17 de outubro de 2026
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Em ritmos de rebolado, Lula e Flávio dançam para a plateia

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicado nas redes sociais, quarta-feira (14), viralizou. De óculos de visual moderno, ele aparece dançando com uma caixa de som no ombro, ao lado da primeira-dama Janja. Nesse tipo de publicação, a campanha de Lula aposta em uma linguagem e ritmo descontraídos para tentar ampliar a identificação de seus 80 anos com o eleitorado jovem.

Ironicamente, na quinta-feira, 15, em comício na capital gaúcha, quando o Senado debatia a PEC do fim da escala 6×1, o senador Flávio Bolsonaro dançava funk em um palanque, ao lado do governador Tarcísio de Freitas e do senador Sérgio Moro, eleito governador do Paraná.

Flávio, que votou remotamente na PEC do fim da jornada 6×1, depois foi aprender novos passos do sincopado ritmo funkeiro e aproveitou para provocar os seguidores: “Quem tem mais molho?”. No dizer do especialista em marketing político Gabriel Scarpellini, a arte da mobilização eleitoral exige uma abordagem que seja a mistura de ritmos e melodias.

“Reuniões de bairro são compassos suaves, enquanto eventos comunitários, acordes poderosos que ressoam nos corações dos eleitores. Essa orquestração diversificada atinge diferentes notas da população, criando uma melodia coesa de engajamento”, teoriza ele, em artigo no site Alcateia Política.

Ao saírem do sério e entrarem em ritmos animados de dança, os candidatos Lula e Flávio estão reinventando o jeito de chegar ao eleitor de forma descontraída e obter engajamento nas redes sociais nessa fase tensa e determinante da eleição. É o momento em que a campanha se desdobra nos palanques, nas ruas e nas redes sociais.

As pesquisas dos últimos dois dias estão mais favoráveis a Lula. Ele reduziu a distância de Flávio de quatro pontos, logo depois do primeiro turno, para dois ou menos. Na Quaest e Datafolha, deu empate técnico; na PoderData/Aya, desta sexta-feira, deu 50 x 50 nos votos válidos e 47 x 47 na estimulada.

A sabatina do presidente Lula da Silva, com Renata Lo Prete na Globo, rendeu recorde de audiência da TV brasileira naquele dia 16. Registrou média de 24,8 pontos na Grande São Paulo, com pico de 26,1, segundo dados do Ibope. Na conversa, Lula assumiu a responsabilidade pelo desempenho de sua campanha no primeiro turno e reconheceu dificuldades para comunicar à população as realizações de seu governo.

Lula lamentou não ter conseguido fazer com que os eleitores compreendessem as medidas adotadas pela gestão, assim como defendeu uma reforma no Judiciário e apoio à redução da maioridade penal para 16 anos em caso de crime hediondo.

Já o senador Flávio Bolsonaro participou de almoço com a cúpula da TV Globo, horas antes da sabatina do “Jornal Nacional”, nesta sexta, segundo o portal Metrópoles. O encontro, com os principais executivos da emissora, no bairro Jardim Botânico, foi diferente do tratamento dado ao candidato Lula da Silva, que não teria recebido convite para evento dessa natureza.

Flávio se fez acompanhar de um assessor de imprensa e do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha. O almoço ocorreu um dia depois de a Globo demitir seu diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, Frederic Kachar, por ter exposto o jornalismo de revistas do grupo Globo na relação “inadequada” com Daniel Vorcaro.

Seja como for, o Brasil está a poucos dias do segundo turno da eleição do presidente, rachado em tendências políticas radicalmente opostas. É a encruzilhada da escolha por caminhos diferentes para lidar com os problemas internos e desafios globalizados. O ponto central da encruzilhada é a democracia, em meio à crise das instituições, com a politização do Judiciário, a promiscuidade e a corrupção nos poderes da República.

Lula e Flávio têm históricos e posturas bem distantes sobre a democracia. Enquanto Lula não pode ser acusado de desrespeitá-la, o mesmo não se pode dizer de Flávio, cujo pai, que ele promete anistiar, tentou dar um golpe de Estado para impedir a posse do opositor eleito em 2022. Agora, com funk ou com bolero, um deles será eleito.

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