Rocha coloca nanico PRTB na corrida ao Palácio dos Leões
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Não é Lahesio Bonfim, nem o deputado estadual Yglésio Moisés, muito menos Josimar de Maranhãozinho (PL), o maior bolsonarista do Maranhão. Quem pode bater no peito e assumir, convictamente, ser seguidor de Jair Bolsonaro é o ex-senador Roberto Rocha, dono de uma longa carreira política, marcada por posições controversas, dosadas por oportunismo e agilidade na arte de trocar de partido como quem troca de camisa. Ele foi o último candidato ao governo do Maranhão na convenção do Brasileiro (novo nome do PRTB), realizada neste dia 4/08, depois que seu projeto de concorrer ao Senado pelo Partido Novo sofreu um revés por forças ocultas que agiram junto à direção da legenda.
Há 44 anos, quando Luiz Alves Coelho Rocha disputou a primeira eleição para governador do Maranhão, no entardecer da ditadura militar de 1964, o filho mais velho do candidato do PDS tinha apenas 17 anos. Hoje, com 61 anos, Rocha é candidato a governador numa circunstância histórica nada parecida com a eleição do pai, ganha com 671 mil votos em turno único, contra Renato Archer (MDB), com apenas 20%. Como herdeiro político do pai, Roberto Rocha foi deputado estadual, duas vezes deputado federal, vice-prefeito de São Luís e senador (PSB), eleito em 2014 com o apoio do então “comunista” Flávio Dino.
Depois que Rocha rompeu com Dino no governo, ele disse que nunca havia se arrependido tanto quanto de tê-lo apoiado, tirando do jogo o então deputado Gastão Vieira (MDB), que liderou todas as pesquisas até duas semanas antes da eleição. No Senado, Rocha bandeou totalmente para a bancada bolsonarista e tornou-se o político maranhense de maior confiança do presidente da República, ferrenho adversário ideológico de Flávio Dino, do PCdoB. O “mito” foi eleito em 2018 pelo PSL, bem antes de ocupar o PL, até então de coloração neutra, sem ter a postura atual de extrema direita. Nas duas eleições de Lula para presidente, o PL ofereceu o empresário José Alencar como vice do petista.
Aliás, foi pelo PL que Roberto Rocha ingressou na carreira política, em 1989, passando, em seguida, pelo MDB, PSDB, PSB, PSDB (de novo), PTB, PRD, Republicanos, Novo, PRTB e, poucos dias depois, novamente pelo PSDB, que o perdeu para o deputado federal Juscelino Filho, depois que deixou o Ministério das Comunicações. Recentemente, conseguiu uma brecha na legislação e a boa vontade do presidente do TSE, Cássio Nunes, para se filiar ao PRTB, atrasado. A direção nacional tenta rebatizá-lo com o nome “fantasia” de Brasileiro. Agora, como o mais novo no páreo rumo ao Palácio dos Leões, Roberto Rocha diz que “compraram” o Novo para que ele não disputasse o Senado. Bom para Flávio Bolsonaro, que terá palanque no Maranhão.
Indignado, o ex-senador desabafou: “Nem Novo, nem de velho. Devia ser chamado de velhaco, porque o que fizeram é algo abominável na política”, disparou sobre a manobra no Novo que o obrigou a mudar de plano e de candidatura. No Maranhão, quem está concorrendo ao Senado pelo partido que recusou Roberto Rocha é o médico Lahesio Bonfim, na chapa liderada pelo ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). O outro nome é o deputado federal, médico e ex-ministro dos Esportes de Lula, André Fufuca, que, até dois meses atrás, era apoiador de Orleans Brandão.
Hoje, quem comanda o PSDB no Maranhão é Juscelino Filho, candidato à reeleição, depois de deixar o União Brasil. Inicialmente, prometia agir com “independência”, mas já participa de atos políticos com Orleans Brandão, o médico Sebastião Madeira, tucano histórico, hoje no MDB, assim como foi o governador Carlos Brandão. Assim, o nanico PRTB no Maranhão tem um candidato verdadeiramente bolsonarista, que nunca negou essa condição, muito pelo contrário. Ele disse que viu “força suprema” por trás da barreira posta em seu caminho para o Senado, obviamente aludindo ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Difícil é acreditar que Dino tenha essa “força” para agir no Novo, um partido claramente de direita.
Fiz apenas ajustes gramaticais, de concordância, regência, pontuação e ortografia, sem alterar o conteúdo ou o estilo do texto.

