21 de abril de 2026
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“O povo brasileiro é trabalhador”, diz Lula ao ser recebido pelo primeiro-ministro de Portugal

Revista Fórum – Chefe de Estado brasileiro encontrou o chefe de governo português na frente do Palacete de São Bento para a tradicional foto oficial. Agenda tratará também de questões relacionadas à xenofobia.

De LISBOA, Portugal | As ruas da capital portuguesa perceberam os sinais no inicio da tarde desta terça-feira (21) da chegada da comitiva presidencial brasileira. Em uma operação de guerra, dezenas de veículos, batedores e sirenes agudas cortaram as avenidas lisboetas, atraindo os olhares de turistas e moradores que pararam para assistir à passagem do líder brasileiro. O esquema de segurança, descrito por autoridades locais como “fortíssimo”, isolou o perímetro do Palacete de São Bento, refletindo o peso político da visita.

O relógio marcava precisamente 13h11 (9h11 no horário de Brasília) quando o veículo preto blindado parou nos jardins da residência oficial do governo. O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, aguardava Lula ao pé do carro. O cumprimento, marcado por um aperto de mãos firme, foi o primeiro protocolo de uma agenda que promete ser densa. Na sequência, ambos subiram a escadaria e posaram para a tradicional foto oficial na porta do edifício histórico, sob os disparos incessantes de centenas de câmeras.

Foco global e massiva presença da imprensa

A recepção não é apenas um evento bilateral, mas um acontecimento internacional. O Palácio está tomado por uma presença massiva de jornalistas e correspondentes de diversos países, refletindo a aura de “estrela global” que Lula consolidou em seu périplo europeu.

O presidente brasileiro chega a Portugal embalado pelo sucesso estrondoso de suas passagens recentes por Espanha e Alemanha. Em Barcelona, durante o Global Progressive Mobilisation (GPM), Lula foi ovacionado por lideranças mundiais e movimentos sociais, sendo o centro das atenções ao defender uma nova governança global. A “badalação” internacional em torno de sua figura, especialmente após ser aplaudido de pé na Feira de Hanover, coloca Portugal como o ponto de culminância de uma viagem que buscou reposicionar o Brasil no eixo das grandes decisões mundiais.

Declaração conjunta

Na declaração conjunta realizada nos belos jardins de São Bento, o premiê luso começou dando boas-vindas a Lula, frisando claramente que sempre é um prazer recebê-lo e que ele é bem-vindo ao país, afastando possíveis rusgas que se espalhavam pelas redes sociais que apontavam para uma recepção a contragosto por parte do português, que é de direita. Montenegro falou do momento histórico do Acordo Mercosul-União Europeia, colocando-se como o “primeiro parceiro” do gigante latino-americano, mencionando as empresas portuguesas que operam em solo brasileiro e os produtos que cruzam o Atlântico vindo do Brasil para serem vendidos na nação ibérica.

Sobre as relações entre os povos dos dois países, um assunto áspero para o líder europeu por conta dos casos de xenofobia registrados contra brasileiro, Montenegro falou que entre Brasil e Portugal há muita gente “vai ao país para trabalhar e realizar seus objetivos”, e que essa relação “se da muitíssimo bem”, com algumas exceções de perturbações, o que seria “comum em qualquer sociedade”,  mas que “no global é excelente”.

“O governo de Portugal regularizou mais de 235 mil processos de imigrantes brasileiros”, disse ainda o titular do Palacete de São Bento.

Já Lula, que começou seu discurso chamando Montenegro de “meu caro amigo” e lembrando o feriado de Tiradentes, deu início à sua fala com uma brincadeira envolvendo futebol ao relembrar a eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, por Portugal, à época capitaneado por Eusébio. “O povo brasileiro é um povo trabalhador”, disparou o estadista brasileiro em tom de alerta ao chefe do Executivo português.

Na sequência, assumindo-se “multilateralista”, o presidente brasileiro mencionou a quantidade de conflitos armados que ocorrem atualmente no mundo, colocando-se frontalmente contra essas ações bélicas e clamando por paz. As empresas brasileiras que estão se instalando em Portugal também foram lembradas por Lula em sua declaração, que lamentou a demora entre os dois blocos econômicos para se entenderem.

Xenofobia e afinidades políticas

Além dos acordos comerciais e políticos mais triviais, a agenda em São Bento mergulhará em temas espinhosos e urgentes, como o combate à xenofobia, uma preocupação crescente da numerosa comunidade brasileira em solo luso.

A etapa seguinte da visita é vista como o momento de maior sintonia ideológica. Após os protocolos com Montenegro, Lula seguirá para um encontro com o recém-empossado Presidente da República de Portugal, António José Seguro. Político do Partido Socialista (PS) e identificado com a esquerda europeia, Seguro deve estabelecer uma conexão natural com o brasileiro. A expectativa é que, entre os dois chefes de Estado, o diálogo flua com a afinidade de quem compartilha visões de mundo semelhantes, selando a parceria estratégica entre as duas nações sob uma nova e progressista perspectiva política.

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