18 de maio de 2026
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“Rosto bonitinho”: FBI investiga brasileira por desvio de joias e lucro de R$ 100 milhões em golpes

DCM – Uma empresária brasileira de família tradicional do Paraná é alvo de investigações no Brasil e nos Estados Unidos sob suspeita de aplicar golpes milionários envolvendo joias de luxo. Segundo a polícia, o prejuízo causado às vítimas pode chegar a R$ 100 milhões.

Camila Briotti, que também tem nacionalidade estadunidense, passou das colunas sociais, onde aparecia em registros de um casamento luxuoso na Espanha, para o centro de inquéritos policiais. De acordo com informações da TV Globo, ela é investigada por estelionato após ser acusada de desviar centenas de peças de alto valor, incluindo ouro, diamantes e esmeraldas.

De acordo com relatos reunidos nas apurações, Camila atuava como intermediária na venda de joias consignadas, principalmente entre Brasil e Estados Unidos. Ela ganhava a confiança de joalheiros, retirava as peças para revenda e, no início, fazia pagamentos regulares. Com o passar do tempo, porém, teria deixado de repassar valores e de devolver os produtos.

“Ela me deve cerca de 1,2 milhão de dólares em joias, mais 400 mil dólares de vendas não repassadas”, afirmou uma das vítimas. Outros empresários também relatam perdas milionárias em peças que não teriam sido pagas ou devolvidas.

“É o rosto bonitinho, uma pessoa falante, bem apresentável. Ela consegue a confiança das vítimas e depois vem a segunda parte, que é pegar as joias, que é o grand finale”, diz Arthur Migliari, advogado de vítimas.

Segundo as investigações, o esquema seguia um padrão baseado em confiança e falsas promessas. Camila se apresentava como representante de grandes joalherias e prometia altos lucros com a revenda internacional. Depois de ganhar credibilidade, passava a operar com volumes maiores de peças.

Mensagens e áudios anexados ao inquérito mostram promessas de pagamento que, segundo as vítimas, nunca foram cumpridas. Os relatos indicam que ela apresentava justificativas frequentes para atrasos, citando problemas pessoais e até histórias usadas para sensibilizar credores.

Em alguns casos, Camila teria enviado comprovantes falsos, cheques sem fundo e vídeos de dinheiro vivo para convencer as vítimas de que faria os pagamentos. A maior parte dos crimes teria ocorrido nos Estados Unidos, especialmente no sul da Flórida, em cidades como Miami, Boca Raton e Palm Beach, onde ela possui residência.

Com o aumento das denúncias, o caso passou a ser investigado pelo FBI. As apurações indicam que muitas joias não devolvidas teriam sido penhoradas. Segundo relatório da polícia federal estadunidense, as peças eram deixadas em casas de penhor por valores muito abaixo do mercado para obter dinheiro rápido. Um colar avaliado em cerca de US$ 120 mil, por exemplo, teria sido penhorado por apenas US$ 6 mil.

Além do caso das joias, Camila também responde no Brasil a outro inquérito por estelionato envolvendo bolsas de luxo, com prejuízo estimado em mais de R$ 4 milhões.

A defesa afirma que as acusações não têm respaldo jurídico e diz que não há comprovação de irregularidades no Brasil. Enquanto as investigações avançam, vítimas cobram responsabilização. “O que a gente quer é justiça”, afirmou uma das pessoas lesadas.

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