9 de outubro de 2026
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Derrota de Roseana acabou com o sarneísmo do pai

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Desde 1954, quando José Sarney ficou como suplente de deputado federal (sendo eleito em 1958 e 1962, e governador em 1965), até hoje, 2026, é a primeira vez que a eleição acabou sem eleger um único sobrenome Sarney. Portanto, o sarneísmo, que se tornou o sistema político maranhense mais longevo do país, com expansão para a capital federal e o Amapá, acabou de acabar.

“É uma página virada”, no dizer da cientista política Arleth Borges, uma das maiores pesquisadoras dessa temática na Universidade Federal do Maranhão. A deputada federal Roseana Sarney perdeu a vaga no Senado para a tradição eleitoral do “voto casado” na mesma chapa – desta vez, Lahesio Bonfim e André Fufuca, com Eduardo Braide (PSD).

O MDB do Maranhão, que Roseana passou o comando em 2023 para os Brandão, no entanto, continua uma legenda muito forte. Em 2024, elegeu 37 prefeitos, contra 40 do PL, e, no último dia 4, colocou 17 deputados na Assembleia Legislativa e cinco na Câmara dos Deputados.

Dos eleitos federais, Hildo Rocha é considerado o único sarneísta da gema, mas foi eleito por seus esforços pessoais. Desde a eleição de 2022, quando ficou suplente de Roseana e assumiu por períodos prolongados, ele trabalhou duro. Logo, o MDB voltou a ser o partido mais forte no Maranhão, mesmo tendo o seu candidato Orleans Brandão perdido a disputa do Palácio dos Leões para Eduardo Braide.

A derrota de Roseana foi notícia na imprensa nacional em razão do sobrenome que carrega. Obviamente que ela faz parte da história política do Maranhão, como deputada federal em 1990, governadora por três mandatos, senadora e novamente deputada federal em 2022. Ganhou o apelido de “Guerreira” pelas vitórias intercaladas de atropelos na saúde, desde 1973, quando, aos 19 anos, removeu um apêndice e um cisto ovariano.

Entre 1977 e 1979, ela passou por mais duas cirurgias de ovários. Em junho de 2009, Roseana Sarney realizou a 21ª cirurgia, para correção de um aneurisma cerebral. Em fevereiro deste ano, se submeteu a uma cirurgia para retirada de um tumor de mama e voltou à política.

Assim como a campanha de governadora para o segundo mandato em 1994, quando só pôde aparecer nos comícios em imagens e vídeos, este ano Roseana preferiu fazer uma campanha retraída e cautelosa, utilizando mais as redes sociais e o horário de propaganda gratuita.

Até políticos próximos da família Sarney chegavam a comentar que a eleição da “Guerreira” estava fadada à derrota, por vários fatores circunstanciais. Em 2014, quando Flávio Dino derrotou o candidato dela, Lobão Filho, no primeiro turno, o sarneísmo sofreu o maior golpe em décadas. Antes, em 2006, Jackson Lago já havia ganho dela, apoiado por José Reinaldo, embora perdendo depois no tapetão do Tribunal Superior Eleitoral.

No entendimento da cientista política Arleth Borges, o sarneísmo acabou de uma vez por todas nas eleições deste ano, mas as práticas que o sustentaram persistem, mesmo levando-se em conta as mudanças transformadoras no mundo tecnológico com suas interferências na vida do eleitor e na política.

De fato, as mídias digitais têm enorme poder de agir numa eleição da importância das realizadas no Brasil, maior democracia do mundo ocidental, dominada pela engrenagem partidária de 30 legendas e uma história de oligarquias resistentes em vários estados. No Maranhão, o voto de cabresto saiu das mãos dos cabos eleitorais e passou ao controle direto das famílias políticas municipais que se revezam e se expandem.

Desde quando o pinheirense José Ribamar de Araújo Costa reduziu o registro político para apenas José Sarney, a história passou a ser contada de outro jeito no Maranhão e no Brasil. O novo nome teria surgido por ação do avô paterno José Adriano, que leu o nome “Sarney” no tradicional Almanaque de Bristol de 1901 e decidiu pô-lo no filho primogênito — que se tornou Sarney de Araújo Costa, pai do ex-presidente.

No início da carreira política, José Ribamar ficou conhecido como “Zé do Sarney”. Por sugestão do poeta Bandeira Tribuzzi, guru intelectual da geração de José, teria sugerido que adotasse José Sarney como nome eleitoral. E assim ficou na história mais robusta de um político brasileiro, que deu origem ao sistema sarneísta.

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