura, que aparece em 3ª posição na corrida ao Governo, fez aliança com duas federações e o PSB, sem agregar aproveitadores improvisados na campanha.

Felipe não é um político profissional, é professor e procurador federal, de longa relação com a esquerda, desde quando ingressou no governo de Flávio Dino, de quem foi aluno no Curso de Direito da UFMA. No começo deste mês, ele declarou que o “país merece ver Flávio Dino disputando a eleição presidencial de 2030”, a quem chamou de “uma joia da República”.

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