15 de abril de 2026
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Segredos revelados do Datafolha!

O relatório completo do Datafolha divulgado hoje possibilita olhar para os dados estratificados e revelar segredos escondidos nas entrelinhas das pesquisas. Quando a gente analisa os números divididos por renda idade e gênero fica claro que Lula e Flávio Bolsonaro têm forças bem diferentes dependendo do público. Lula continua mostrando uma base sólida entre os eleitores mais pobres, os jovens, as mulheres e os mais velhos. Já Flávio Bolsonaro se destaca principalmente entre as camadas mais ricas da população.

Nos dados de segundo turno Lula aparece com 50 por cento das intenções de voto entre quem ganha até dois salários mínimos enquanto Flávio fica com 41 por cento. Essa vantagem do petista entre as famílias mais pobres pode estar ligada à memória dos programas sociais que foram criados ou ampliados durante seus governos anteriores como o Bolsa Família e à percepção de que ele representa mais os interesses das classes populares. Entre os jovens de 16 a 24 anos Lula também lidera com 48 por cento contra 44 por cento de Flávio no segundo turno. Isso sugere que apesar da forte presença de Flávio nas redes sociais Lula ainda consegue conversar bem com a nova geração talvez por causa da imagem de experiência e estabilidade que ele transmite.

Lula também tem bom desempenho entre as mulheres e entre os eleitores com 60 anos ou mais. No caso das mulheres ele fica com 47 por cento contra 43 por cento. Entre os mais velhos o resultado fica quase empatado mas Lula costuma ter uma leve vantagem. Isso pode refletir a confiança que muitos eleitores mais experientes depositam nele por causa dos anos em que governou o país com crescimento econômico e redução da pobreza.

No meio da pirâmide entre famílias que ganham de dois a cinco salários mínimos a disputa fica mais equilibrada quase um empate técnico. O mesmo acontece entre quem tem ensino superior onde Flávio mostra um pouco mais de força.

Do lado de Flávio Bolsonaro o grande ponto forte aparece entre os eleitores mais ricos. Entre quem ganha mais de dez salários mínimos ele vence com folga 58 por cento contra 37 por cento de Lula no segundo turno. Na faixa de cinco a dez salários a vantagem também é grande com 57 por cento para Flávio. Esse sucesso entre as classes mais altas pode estar relacionado à defesa de pautas liberais na economia críticas ao que eles veem como excesso de gastos públicos e uma imagem associada à ordem segurança e valores conservadores. Muitos eleitores de maior renda parecem ver em Flávio uma continuação do bolsonarismo com um perfil mais jovem e renovado.

Entre os homens Flávio também tem vantagem clara o que reforça a ideia de uma divisão de gênero na eleição.

Infelizmente as tabelas que temos não trazem a divisão por região incluindo o Sudeste. Como o Sudeste concentra muita gente de renda média e alta especialmente em São Paulo e no Rio é possível que Flávio esteja mais competitivo por lá do que a média nacional sugere. O Sudeste costuma ser decisivo em eleições presidenciais e essa força de Flávio entre os mais ricos pode fazer diferença em estados como São Paulo.

No geral o Datafolha de abril de 2026 revela uma eleição bastante dividida por classe social. Lula mantém o apoio das camadas populares e de vários grupos tradicionais enquanto Flávio constrói sua força principalmente entre os eleitores de maior poder aquisitivo. Esses segredos dos dados estratificados mostram que a campanha de 2026 vai ser uma batalha por diferentes Brasis dentro do mesmo país.

Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.

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