Eliziane diz que aprovação da PEC da escala 5×2 foi uma vitória da sociedade
Por Raimundo Borges
Com os votos dos três senadores do Maranhão – Weverton Rocha (PDT), Ana Paula Lobato (PSB) e Eliziane Gama (PT) –, o Brasil viveu um dia histórico nesta quarta-feira (14). Com o placar de 75 votos favoráveis e um contrário (do senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro), nas duas votações. O texto estabelece dois dias de descanso semanal remunerado e reduz a jornada de trabalho sem corte salarial.
Durante a discussão, Eliziane afirmou que a mobilização popular venceu os argumentos da oposição ao governo Lula contra a mudança. “Eles foram vencidos pela realidade. Eles foram vencidos pela sociedade brasileira, que foi para a rua”, declarou.
Weverton também defendeu a proposta. “Reduzir as horas trabalhadas não quer dizer reduzir a produtividade ou a eficiência do trabalho que vai ser produzido”, afirmou.
Aprovada, a PEC deve ser promulgada em sessão conjunta entre a Câmara dos Deputados e o
Veja como vai funcionar
O fim da escala 6×1 aprovado pelo Senado não começa a valer imediatamente após a votação. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda precisa ser promulgada pela Mesa do Congresso e publicada no Diário Oficial para produzir efeitos.
A mudança prevê uma transição em etapas. Sessenta dias após a promulgação da emenda, a jornada máxima semanal cairá das atuais 44 horas para 42 horas. Depois, 14 meses após a promulgação, o limite será reduzido para 40 horas semanais, sem redução de salários ou dos pisos das categorias.
A nova regra também garante dois dias de descanso remunerado por semana. Um deles deverá ocorrer preferencialmente aos domingos. A legislação poderá permitir compensações por meio de norma coletiva, desde que seja mantida a média de dois dias de repouso semanal.
Empresas terão prazo para adaptar escalas e contratos
A aplicação gradual da nova jornada dará tempo para que empresas reorganizem escalas, controles de ponto e equipes, sobretudo em atividades que funcionam todos os dias. O impacto será sentido principalmente a partir da primeira redução, para 42 horas, dois meses após a promulgação.
Com a passagem definitiva para 40 horas semanais, 14 meses depois, empregadores precisarão revisar acordos, banco de horas, horas extras, intervalos e contratos que hoje prevejam jornadas acima do novo limite.
A regra valerá diretamente para a maior parte dos contratos regidos pela CLT, sem necessidade de alteração individual de cada vínculo. Salários não poderão ser reduzidos em razão da diminuição da jornada.
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