19 de maio de 2026
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DC troca Rebelo por Barbosa e divide mais ainda a direita

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Depois do fiasco eleitoral nas seis vezes em que disputou a Presidência da República pelo partido Democracia Cristã (DC), entre 1998 e 2022, o empresário e advogado conservador José Maria Eymael está fora do pleito de 4 de outubro. O seu único bordão de campanha, “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão!”, transformado em um dos maiores marcos da propaganda política brasileira, neste ano não estará no horário eleitoral. O partido, que havia lançado o ex-comunista histórico do PCdoB, Aldo Rebelo, como seu candidato presidencial em 2026, o trocou neste fim de semana pelo ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa, que nunca disputou nenhuma eleição, apesar de ter se tornado famoso como relator do mensalão.

José Maria Eymael, hoje com 86 anos, obteve o melhor desempenho nas urnas em 2010, com 89 mil votos válidos (0,09%), e não só estará fora da disputa presidencial de 2026, como o seu DC está metido em uma encrenca. Ao substituir Aldo Rebelo por não pontuar nas pesquisas até aqui, o partido fará uma arriscada experiência com Joaquim Barbosa. Ele teria maior potencial de crescimento, segundo levantamento interno da legenda. Rebelo passou 40 anos no PCdoB e foi ministro dos Esportes; da Ciência, Tecnologia e Inovação; e da Defesa, entre 2015 e 2017, no governo Dilma Rousseff, defenestrada do cargo por impeachment.

Rebelo deu uma cambalhota política ao se afastar da esquerda e tomar o caminho da direita, ao discordar da nova agenda progressista por priorizar pautas identitárias e multiculturalistas em detrimento da centralidade da questão nacional, defendida por ele. Também passou a criticar o Supremo Tribunal Federal, acusando-o de invasão de competência e ativismo judicial, martelando o mesmo discurso da extrema direita bolsonarista. Sobre sua troca por Joaquim Barbosa, Rebelo reafirmou sua candidatura e subestimou a opção do DC, ao qual está filiado há apenas dois anos. Chamou-a de “balão de ensaio” e afronta a tudo o que defende em relação a práticas políticas firmadas na democracia e na transparência.

Sem nenhum nome no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas, o antigo PSDC hoje conta apenas com dois prefeitos em Minas Gerais e ainda carrega a superstição ligada ao futebol: nas últimas duas vezes em que José Maria Eymael ficou de fora da disputa presidencial, o Brasil se sagrou campeão mundial. Em 1994, na conquista do tetracampeonato, Eymael atuava como deputado federal, eleito em 1990, e havia deixado o recém-fundado PPR. Em 2002, ano do pentacampeonato, ele presidia o DC e se candidatou a deputado federal por São Paulo. No entanto, não obteve sucesso na empreitada.

Ao trocar o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa, o nanico considerado de direita, conforme os princípios que defende, informou que “o povo brasileiro merece um novo capítulo em sua história”. Barbosa foi o primeiro negro a integrar e presidir o STF e deixou a Corte em 2014, quando chegou a articular sua candidatura à Presidência nas eleições de 2018. Na ocasião, filiou-se ao PSB, porém desistiu da disputa por motivos pessoais. Para o DC, Barbosa representa a possibilidade de união nacional e reconstrução da confiança dos brasileiros nas instituições, além de “honrar os valores republicanos”.

Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o único nome da esquerda a disputar a reeleição com potencial de vitória. Os demais são: Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Pimenta (PCO) e Samara Martins (Unidade Popular). Pela direita dividida, o grupo já conta com Flávio Bolsonaro (PL), Joaquim Barbosa (DC), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Sem Eymael no páreo eleitoral, é hora de cultivar espada-de-são-jorge ou comigo-ninguém-pode e torcer positivamente pela Seleção de Carlo Ancelotti.

O ex-pedetista Ciro Gomes chegou a cogitar concorrer ao Planalto pelo PSDB, mas agora já aparece como candidato ao governo do Ceará, tendo o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio como vice.

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