Brasil atravessa guerra no Irã com crescimento acima da média global e inflação menor, diz estudo
DCM – A escalada da guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã já provoca efeitos relevantes na economia mundial — especialmente via petróleo —, mas dados de um estudo da Petrobras indicam que o Brasil tem conseguido atravessar o choque com impactos mais moderados na inflação e desempenho diferenciado no crescimento.
De acordo com projeções apresentadas pela área de Estratégia, o aumento do preço do barril — impulsionado por riscos logísticos no Estreito de Ormuz e interrupções na produção — pressiona a inflação global e reduz o ritmo de expansão econômica. Ainda assim, os efeitos são desiguais entre os países.
Inflação: impacto menor no Brasil
Enquanto a inflação global deve atingir cerca de 5,1% em 2026, puxada pela alta do petróleo, o Brasil aparece com impacto estimado de aproximadamente 4,2%, abaixo da média mundial e também inferior ao observado em economias centrais.
Esse desempenho mais favorável está ligado a fatores estruturais:
- Matriz energética mais diversificada e renovável, reduzindo a dependência direta de combustíveis fósseis importados
- Produção doméstica relevante de petróleo, que amortiza choques externos
- Menor exposição a cadeias críticas do Oriente Médio
Na prática, isso significa que, embora combustíveis e transporte pressionem preços, o repasse inflacionário tende a ser mais contido do que em países altamente dependentes de importação.
PIB: crescimento acima da média global
No campo do crescimento, o contraste é ainda mais evidente. O impacto da guerra deve reduzir o ritmo global, com a maioria dos países com índices negativos e o Brasil aparecendo com projeção de 0,1% em 2026.
Entre os fatores que explicam esse desempenho, segundo o levantamento:
- Demanda interna resiliente, menos sensível ao comércio global
- Setor energético forte, beneficiado por preços elevados
- Agronegócio competitivo, que continua sustentando exportações
Enquanto economias desenvolvidas enfrentam maior desaceleração — pressionadas por juros altos e energia cara —, o Brasil se beneficia parcialmente do novo ciclo de commodities.
Guerra do petróleo e efeitos globais
O conflito no Oriente Médio afeta diretamente cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás liquefeito, elevando custos logísticos e gerando incerteza nos mercados. Mesmo sem expectativa de impacto permanente nos preços, o choque de curto prazo é suficiente para:
- Elevar inflação global
- Forçar bancos centrais a manter juros altos
- Reduzir renda e consumo
Esse mecanismo — petróleo mais caro → inflação → juros → menor crescimento — é clássico em crises energéticas.
Brasil: resiliência com limites
Apesar do desempenho relativamente melhor, o Brasil não está imune. O próprio estudo alerta que:
- A alta do diesel impacta alimentos e transporte
- A dependência de importações em alguns derivados ainda existe
- Choques prolongados podem reduzir o ritmo de crescimento
Ainda assim, o país entra nessa crise em posição mais sólida do que em episódios anteriores, como a crise de 2008 ou o choque de 2022.
Um amortecedor energético
O diferencial brasileiro, segundo os dados, está na combinação de:
- Produção relevante de petróleo
- Baixa intensidade de carbono na energia
- Forte presença de renováveis
Isso cria um “colchão” contra crises externas — algo que se torna ainda mais estratégico em um cenário de disputas geopolíticas crescentes.




