17 de julho de 2024
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Arraial é festa da cultura, nunca palanque eleitoral

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Desde a década de 1960, quando os festejos juninos de São Luís eram realizados no João Paulo, organizado pelo vereador umbandista José Cupertino de Araújo, nunca a cultura popular incorporada ao folclore do Maranhão serviu de biombo para eleger políticos.

As brincadeiras eram sustentadas literalmente pelo suor dos amos e dos componentes dos conjuntos de bumba-meu-boi. Tudo eramarcado pela simplicidade simbólica dos brincantes (engraxates, pedreiros, feirantes e caboclos da Maioba, de Ribamar e das periferias). Os políticos apenas davam o ônibus para levar os brincantes aos arraiais e terreiros de apreciadores.

Depois daqueles tempos românticos, o bumba-meu-boi virou um imenso espetáculo cultural, com os conjuntos transformados em empresas, sotaques atualizados, pandeirões estilizados, coreografias caprichadas, danças ritmadas, cantadores profissionais, músicas contextualizadas com a atualidade e indumentárias de luxo. Assim, o bumba-boi ganhou espaço, projeção e se tornou negócio.

A cultura joanina dá emprego, dinheiro, distribui renda e leva alegria durante até 60 dias. É a pura resistência na preservação da lenda, misturada ao folclore e às religiões católica e afrodescendente (Tambor de Crioulas); bem maior que o Carnaval.

Hoje são mais de 100 grupos folclóricos de bumba-meu-boi, além de inúmeras outras “brincadeiras” que se juntam para fazer no Maranhão, “o maior São João do mundo”. Realmente, a cultura de raiz folclórica maranhense saiu dos grotões da pobreza, ganhou a classe média e se transformou num maravilho espetáculo de música, ritmos e danças.

Os dançarinos se misturam a jovens das universidades, de belos corpos moldados em academias, nos vai e vem dos arraiais, que geram renda e empregos. Tudo profissionalizado bumba-boi do Maranhão é referência nacional e mundial em festivais e apresentações em vários países.

A cultura popular do Maranhão se completa com os festejos juninos do Nordeste, que chegam a interferir no funcionamento do Congresso Nacional; fez nascer um ministério no governo federal e secretarias espalhadas pelo país afora. Como 2024 é ano de eleições municipais, um contingente políticos quer tirar proveito com a festança que já começou no Maranhão e vai alcançar o mês de julho.

A pergunta que não quer calar é: “Bumba-boi rende voto?” Com o Brasil ideologicamente dividido entre bolsonaristas e lulistas, é difícil imaginar como essa polarização política está chegando aos arraiais juninos. Quem se entrega às brincadeiras e explora economicamente os festejos quer mais é viver feliz a lenda da língua do boi na realidade de milhões de pais Franciscos e Catirinas.

Aqui em São Luís, o governador Carlos Brandão arranjou um espaço anexo ao Castelão para o arraial do governo. Está quase pronto, mas seus opositores afirmam tratar-se de uma pista de atletismo que, de fato, nunca foi. Nem mesmo os moradores do vizinho Barreto sequer usavam o espaço abandonado, para caminhada.

Não passou de uma fake news, que a politicalha sabe como fazê-la ganhar o mundo. Já o prefeito Eduardo Braide montou o arraial oficial da Prefeitura, na Praça Maria Aragão, mais para cumprir a temporada de todo ano, do que imaginando cabalar votos voto para a reeleição. Afinal, arraial junino nunca foi nem será palanque eleitoral. É um encontro cultural de diversão no ritmo da democracia.

PÍLULAS POLÍTICAS

G20 em São Luís (1)

Ao lado do governador Carlos Brandão, ambos do PSB, a presidente da Assembleia Legislativa, deputado Iracema Vale participou da abertura do grupo de Trabalho de Economia Digital, do G20, que prossegue até o dia 13 em São Luís.

G20 em São Luís (2)

Iracema classificou o debate sobre economia Digital como colaboração internacional de “crucial para  uma abordagem desafiadora, mas fundamental para a troca de experiência num mundo globalizado e digital. O evento é patrocinado pelo Ministério das Comunicações, sob o comando do maranhense Juscelino Rezende.

Fraude no EJA (1)

Por suspeita de fraude no número exagerado de matrículas de alunos no programa federal de educação de jovens e adultos (Eja), a PGR determinou que o Ministério Público Federal investigue, no Maranhão, vários municípios nessa condição.

Fraude no EJA (2)

No Nordeste há casos gritantes em 50 municípios, em que declararam ter mais de 50% de alunos matriculados no Eja, quando a média aceitável seria de 9,2% da população. Com esse artifício, os municípios praticam corrupção desviando recursos da Educação.

Mão de Dino

O desembargador federal do TRF-1, Ney Bello, continua com chance de ser incluído na lista tríplice que o STJ vai eleger e encaminhar ao presidente Lula para nomear novo ministro. Bello é apoiado pelo ministro do STF Flávio Dino, muito forte com Lula.

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