Braide desponta como maior liderança no MA
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Na história das guerras, as escaramuças ocorrem em pequenos confrontos militares isolados ou de fronteira. Na política, porém, elas são circunstanciais e estratégicas em confrontos. Os resultados das urnas do dia 4 trouxeram ao Maranhão uma nova realidade no topo do quadro político.
Em uma só votação, a eleição de Eduardo Braide enterrou o que restava do dinismo, terminou o sarneísmo e abafou o nascimento do brandonismo. Dos deputados ligados ao ministro Flávio Dino, só escapou Márcio Jerry; de sobrenome Sarney, Roseana era a única na busca do renascimento no Senado; e os Brandão estão apagando a luz.
De quebra, até o resquício do pedetismo de Jackson Lago, representado pelo senador Weverton Rocha, foi pro brejo. A escaramuça política de Eduardo Braide o colocou sozinho na liderança do Maranhão, em situação parecida com a de José Sarney em 1965, quando devastou a oligarquia vitorinista, do cacique Vitorino Freire. Com 121 mil votos, Sarney chegou a 53,63% do total apurado. Por sua vez, Eduardo Braide obteve 2,104 milhões de votos – 54,02% dos válidos.
Tanto um quanto o outro passaram pela Câmara dos Deputados, mas Braide foi também prefeito de São Luís reeleito, cuja gestão o projetou para o restante do Maranhão, sendo o mais votado em 130 dos 217 municípios.
Sarney derrotou Vitorino Freire, figura central da política maranhense após o fim da Era Vargas, sendo apoiador do regime militar de 1964. Mas o seu legado foi dissolvido pela forte liderança do novo governador, também respaldado pelo marechal Castelo Branco.
Até 2006, quando Jackson Lago venceu Roseana Sarney, todos os governadores eleitos e indiretos (exceto Nunes Freire) passaram pelo crivo de Sarney. Sob o slogan de “Maranhão Novo”, ele iniciou uma trajetória única na história do Brasil, a ultrapassar até o mandato de cinco anos conquistado na transição do regime militar para a democracia, como presidente no Planalto. São as escaramuças da história rompendo os seus próprios limites.
Também Eduardo Braide é eleito num dos momentos mais cruciais da política brasileira, com reflexos diretos nos estados. O PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está chegando aos 20 anos de mando no Palácio do Planalto. Ele concorre ao segundo turno contra Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que, além de defensor do golpe de Estado de 1964, também articulou outro nos mesmos moldes, mas atualizado com as tecnologias, entre 2022/2023.
Em 1964, João Goulart foi deposto por um golpe militar/civil; em 2026, a Carta Magna de 1988 está em pleno vigor, mas o bolsonarismo defendendo o militarismo para uma sociedade visivelmente “antissistema” e atingida pela extrema-direita.
É nesse cenário que Braide surge com liderança capaz de executar, sem embaraço, o seu plano de “Transformar o Maranhão”, sintetizado em 26 páginas apresentadas à Justiça Eleitoral, com 55 propostas articuladas em dez eixos: Combate à Pobreza; investir na Saúde, na Educação, no Desenvolvimento Econômico; geração de Emprego e Renda; Infraestrutura, Saneamento e Sustentabilidade; Segurança e Proteção; Gestão Eficiente, Turismo, Cultura e Patrimônio; Meio Ambiente e Mudanças Climáticas; Regularização Fundiária e Habitação. A redução do ICMS para atrair empresas, ele tem dado toda ênfase desde a campanha.
Os dois senadores eleitos na chapa de Braide – André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo) – representam espectros ideológicos conflitantes, mas nenhum com postura radical. Fufuca foi ministro dos Esportes do governo Lula, enquanto Lahesio é considerado bolsonarista.
No entanto, o novo governador promete escolher uma equipe sem interferências. Vai priorizar capacidade técnica, com participação expressiva de mulheres, além de reduzir o tamanho da estrutura do governo, com fusão e extinção de secretarias com funções repetidas. Enquanto isso, não pretende, no primeiro momento, anunciar quem apoia na disputa presidencial.

