
PT de Camarão e a trajetória nas eleições do Maranhão
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Desde sua criação, em 1980, durante a ditadura militar de 1964, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem disputado todas as eleições de governador do Maranhão e quase todas as de prefeito de São Luís, com candidatos próprios ou em aliança. Em 1982, na primeira eleição direta para governadores dos estados e territórios federais, o empresário petista Osvaldo Alencar Rocha concorreu no Maranhão ao Palácio dos Leões, tendo como vice Sebastião Alves de Brito, também do PT, quando não havia a regra das coligações partidárias. O pleito foi vencido pelo então deputado federal Luiz Rocha, do PDS.
Quando se aproxima o prazo das convenções de 2026, a partir deste 20 de julho, o PT já decidiu que estará no páreo da corrida ao Palácio dos Leões, com o atual vice-governador Felipe Camarão, filiado à legenda petista em 2022. O encontro convencional será no dia 1º de agosto, mas, até este sábado, 18/07, ele ainda não havia definido o vice de sua chapa, mesmo já tendo escolhido os coordenadores da campanha, comandada por André Bello e formada por Diego Galdino, o Coletivo Nós, da Câmara Municipal de São Luís, o histórico no PT Raimundo Monteiro e a jornalista Aline Louise.
Galdino atuou como consultor na iniciativa privada, como analista de recursos humanos sênior, foi duas vezes secretário de Cultura e Turismo do governo Flávio Dino, uma vez secretário da Casa Civil do mesmo governo e duas vezes titular da pasta de Governo, nas gestões de Flávio Dino e de Carlos Brandão, em 2023. Naquele ano, ele foi indicado para secretário-executivo do Ministério da Justiça, na gestão de Flávio Dino. Ao anunciar a equipe de coordenação da campanha nas redes sociais, Camarão não fez nenhum comentário sobre os integrantes.

Temporada com os Sarney
Na história do PT maranhense, em 1986, quando Epitácio Cafeteira fechou acordo com o presidente José Sarney e surfou nas urnas na onda da popularidade do Plano Cruzado, o PT entrou na disputa com Delta Martins e Sebastião Rodrigues de Souza na vice. Já havia coligação, mas o PT preferiu chapa puro-sangue. Em 1990, o PT se coligou com o PSB na disputa do governo, por Conceição Andrade (PSB), e Neudson Claudino na vice.
Em 1994, Roseana Sarney (PFL) estreou com a primeira vitória ao Palácio dos Leões, com João Alberto na vice, derrotando Epitácio Cafeteira (PPR), com Juarez Medeiros, do PSB. O PT se lançou coligado com Jackson Lago, do PDT, liderando a chapa, e Jomar Fernandes, ex-prefeito de Imperatriz, na vice. Em 1998, Roseana foi reeleita contra Cafeteira, já no primeiro turno. O PT concorreu com o deputado Domingos Dutra e Uílio Silva, coligado apenas com o PCB. Em 2002, José Reinaldo foi eleito pelo PFL, e o PT lançou Raimundo Monteiro novamente, com Uílio Silva de vice-governador.
Em 2002, Lula foi eleito, no segundo turno, presidente do Brasil, com 53 milhões de votos, depois de perder três vezes. Foi a 4ª eleição presidencial após a Constituição de 1988, em cuja elaboração ele ajudou como deputado constituinte. A bancada do PT tinha 12 deputados naquela legislatura. Lula tornou-se o segundo presidente mais votado do mundo à época, atrás apenas de Ronald Reagan, na eleição estadunidense de 1984. Neste século, o PT venceu cinco eleições na República Brasileira, sendo quatro consecutivas, caso único na história da democracia.

Só elegeu um vice-governador
No Maranhão, o Partido dos Trabalhadores elegeu apenas um vice-governador, Washington Oliveira, na chapa de Roseana Sarney (MDB), em 2010. A aliança foi selada após intervenção da direção nacional do partido, e eles governaram o estado juntos entre 2011 e 2013. Aquela campanha de Roseana na televisão foi marcada por um movimento forte contra sua candidatura. Em setembro, cerca de cinco mil estudantes ligados ao movimento “Fora Roseana”, com forte apelo na internet, participaram de passeata que saiu da Praça da Bíblia até o Palácio dos Leões, cujo protesto foi transmitido ao vivo via Twitter.
Nas eleições de 2014, quando Flávio Dino venceu com o PCdoB, pela primeira vez na história política, o MDB de Roseana tratou da continuidade ou não da aliança com o PT e o governo Dilma Rousseff. Roseana participou ativamente do processo político nacional e apoiou as decisões de seu partido, entre as quais, o rompimento com o PT e com a presidente Dilma. De quebra, deu apoio ao processo de impeachment da presidenta. Uma parte do PT apoiou a candidatura de Flávio Dino e participou de seu governo.
Unido com o PCdoB de Dino
Em 2018, o PT participou da coligação “Todos pelo Maranhão”, liderada por Flávio Dino, reeleito no primeiro turno, com 16 partidos, mantendo Carlos Brandão na vice, desta vez filiado ao PRB. Foi essa uma pequena amostra da trajetória do PT no Maranhão, em 46 anos, vivendo altos e baixos em todas as eleições do período. Neste ano, a legenda que chegou ao Palácio do Planalto por tantas vezes está enfrentando sérias dificuldades para chegar ao Palácio dos Leões com a candidatura de Felipe Camarão.
A filosofia do PT se baseia no socialismo democrático, com justiça social, redução das desigualdades, valorização da classe trabalhadora e fortalecimento do papel do Estado no desenvolvimento econômico. Apesar de pôr em prática todo esse arcabouço programático no âmbito nacional, no Maranhão, porém, é preciso ainda fazer muito localmente para chegar ao comando do governo.

Nas eleições de outubro, o candidato do PT encontra-se rompido com o titular do mandato, Carlos Brandão, no Palácio dos Leões. Paradoxalmente, o partido mantém-se firme e forte na máquina governamental, com secretarias, centenas de cargos e a maioria da Executiva Estadual apoiando o candidato do MDB, Orleans Brandão, que, por sua vez, apoia a reeleição do presidente Lula, a caminho de seu 4º mandato à frente da República Brasileira.

