A corrida ao Senado no MA está ainda no aquecimento
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Ao contrário da disputa ao governo do Maranhão, a corrida rumo ao Senado está apenas na fase de aquecimento, enquanto, para o lugar de vice na chapa majoritária, só Eduardo Braide (PSD) bateu o martelo com a empresária Elaine Carneiro. Orleans Brandão (MDB) está na liderança de uma frente com mais de 10 partidos, o que dificulta tanto a indicação à vaga de vice quanto às duas vagas do Senado Federal. Por isso, os dois líderes das pesquisas aos Leões priorizaram o foco nos redutos de cada qual, na busca de fortalecimento na área metropolitana e nos municípios distantes. Orleans Brandão está se desdobrando nos bairros de São Luís, e Eduardo Braide, visitando as cidades que vão decidir a eleição.
Mesmo com a histórica posição de duas maranhenses no Senado Federal, contudo, não tem sido fácil a escolha dos candidatos às cadeiras de Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), eleitos em 2018 no mesmo grupo liderado por Flávio Dino. Os dois são candidatos à reeleição, mas estão no centro da divisão que marca a política maranhense em 2026. Eliziane foi eleita pelo PPS, que virou Cidadania em 2019, e ela foi para o PSD até 2 de abril, quando assinou a ficha do PT, em ato na Bahia, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador Weverton Rocha também é lulista desde quando entrou no PDT, em 1995.
Esses senadores têm Lula como candidato presidencial — Weverton no grupo de Orleans Brandão e Eliziane no PT —, embora o partido esteja enredado na crise para decidir se terá ou não candidato a governador. A posição só será conhecida nesta quinta-feira, antes de seu Congresso Nacional, para oficializar a candidatura de Lula e mapear a situação do PT em cada estado. Tudo sob a orientação de Lula, do presidente Edinho Silva e do ministro das Relações Institucionais do Palácio do Planalto, José Guimarães. Nesta quarta-feira, 22, Edinho e Guimarães se reuniram em Brasília com Carlos Brandão para encontrar uma solução que atenda a gregos e troianos nesse imbróglio tipicamente maranhense.
Nesta quinta-feira pela manhã, os dirigentes do PT nacional vão se reunir com os membros do diretório regional, o vice-governador Felipe Camarão, o deputado Rubens Júnior e outros petistas para pô-los a par do que foi conversado com Brandão e encaminhar a solução sobre como se dará, no Maranhão, a campanha presidencial. Até esta quarta-feira, eles não sabiam se Camarão será candidato, se há alguma conversa com o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide ou se tudo ficará no palanque de Orleans. A única certeza é a chapa majoritária contar com os senadores Weverton e Eliziane Gama. Orleans é aconselhado a indicar o vice da região de Imperatriz até o sul.
Apesar de pouquíssimo tempo no PT, Eliziane tem mostrado que é possível, sim, dar um novo ritmo ao petismo local, desde que haja alguém, como ela, capaz de assumir o papel de tirar a militância do imobilismo e levá-la à frente da campanha. Ela tem percorrido vários municípios nesse papel, movimentando as bases sindicais, intelectuais e estudantis, dentro e fora do universo evangélico, altamente bolsonarista. “Eu me sinto em casa com esta acolhida que jamais esperei. A forma como a militância, os movimentos sociais e as lideranças sindicais petistas me acolhem só pode ser compreendida por quem sabe da forma orgânica como funciona este partido”, disse a senadora em Barra do Corda.
Como único pré-candidato a governador a indicar a empresária de Imperatriz, Elaine Carneiro, como vice, Eduardo Braide não faz qualquer aceno na direção do grupo dinista (ligado a Flávio Dino), que tenta segurar a candidatura de Felipe Camarão. Também ignora Lahesio Bonfim (Novo), de expressiva liderança no estado, embora sem lastro partidário e estrutura política para uma empreitada de tamanha importância. Braide segue no seu estilo pessoal de fazer política, com o qual foi eleito prefeito de São Luís em 2020 e reeleito em 2024 com mais de 70% da votação. Lahesio ficou em 2º lugar na eleição de 2022, na qual Carlos Brandão venceu no primeiro turno, e Dino bateu recorde de votos — 2,1 milhões para o Senado.


