Braide é eleito governador com mais de 54% dos votos na eleição mais dramática
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Eleito governador do Maranhão com mais de 54% dos votos, o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), 50 anos, acaba de marcar ponto relevante na história da política, enfrentando uma campanha dura contra o estreante em eleição, Orleans Brandão (MDB), 31 anos. Ele recebeu 34,52% dos votos, lançado e apoiado pelo tio governador Carlos Brandão, em exercício do mandato até 31 de dezembro. Braide é um caso raro na política estadual desde quando se elegeu prefeito de São Luís em 2020 e reeleito em 2024 com mais de 71% dos votos, totalmente desligado de grupo federal, estadual ou municipal.
Nos seis anos de mandato como prefeito, Braide administrou São Luís com as relações conflituosas perante a Câmara de Vereadores, onde teve ampla maioria contra. E também governou a capital com um plano de realizações que caíram no gosto da população, sem nunca partilhar um projeto sequer com o governador Flávio Dino até 2022. Com Carlos Brandão, ele também não quis aproximação, assim como sua relação com os dois anos de governo de Jair Bolsonaro e, em seguida, com Luiz Inácio Lula da Silva. Ele se manteve longe dos bolsonaristas como prefeito, do PT e do MDB dos Brandão/Sarney.
Em 2026, se manteve distante do debate sobre candidaturas ao Palácio dos Leões, até o último dia de prazo de desincompatibilização, 1º de abril, quando anunciou a candidatura e renunciou, no dia seguinte, renunciou ao mandato perante a Câmara Municipal, passando o cargo à vice, Esmênia Miranda, uma professora da rede pública e policial militar. Braide a manteve como vice em 2024 sem consultar ninguém e sem pressão de partido ou de grupo, exatamente por não fazer política agrupado.

Fufuca e Lahesio
Para o Senado, a chapa de Braide fez os dois senadores André Fufuca, ex-ministro dos Esportes de Lula, e Lahesio Bonfim, seguido por Roseana Sarney, que ficou em terceiro lugar, numa empreitada marcada por um tratamento de câncer e tida como arriscada para o nome que ela tem no cenário político. As pesquisas saíram desmoralizadas, ao colocar Roseana sempre em primeiro lugar das intenções de voto. Lahesio disputou o governo do Maranhão em 2022 e ficou em segundo lugar, atrás de Carlos Brandão. Os dois senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama (PT) foram derrotados no rescaldo de dois episódios recentes: Ele tem processo nos rolos do INSS e ela foi atingida por uma campanha de redes sociais até o meio evangélico, de pouca informação a respeito dos motivos.
Para a Câmara dos Deputados, o deputado Pedro Lucas (União Brasil) foi o mais votado, seguido de Iracema Vale e Vinícius Ferro, Fabiana Vilar e Aldir Júnior (dois sobrinhos de Josimar do Maranhãozinho). Pedro Lucas quase repetindo 2022, quando ficou em segundo lugar, atrás de Detinha Maranhãozinho. Para a Assembleia Legislativa, a deputada mais votada foi Maedja Campos (PDT) – esposa do prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos, e Paulo Casé (União Brasil, irmão de Pedro Lucas, secretário de Brandão). Dos atuais 42 deputados estaduais, 14 foram reeleitos.
Jogada de craque
Ele só decidiu disputar o governo depois que Carlos Brandão também decidiu o contrário: lançar o sobrinho Orleans Brandão, de 31 anos, sem nunca haver participado de uma eleição. Com a experiência política, diante de uma gestão municipal com alto nível de aprovação em São Luís, Braide viu que era o momento de oficializar a candidatura, apontada nas pesquisas com possibilidade de vencer. Ele aproveitou o racha do grupo governista de Flávio Dino, que tinha lá atrás um acordo de apoiar o vice-governador Felipe Camarão em 2026.
Como a divisão do grupo dinista ficou irreversível, o PT também novamente entrou em parafuso no Maranhão, com a maioria no governo Brandão e apoiando Orleans, e a sobra ficou com Felipe Camarão, historicamente ligado a Flávio Dino, de quem foi aluno no Curso de Direito da UFMA, e depois secretário de Educação por sete anos. Braide foi que ou disputaria agora o governo ou perderia a chance de chegar ao Palácio dos Leões – uma empreitada bem planejada, desvinculada de esquerda e de direita, mas com um centro mais à direita desde a vice Elaine Carneiro, do agro, Lahesio Bonfim, do bolsonarismo e Fufuca, do lulismo.
Uma história incrível
A disputa pelo Palácio dos Leões pode resultar em confronto histórico que acabou ontem, desmoralizando a maioria das pesquisas que apontavam segundo turno entre Eduardo Braide (PSD) e o primo Orleans Brandão (MDB). Braide foi eleito como terceiro ex-prefeito da capital a ser governador pelo voto direto. Um caso único. Estará no Palácio dos Leões, separado apenas por um muro do Palácio La Ravardière (sede da prefeitura), onde despacha a sua vice Ismênia Miranda, como titular do cargo até 2028 e com direito à reeleição.
O primeiro prefeito eleito de São Luís foi Epitácio Cafeteira, em 1965, tornando-se adversário ferrenho do governador José Sarney, eleito no mesmo ano. Em 1986, os dois fizeram as pazes e Cafeteira foi eleito governador, apoiado pelo presidente da República que dantes era o maior adversário. Depois foi Jackson Lago, único a ser eleito três vezes prefeito da capital, sempre em oposição ao grupo Sarney. Em 2006, foi eleito contra Roseana Sarney que, porém, cassou no TSE o seu mandato por compra de voto.
Por sua vez, João Castelo fez o caminho inverso. Foi o último governador indireto (1979-82), indicado pela ditadura, e, em 2012, eleito prefeito da capital. Já Ivar Saldanha foi prefeito de São Luís duas vezes e uma como governador, mas todas as situações sem voto popular. Pedro Neiva também foi prefeito de São Luís na ditadura do Estado Novo, entre 1937-45, e, em 1970, governador biônico do Maranhão, indicado por José Sarney, com o apoio dos generais militares.

