28 de julho de 2026
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Os “avulsos” marcam espaço na disputa do Senado no MA

Por Raimundo Borges

O Imparcial – A política maranhense está atravessando convulsões nas convenções que se encerram no dia 5 de agosto, tangidas por paradoxos que vão refletir nas urnas do dia 4 de outubro. Os exemplos notáveis estão com o deputado federal Duarte Júnior, eleito pelo PSB em 2022, que trocou o comando do governador Carlos Brandão pelo da senadora Ana Paula Nova Alves. Ele acampou por pouco tempo no União Brasil, comandado pelo colega de Câmara Pedro Lucas Fernandes. Na nova morada partidária, Duarte encontrou resistência da também deputada federal Amanda Gentil. Pelas suas contas, concluiu que poderia sobrar no projeto de reeleição. E agiu rapidamente contra a filiação de Duarte.

Ao aparecer pontuando alto nas pesquisas, Duarte mudou o foco e resolveu brigar por uma vaga no pleito majoritário. Rapidamente, teve que deixar o União Brasil e buscou novo abrigo no Avante, já de olho no Senado. Quando tudo parecia resolvido, forças ocultas atuaram junto à direção nacional do partido para rifá-lo, pois poderia ameaçar, por exemplo, a reeleição do senador Weverton Rocha (PDT), alinhado ao MDB de Orleans e apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Resultado: preterido também no Avante, que lhe negou legenda numa manobra estranha de bastidores, mas dentro do jogo eleitoral.

Em outro cenário, diferente do enredo de Duarte, sem vaga para o Senado e obrigado a disputar a reeleição na Câmara Federal, o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, faz o oposto. Filiado ao Mobiliza, tentou disputar o Senado em aliança com o PSD de Eduardo Braide por estar no antigo PMN, no qual Braide ficou 10 anos. Como não lhe deram a vaga pretendida, ocupada por André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo), Gonçalo apelou para o seu potencial eleitoral e se tornou candidato “avulso” ou independente. Foi nessa condição que chegou ao palanque de Orleans Brandão e, já candidato oficial, foi participar da convenção estadual do MDB, inclusive com direito a discursar.

Assim como o Avante, de Duarte, e o Mobiliza, de Gonçalo, não têm candidato a governador do Maranhão nem a presidente da República, o ex-senador Roberto Rocha saiu do PSDB, parou no Novo, mas só conseguiu abrigo no Brasileiro, rebatizado com o nome original de PRTB. Rocha é candidato ao Senado com atraso, porque o TSE, presidido pelo ministro Nunes Marques, contemporizou a filiação, justificando que teria ocorrido um erro técnico dentro do próprio Tribunal Superior Eleitoral. Dessa forma, o Brasileiro pode até contar com Pablo Marçal disputando o Palácio do Planalto.

Dentre os três “avulsos” na eleição para senador, Duarte já disputou a Prefeitura de São Luís em 2020, quando perdeu no segundo turno para Eduardo Braide, e em 2024, quando ficou no primeiro turno. Em 2022, então no grupo dinista, ele foi eleito pelo PSB com a maior votação saída de São Luís. Duarte é professor universitário, doutor em Direito Constitucional e mestre em Políticas Públicas. Já Hilton Gonçalo é médico, ex-prefeito de Santa Rita por quatro vezes e tem forte liderança na região do Munim. E Roberto Rocha é advogado, foi deputado estadual, deputado federal, vice-prefeito de São Luís e senador.

São três personagens da política maranhense que entraram na corrida pelas duas vagas de senador, mas enfrentaram obstáculos além dos que estavam em seus planos. Sem falar no deputado Pedro Lucas (UB), que estava pronto para realizar o sonho do Senado, mas acabou perdendo a vaga para a também deputada federal Roseana Sarney. Como é real o que os antigos nos ensinaram, que antiguidade é posto, a ex-governadora levou a melhor por ser filiada ao MDB desde quando o PFL deixou de existir. E foi dela a iniciativa de entregar o comando da legenda a Marcus Brandão, em setembro de 2023. Hoje é Orleans quem a preside.

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