24 de fevereiro de 2026
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Bolsonarista, presidente da CPMI do INSS pede a Mendonça para Vorcaro ir depor de jatinho

Revista Fórum – Ministro decidiu que empresário deveria utilizar aeronave oficial da Polícia Federal para comparecer ao depoimento.

presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta segunda-feira (23) que vai recorrer da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que tirou a obrigação do banqueiro Daniel Vorcaro de prestar depoimento ao colegiado.

O depoimento do dono do Banco Master, preso em novembro de 2025 no âmbito da Operação Compliance Zero, estava previsto para esta segunda-feira (23). Segundo o senador, havia um acordo para que Vorcaro viajasse de São Paulo a Brasília em jato particular. No entanto, Mendonça proibiu o banqueiro de utilizar a aeronave. O ministro havia decidido que Vorcaro deveria viajar em aeronave oficial da Polícia Federal (PF).

Durante sessão na CPMI, Viana afirmou que caso Vorcaro não compareça, poderá solicitar a condução coercitiva do empresário. Em entrevista coletiva, o senador declarou que a decisão de Mendonça “interfere e atrasa as investigações”.

O senador ainda disse que Vorcaro não receberá benefícios por ser banqueiro. “O empresário não terá privilégio na comissão. Vou defender que compareça presencialmente para prestar esclarecimentos”, disse. 

Viana ainda criticou o desentendimento entre a CPMI e o STF. “Mais uma vez temos um entendimento completamente diferente entre a CPMI e o STF. Vorcaro, no inquérito da Polícia Federal, é tratado como investigado e, no nosso caso, ele é tratado como testemunha, porque ainda não está pronto o relatório da CPMI para pedir o indiciamento [de qualquer pessoa]. A decisão do STF, mais uma vez, interfere, prejudica e atrasa as nossas investigações.”

Acesso aos dados restabelecido

Em outra decisão relacionada ao caso, André Mendonça determinou que a CPMI volte a ter acesso aos dados obtidos por meio da quebra de sigilo telemático, bancário e telefônico de Vorcaro. A comissão investiga o suposto envolvimento do banco em empréstimos consignados e descontos irregulares em aposentadorias.

A medida atende a pedido da própria CPMI e revoga entendimento anterior do ministro Dias Toffoli, que havia retirado o material da comissão e determinado seu armazenamento na presidência do Senado.

Além disso, Mendonça determinou que as informações também sejam encaminhadas à Polícia Federal (PF), responsável pela investigação criminal. Após análise, a corporação deverá compartilhar os dados com a CPMI.

Alfredo Gaspar classificou a decisão como uma “vitória da transparência”. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o envio imediato do material à Polícia Federal fortalece as investigações e o trabalho da comissão. “O Brasil precisa de instituições fortes, mas também de homens e mulheres de coragem para investigar até as últimas consequências”, escreveu.

Operação Compliance Zero

Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a concessão de créditos supostamente falsos pelo Banco Master. As apurações incluem ainda a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público vinculado ao governo do Distrito Federal.

Segundo estimativas preliminares da investigação, as fraudes podem alcançar a cifra de R$ 17 bilhões.

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