9 de julho de 2026
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Impacto de ataques a refinarias russas chega ao Brasil

DW – Pressionada por uma grave crise de combustíveis provocada por ataques ucranianos, Rússia suspende exportações de diesel. Medida atinge em cheio o Brasil, que em 2025 foi o 3º maior comprador da produção russa.

Pressionado pela crescente escassez de combustíveis provocada por ataques ucranianos à sua indústria petrolífera, o líder da Rússia,Vladimir Putin, suspendeu nesta quarta-feira (08/07) exportações de diesel

A medida, que deve vigorar até 31 de julho, deve atingir em cheio o Brasil, terceiro maior importador da produção russa de diesel. O anúncio ainda fez disparar os preços do barril do diesel em um mercado global já tensionado pela guerra no Irã.

Terceiro maior produtor global de petróleo, atrás apenas dos EUA e Arábia Saudita, a Rússia sofre escassez de combustível e disparadas de preços, consequência direta dos ataques ucranianos nos últimos meses contra refinarias, tanques de armazenamento e linhas de abastecimento.

Motoristas em muitas regiões tem enfrentado filas quilométricas para abastecer, à medida que a intensificação dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa restringe a oferta de diesel e gasolina.

E isso apesar de a Rússia já ter proibido a exportação de gasolina desde abril.

O Financial Times afirma que o país vive sua pior crise de combustíveis desde o colapso da União Soviética.

“Hoje foi introduzida uma proibição das exportações de diesel, e isso permitirá aumentar a oferta para o mercado doméstico”, afirmou o vice-primeiro-ministro, Alexander Novak.

Além do veto à exportação de diesel, a Rússia também vai importar mais combustível do exterior. Fontes do setor afirmam que isso já ocorre desde a semana passada, quando a Rússia começou a importar gasolina por via marítima da Índia, segundo a agência de notícias Reuters.

As medidas foram anunciadas em uma reunião de governo televisionada e presidida por Putin.

Alerta para o Brasil

Em 2023, a Rússia se tornou o maior fornecedor de diesel ao Brasil, ultrapassando os Estados Unidos, maior produtor mundial de petróleo. A mudança foi fruto da guerra na Ucrânia, que forçou Moscou a buscar novos mercados para a sua commodity após ser sancionada pela União Europeia.

Como resultado, em 2025 o Brasil foi o terceiro maior importador de diesel russo, segundo dados da Kpler. Mas os números caíram 65% de maio para junho deste ano, em meio ao aumento dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa, informou a Fecombustíveis Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes do Brasil (Fecombustíveis). Ao mesmo tempo, o volume importado dos EUA cresceu 74% entre maio e junho deste ano.

O veto à exportação anunciado pela Rússia, somado à notícia de que o país vai importar combustíveis, deixou analistas preocupados, já que deve desencadear escassez em alguns países e alta de preços.

Os impactos podem ser amplos, já que frotas de caminhões, sistemas ferroviários, agricultura e construção dependem fortemente do diesel, puxando a inflação e prejudicando o crescimento. 

Muitos mercados já enfrentaram um aumento de mais de 50% nos custos do diesel devido à guerra com o Irã.

Colunas de fumaça negra sobem de uma refinaria em Omsk, a maior da Rússia, atacada pela Ucrânia em 7 de julho
Ucrânia tem mirado infraestrutura energética da Rússia para forçá-la à mesa de negociaçõesFoto: Social Media via REUTERS

Para o analista Abhishek Kumar, da Sparta Commodities, a proibição das exportações de diesel pela Rússia vem “quase no pior momento possível”.

“A guerra no Irã já havia forçado grandes retiradas de estoques para compensar a interrupção do fornecimento do Oriente Médio, deixando os estoques de diesel em mercados-chave reduzidos”, disse à agência Reuters, acrescentando que Rússia e seus compradores agora competirão de forma agressiva com a Europa pelas importações de diesel de outros fornecedores.

As exportações russas de diesel por via marítima já haviam despencado em junho em função da escassez gerada pela guerra, totalizando 1,8 milhão de toneladas, queda de 39% em relação a maio e de 46% em relação às 3,35 milhões de toneladas em junho de 2025.

“Eles [Rússia] basicamente já tinham uma proibição de exportação de fato. Em junho, [as exportações] caíram para 400 mil barris por dia; julho está no caminho para ser ainda mais baixo”, disse uma fonte europeia do setor de trading.

As exportações russas de diesel foram de apenas 214 mil barris por dia entre 1º e 8 de julho, segundo dados da consultoria Kpler, em comparação com uma média diária de 793 mil barris em julho de 2025.

A Ucrânia atacou todas as dez maiores refinarias da Rússia desde o final de abril. A maior, em Omsk, distante mais de 2,5 mil quilômetros da fronteira ucraniana, foi forçada a interromper sua produção após um bombardeio no início desta semana.

Falando durante o anúncio das medidas nesta quarta, Putin disse que a Ucrânia está tentando prejudicar a economia russa e “criar um sentimento de ansiedade na sociedade”, mas assegurou que esse objetivo é “inalcançável” e que a “resiliência do sistema de energia da Rússia é muito alta”,

A Ucrânia afirma que seus ataques a instalações de combustível russas têm como objetivo limitar a capacidade da Rússia de fazer guerra e forçar Moscou a iniciar negociações de paz.

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