12 de junho de 2024
DestaquesGeralPolítica

Os paradoxos das eleições municipais no Maranhão

Por Raimundo Borges

O Imparcial – As eleições municipais de outubro estão a pouco mais de quatro meses e o eleitorado já faz das candidaturas a prefeito, os temas políticos de maior relevância.

Pela primeira vez, os votantes já não se mostram indiferentes aos movimentos articulados pelo governador Carlos Brandão, como líder maior desta temporada no Maranhão, os deputados, senadores e os atuais prefeitos – tanto aqueles que buscam a reeleição, quanto os que não podem mais ser candidatos.

Dentro dos partidos há um frisson, cada qual analisando nomes e propostas de acordo sobre formação de chapas de candidatos municipais.

Porém, examinando-se os resultados das eleições de 2020, constata-se que o poder dos partidos não está diretamente conectado ao número de prefeitos que elegeram há quatro anos.

É paradoxal que o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Estado que lhe deu a segunda maior votação em 2022, tenha um único prefeito (Luiz da Amovelar Filho em Coroatá) e o vice-governador Felipe Camarão, enquanto o PDT do senador Weverton Rocha e o PL do deputado Josimar do Maranhãozinho tenham, respectivamente, 42 e 20 prefeitos. No entanto, nenhum dos dois líderes estão no poder estadual.

Com tantos prefeitos, um senador, um deputado federal e quatro estaduais, o PDT sequer já decidiu se terá candidato a prefeito de São Luís, único partido que, na história da capital maranhense elegeu três vezes o mesmo nome, Jackson Lago, e mandou no município por 20 anos.

Tal disparate entre os partidos e o poder executivo no Maranhão mostra o quanto é complicado juntar interesses tão dispersos na hora de montar as chapas de candidatos às 217 prefeituras. Que o diga, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, no PSD e desvinculado dos tradicionais grupos políticos locais.

Outro paradoxo é o PTB. Elegeu 14 prefeitos em 2020, se fundiu com o Patriotas em 2023, mas nem assim, conseguiu cavar pelo menos uma secretaria no governo Carlos Brandão, como Partido da Renovação Democrática(PRD), com 18 prefeitos no Maranhão.

Já o PSB, de Brandão e da presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale, do deputado federal Duarte Júnior, tem quatro prefeitos, o mesmo número do PSDB do secretário da Casa Civil, Sebastião Madeira. Já o MDB com cinco prefeitos, é outra força política no governo estadual, com o seu comando nas mão de Marcos Brandão, irmão do governador.

Dessa forma, a política de Maranhão chega às eleições de outubro com seus tentáculo partidários num processo de autofagia eleitoral, no qual tudo vale, ou vale-tudo para eleger prefeitos que, na prática, não significa sustentação plena das eleições de 2026.

De fato, quem quiser as dá bem nas urnas municipais precisa aprender o beabá dos currais eleitorais com o deputados federal Josimar do Maranhãozinho que elegeu a mulher Detinha campeão de votos, mais dois deputados federais do PL, sem cultivar o extremismo bolsonarista.

Já Weverton Rocha é do mesmo PDT que elegeu 42 prefeitos em 2020, mas em 2022, ele mesmo amargou a constrangedora derrota na disputa do governo, para Lahésio Bonfim que, por sua vez, nem de longe é o mesmo que aparece em 2024.

PÍLULAS POLÍTICAS 

Presos na Venezuela (1)

Deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa discutiram, esta semana, a situação de 16 trabalhadores maranhenses que estão detidos, desde outubro de 2023, em Caracas, sob acusação de garimpagem ilegal na Venezuela.

Presos na Venezuela (2)

O presidente daquela Comissão, deputado Ricardo Arruda (MDB), conversou com as esposas e mães dos garimpeiros presos. Elas disseram que eles estão sofrendo maus-tratos e, além disso, muitos deles estão doentes. Em vídeo eles pedem ajuda ao presidente Lula.

Ajeitando o cenário

O PCdoB vai se reunir em São Luís, no próximo dia 24, sob a presidência estadual do deputado Márcio Jerry, paradefinir candidaturas a prefeito e vereador, data das convenções e a metodologia das campanhas eleitorais. O partido tem 92 vereadores no MA e elegeu 22 prefeitos em 2020.

Deselegância, tiê!

O presidente Lula deve voltar ao Rio Grande do Sul pela 4ª vez, nos próximos dias, para definir o plano geral de reconstrução do Estado, com pesados investimentos federais. Mesmo assim, o governador Eduardo Leite, de forma deselegante, não cita o nome de Lula em suas falas, apenas se refere ao “governo federal”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *