10 de outubro de 2026
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Campanhas de Lula e Flávio ainda sem comando no MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O cenário da eleição presidencial no segundo turno no Maranhão permanece com o palco vazio de protagonistas locais. O governador eleito Eduardo Braide (PSD) não assumiu um dos lados, nem o governador atual Carlos Brandão fala a respeito.

A primeira manifestação sobre a campanha não saiu de iniciativa dos políticos eleitos ou derrotados, mas dos universitários da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), em passeata, 5ª feira, até o centro histórico de São Luís. O movimento estudantil foi um dos maiores já vistos ultimamente na cidade. Os petistas eleitos ou derrotados não se envolveram, nem o vice-governador Felipe Camarão, por sinal, professor do Curso de Direito daquela instituição.

Mesmo eleitos para o Senado, circunstancialmente, na chapa de Eduardo Braide (PSD), o deputado federal André Fufuca (PP) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) mantêm-se em campos opostos.

Enquanto Fufuca declara apoio ao presidente Lula, de quem foi ministro dos Esportes e cujos feitos usou para ganhar votos, Lahesio se vangloria da vitória, promete marchar ao lado de Flávio Bolsonaro e dispara vingança rumo ao Supremo Tribunal Federal, com pontaria em Flávio Dino. “Agora, estou indo atrás de vocês”, assim mesmo no plural, o que significa apontar para mais de um alvo no STF.

Até meados de junho, Fufuca era totalmente aliado de Orleans Brandão, quando decidiu pular para o barco do candidato Eduardo Braide, num movimento calculado que acertou na mosca e lhe garantiu oito anos no Senado Federal.

O curioso é que o presidente da Federação União Progressista (UB-PP), Antônio Rueda, já declarou “apoio incondicional” a Flávio Bolsonaro. Pelo lado do PT maranhense, o sentimento, a estas alturas, é de um futuro totalmente nebuloso a partir de 2027, tanto no âmbito estadual, com a perda de quatro secretarias no governo Carlos Brandão, quanto no federal, na eventual derrota de Lula no dia 25.

Por sua vez, o governador eleito Eduardo Braide dá prioridade à formação da equipe de transição e à definição dos secretários de sua administração. Tem o plano de governo com as diretrizes traçadas e como vai cumpri-las com uma equipe técnica, indicada sem interferências, como é o seu modo de ser governo.

Carlos Brandão já indicou o secretário da Casa Civil, Sebastião Madeira, para coordenar a transição pelo lado do governo. Braide não decidiu apoiar Lula ou Flávio, como, aliás, foi a sua postura no primeiro turno. Apenas indicou que pretende governar e fazer parcerias com qualquer um que for eleito para a Presidência.

A luta pela reeleição de Lula chegou às ruas em todo o país pela força do movimento estudantil, que há anos estava travado nos campi universitários. Depois da passeata de 5ª feira da Ufma ao Centro Histórico, ontem foi a vez de a Uema e os movimentos culturais saírem às ruas da capital maranhense.

O senador Wellington Dias manteve, 5ª feira, reunião com o PT do Maranhão e membros do PSB e do PCdoB para traçar estratégias de mobilização nas redes sociais e nas ruas. Não estavam Felipe Camarão e a deputada eleita Cricielle Muniz, apenas Luanna Rezende. É provável que Lula venha ao Maranhão, onde venceu em 211 municípios com 2,566 milhões de votos, contra 1,239 milhão de Flávio Bolsonaro.

O jogo no Maranhão está na seguinte situação: Lula tem um senador eleito, e Flávio também um. Lula recebeu mais do dobro de votos no 1º turno em relação ao adversário. Nenhum tem o governador eleito.

Os partidos do Centrão estão com Flávio, inclusive o MDB de Orleans Brandão, que, por aqui, foi o que mais elegeu deputados estaduais e federais: 17 na Alema e cinco na Câmara, contra três federais do PL, porém, sendo dois sobrinhos de Josimar do Maranhãozinho, que não é bolsonarista. Resumo: Lula vai tentar aumentar a votação na direita não bolsonarista e no centro, enquanto Flávio buscará não perder nada do que ganhou no 1º turno.

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