Brasil é o maior perdedor das tarifas adicionais de Trump, diz Financial Times
BBC – O Brasil é o país mais prejudicado pela reformulação da política tarifária dos Estados Unidos, segundo análise do Financial Times.
“De longe, o maior perdedor é o Brasil”, afirma reportagem do jornal britânico, publicada nesta sexta-feira (24/7). A publicação destaca ainda que o país já havia sido alvo de tarifas impostas por Donald Trump no início deste mês.
Na quinta-feira (23/7), os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre as exportações brasileiras, sob a alegação de que o país falhou em combater adequadamente o trabalho forçado.
Além do Brasil, outros 59 parceiros comerciais dos EUA são afetados pela medida, com taxas que variam de 10% a 12,5% e entram em vigor nesta sexta-feira (24/7).
A nova tarifa de 12,5% aplicada ao Brasil se soma à taxa adicional de 25% anunciada por Trump neste mês. As duas medidas têm origem em investigações diferentes e, juntas, podem elevar a carga tarifária sobre determinados produtos brasileiros para até 37,5%.
Em nota publicada na quinta-feira, o governo brasileiro classificou a ação como “arbitrária” e “injustificada” e afirmou que o governo americano “optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.”
Na sexta-feira, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estimou, com base no comércio bilateral de 2024, que cerca de 23,1% das exportações brasileiras para os EUA estejam sujeitas às novas sobretaxas, sendo 4,7% das exportações afetadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5%; 1,9% apenas pela sobretaxa de 25%; e 16,5% pelas duas medidas.
Outros 24,2% das exportações são atingidas por sobretaxas setoriais aplicadas a todos os países, e 52,7% das exportações seguirão livres de taxação, incluindo produtos como café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja e frutas.
Segundo levantamento da organização independente Global Trade Alert, reproduzido pelo Financial Times, a tarifa efetiva aplicada às exportações brasileiras para o mercado americano sobe agora de 11% para 17,7%, tornando o Brasil, de longe, o maior perdedor entre os parceiros comerciais atingidos pelas novas medidas.
A tarifa efetiva representa a média da carga tarifária incidente sobre o conjunto das exportações brasileiras aos EUA. A alíquota nominal máxima de até 37,5% pode atingir produtos específicos sujeitos às duas medidas.
Enquanto diversos países europeus tiveram redução nas tarifas, diz o Financial Times, o Brasil foi alvo de sobretaxas adicionais anunciadas por Trump, o que ampliou sua desvantagem competitiva no comércio com os Estados Unidos.

No texto, o jornal afirma que França, Reino Unido, Alemanha e Espanha passaram a enfrentar tarifas efetivas menores, enquanto Bélgica, Espanha e Itália estão entre os países que mais se beneficiam das mudanças.
Segundo o jornal britânico, essa vantagem decorre da composição das exportações europeias para os Estados Unidos e pelo fato de terem se
beneficiado das diversas isenções concedidas a produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa.
Pelas novas regras, a tarifa de 10% aplicada à União Europeia também deixará de ser cumulativa com outras tarifas, como ocorria no regime provisório, conferindo ao bloco de 27 países uma vantagem relativa.
Além do Brasil, outros países da América Latina, como Chile e Colômbia, também registraram aumento das tarifas, assim como China, Vietnã e Indonésia. Ainda assim, de acordo com a reportagem, nenhum deles foi tão afetado quanto o Brasil.
“As tarifas aumentam, especialmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, ainda que apenas ligeiramente”, afirmou ao Financial Times o diretor-executivo da Global Trade Alert, Johannes Fritz.
As novas tarifas foram impostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, em uma tentativa da Casa Branca de dar maior respaldo jurídico à política tarifária de Trump, depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegais, em fevereiro, as tarifas anunciadas após o chamado “Dia da Libertação”, em abril de 2025.
Segundo o Financial Times, a estratégia substitui as tarifas globais provisórias de 10% por um sistema de medidas individualizadas contra 60 parceiros comerciais, dificultando que uma eventual contestação judicial derrube todo o regime tarifário de uma só vez.

